Manaus foi palco de uma conversa que conecta um dos maiores patrimônios naturais do planeta a um desafio que afeta a vida de milhões de pessoas: como garantir água e saneamento diante das mudanças climáticas. Foi nesse cenário que pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes do setor privado se reuniram, na sede da Águas de Manaus, para discutir caminhos para a universalização do saneamento e para a segurança hídrica.
O encontro foi promovido pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil, por meio do Movimento +Água, que tem como objetivo impactar 100 milhões de pessoas no Brasil. Essa foi a primeira rodada da iniciativa. O próximo encontro está programado para 9 de setembro, no interior de São Paulo.
Um debate necessário
“É muito simbólico trazer essa rodada regional de discussões do Pacto Global das Nações Unidas para Manaus e para a Amazônia, uma região que está no centro dos desafios climáticos que enfrentamos e onde o saneamento tem um papel cada vez mais estratégico na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Para a Aegea, por meio da Águas de Manaus, é uma honra receber esse primeiro encontro em uma cidade que vive uma verdadeira transformação do saneamento, com a chegada da água tratada e da coleta de esgoto em comunidades, becos, rip-raps e palafitas. É um movimento que representa dignidade para milhares de famílias”, destaca o presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos.
A programação contou com debates relacionados ao ODS 6 – Água Potável e Saneamento. No primeiro painel, os participantes discutiram a realidade hídrica da região e iniciativas voltadas à garantia de acesso digno aos serviços de saneamento básico, como a Tarifa Manauara e a Tarifa 10, que atualmente beneficiam mais de 140 mil pessoas em Manaus.
A voz das comunidades
O segundo bloco levou ao centro da conversa quem acompanha de perto as transformações provocadas pela chegada do saneamento. Lideranças comunitárias compartilharam experiências sobre a universalização do abastecimento de água em diferentes regiões da capital amazonense.
“É muito importante estar aqui hoje, com outras lideranças comunitárias, falando de algo que a gente não consegue viver sem, que é a água. Depois de muita luta, conseguimos levar água potável para a nossa comunidade, e isso foi a realização de um sonho. Hoje, temos um poço e mais segurança para as famílias. Agora, nosso próximo sonho é a rede de esgoto, que é uma necessidade de todos”, afirmou a cacica Fran, moradora da Cachoeira Alta, no Tarumã, que participou do painel.
A fala traduz uma realidade que muitas vezes aparece em números, mas ganha outro significado quando contada por quem vive a mudança: ter água segura em casa representa tranquilidade, proteção e a possibilidade de imaginar o próximo passo.

Soluções para o futuro
O terceiro painel reuniu representantes de empresas para discutir a construção de soluções voltadas à segurança hídrica e ao desenvolvimento sustentável da região.
Para Mônica Gregori, diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, conversas como essa ajudam a ampliar a percepção sobre os efeitos do saneamento na vida das pessoas.
“É importante entender que o acesso à água tratada e à rede de esgoto gera impactos muito maiores do que aqueles que conseguimos enxergar. O sistema de esgoto, muitas vezes invisível, traz benefícios concretos para a saúde, a qualidade de vida e a dignidade das pessoas. Levar saneamento a mais famílias é levar cidadania e garantir que ninguém fique para trás. Ao mesmo tempo, é fundamental conscientizar a sociedade sobre o papel de cada um para que esses avanços sejam preservados e esses benefícios, mantidos”, aponta.

Água em um cenário de mudanças
O encontro aconteceu durante o período de estiagem em Manaus, quando a queda no nível dos rios aumenta a necessidade de adaptação da estrutura de captação de água da capital.
O diretor-presidente da Águas de Manaus, Pedro Augusto Freitas, destaca que discutir resiliência hídrica é também pensar na capacidade de garantir água às pessoas em diferentes cenários climáticos.
“Quem trabalha todos os dias com distribuição e tratamento de água sabe da importância de preparar o sistema para enfrentar os desafios climáticos. Ter em Manaus esse debate sobre a importância do saneamento e da resiliência hídrica da nossa região reforça como é fundamental que a indústria, o comércio, o poder público e a concessionária trabalhem juntos para garantir água de qualidade nas nossas torneiras, independentemente do momento climático que estamos vivendo”, aponta.

Movimento +Água
O Movimento +Água é uma iniciativa de engajamento empresarial coletivo que busca contribuir para os objetivos centrais das agendas de segurança hídrica e para o acesso ao saneamento básico no Brasil, alinhado ao ODS 6 – Água Potável e Saneamento. A meta é impactar a vida de 100 milhões de pessoas no país por meio de ações conjuntas. O trabalho já mobilizou empresas e organizações de diferentes regiões do Brasil em preparação para a Conferência da Água da ONU de 2026.
Sobre o Pacto Global da ONU
Como uma iniciativa especial do secretário-geral da ONU, o Pacto Global das Nações Unidas é uma convocação para que empresas de todo o mundo alinhem suas operações e estratégias a dez princípios universais nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção.
Lançado em 2000, o Pacto Global orienta e apoia a comunidade empresarial global no avanço das metas e valores da ONU por meio de práticas corporativas responsáveis. A iniciativa reúne mais de 20 mil participantes distribuídos em 70 redes que cobrem 100 países, sendo o maior projeto de sustentabilidade corporativa do mundo. Há ainda cinco hubs em diferentes regiões do planeta.


