UNICEF e Instituto Aegea levam saneamento a escolas rurais do Pará

UNICEF e Instituto Aegea levam saneamento a escolas rurais do Pará
Texto: Isabella Martins e Rosiney Bigattão

Água segura, coleta e tratamento de esgoto e outras condições de higiene adequadas são fundamentais para a saúde, o desenvolvimento cognitivo e a permanência das crianças na escola. A falta desses serviços está diretamente associada ao aumento de doenças infecciosas, problemas nutricionais e ausência escolar.  Por isso, os sorrisos na quadra de esportes e nos rostos das pessoas durante o evento de encerramento do projeto Água, Saneamento e Higiene na Escola mostram a importância dele para toda a comunidade.

A iniciativa ampliou o acesso de crianças e adolescentes a serviços essenciais em escolas rurais de Barcarena, no Pará. Promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e implementado pelo Instituto Peabiru, o projeto foi desenvolvido por meio de uma parceria estratégica com o Instituto Aegea, e contou com apoio institucional da Prefeitura de Barcarena, por meio da Secretaria Municipal de Educação, e do Governo do Estado do Pará, via Secretaria de Estado de Educação.

Saneamento como base para aprendizagem

Mais do que levar equipamentos, o projeto envolveu a comunidade em um processo contínuo de mobilização, formação e apoio técnico. Gestores e professores foram capacitados para realizar um autodiagnóstico das condições das escolas e elaborar propostas de melhoria a partir da própria realidade local.

Ao longo do processo, as escolas participaram de sessões de mentoria individual e em grupo e receberam visitas de mobilização. Esse acompanhamento próximo resultou na construção de projetos pelas próprias unidades escolares — um passo importante para fortalecer a autonomia na identificação de problemas e na proposição de soluções.

Os projetos foram avaliados por representantes do UNICEF, Aegea e Secretaria Municipal de Educação de Barcarena, com base em critérios como viabilidade técnica, necessidades de estruturas de saneamento e engajamento das escolas. Ao final, 25 escolas foram selecionadas para receber intervenções estruturais.

A transformação do ambiente escolar

As melhorias implementadas foram adaptadas às diferentes realidades do território, incluindo escolas em áreas rurais com acesso terrestre e regiões insulares. Entre as ações estão sistemas de captação de água — como uso de chuva e fontes superficiais —, intervenções em reservação, distribuição e tratamento, com instalação de cloradores para garantir água potável.

Também foram realizados aprimoramentos nos sistemas de esgoto, construção e reforma de banheiros, além da instalação de bebedouros e estações de lavagem de mãos. Ao todo, o projeto impactou diretamente 1.751 crianças e adolescentes, contribuindo para ambientes escolares mais seguros, saudáveis e adequados ao aprendizado.

Reconhecimento como “Escola Três Estrelas”

O encerramento foi realizado no Auditório da Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof. Aloysio da Costa Chaves e marcou o reconhecimento das 25 escolas como “Escola Três Estrelas”, metodologia internacional do UNICEF que avalia avanços nas condições de saneamento e higiene no ambiente escolar.

Entre os critérios estão acesso à água segura, banheiros adequados, promoção de práticas de higiene e gestão sustentável dos serviços.

A Aegea, que atua no estado por meio da Águas do Pará e em Barcarena com a concessionária Águas de São Francisco, reforça a importância do saneamento para o futuro das crianças.

“O saneamento muda a vida para melhor, principalmente nas escolas, ao assegurar um ambiente mais seguro para professores e estudantes poderem aprender melhor, conviverem entre si e com suas comunidades. Esse é o tipo de melhoria que parece simples, mas acompanhará esses estudantes por toda a vida. Estar com o UNICEF na conclusão deste projeto é uma prova concreta do nosso compromisso de deixar um legado real para a cidade e suas comunidades”, disse Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea.

Garantia de direitos da população

“Encerramos um projeto que entrega equipamentos, soluções e, principalmente, formação, para que nossos alunos compreendam a importância da água e contribuam para a preservação da infraestrutura disponibilizada pelo projeto e pela gestão municipal nas escolas. Investir em saneamento e higiene nas escolas é investir em saúde, dignidade e no futuro do nosso município”, afirmou o secretário municipal de Educação, Edson Cardoso.

Desigualdades no acesso ao saneamento no Pará

Segundo dados do Censo Escolar de 2024, o número de escolas públicas sem acesso à água caiu pela metade, passando de 2.512 para 1.203 unidades. O número de estudantes impactados também caiu, de 179 mil para 75 mil.

Apesar dos avanços, os desafios permanecem. No Pará, 20,4% das escolas têm acesso inadequado à água, o que representa cerca de 142 mil crianças e adolescentes.

A situação afeta principalmente áreas rurais e evidencia desigualdades: cerca de 60% dos estudantes dessas escolas são negros, mostrando a sobreposição de fatores territoriais, étnicos e socioeconômicos.

“Barcarena é uma cidade que tem se destacado como modelo para outros municípios da região. No entanto, a realidade da Amazônia nos lembra que ainda há muito a ser feito para garantir que cada criança e cada adolescente tenham acesso aos seus direitos fundamentais”, destacou Mariana Machado Rocha, chefe do escritório do UNICEF no Pará.

Educação e mudança de comportamento

Além da infraestrutura, o projeto investiu em ações educativas para fortalecer capacidades locais e promover mudanças de comportamento.

Foram realizadas oficinas de lavagem das mãos com estudantes da rede municipal, reforçando uma prática essencial para a prevenção de doenças. Também aconteceram oficinas de dignidade menstrual com adolescentes, contribuindo para o acesso à informação, redução de estigmas e permanência escolar.

A iniciativa incluiu ainda ações com estudantes da rede estadual e divulgação do Programa Nacional de Dignidade Menstrual, ampliando o acesso a absorventes e promovendo mais saúde e bem-estar.

Como etapa final, professores das 61 escolas participantes da primeira fase receberam formação sobre o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), com apoio do FNDE e do CONAC. O objetivo foi capacitar as equipes para acessar recursos públicos e dar continuidade às melhorias.

“Este projeto em Barcarena mostrou que soluções adaptadas aos territórios, aliadas ao engajamento das comunidades escolares, podem gerar impactos concretos e duradouros”, afirmou Gregory Bullit, do UNICEF.