Ter acesso ao esgoto tratado muda a rotina de uma família. Elimina o mau cheiro das fossas, reduz o risco de doenças e traz segurança para quem vive na casa e para toda a vizinhança. Em um país onde cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não têm coleta de esgoto, segundo o Censo 2022 e o Instituto Trata Brasil, Campo Grande (MS) mostra que a inclusão sanitária pode sair do papel e virar realidade.
Hoje, 94% dos moradores da capital de Mato Grosso do Sul contam com coleta e tratamento de esgoto. É mais do que prevê no Novo Marco Legal do Saneamento, que estabelece 99% da população em abastecimento de água e 90% da população em coleta e tratamento de esgoto até 2033.
Bairros inteiros transformados e quase um milhão de moradores com acesso
O avanço impacta quase um milhão de pessoas e transforma bairros inteiros. No bairro Tijuca, na região Lagoa, Lúcio Flávio Carneiro celebra a mudança com a chegada da rede este ano. “Antes, era comum o mau-cheiro da fossa e o gasto constante com os caminhões para esvaziar. Agora, com a passagem da rede de esgoto, estamos iniciando uma nova fase em nossas vidas.”
Na região sul da cidade, Janicleia Ferreira vive experiência semelhante. “Já aconteceu de a fossa entupir e vazar. Tivemos que abrir outra no quintal e chamar o caminhão várias vezes. Cada vez ficava mais caro. É um alívio saber que isso vai mudar.”
Histórias como essas se multiplicam à medida que a rede avança.
Expansão que chega aos bairros
Somente neste ano, a empresa responsável pelos serviços de água e esgoto na capital, a Águas Guariroba, prevê a implantação de cerca de 200 quilômetros de novas redes de água e esgoto. As obras vão alcançar 22 bairros e beneficiar diretamente mais de 100 mil moradores.
O objetivo é ampliar a cobertura para 98% da população até 2028 — cinco anos antes do prazo previsto na legislação federal.
Para o aposentado Isaque Fidelis, a mudança é também questão de saúde.
“A rede de esgoto vai ajudar naquele forte cheiro que vinha das fossas. Isso é muito bom para o bairro e, principalmente, para a nossa saúde.”

Tecnologia para reduzir impactos
Por trás dessa transformação está uma estrutura robusta. O esgoto coletado percorre uma rede de aproximadamente 3 mil quilômetros até chegar às Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), passando por Estações Elevatórias espalhadas pela cidade. Após o tratamento adequado, retorna ao meio ambiente sem causar danos.
“Estamos utilizando técnicas de perfuração do solo e métodos não destrutivos para a implantação da tubulação de esgoto. Isso ocorre conforme a necessidade de cada trecho, sempre priorizando segurança, eficiência e redução de transtornos. Todos os métodos são eficazes e com foco em melhorias duradouras para a população”, explica José Clementino Leite, supervisor de Engenharia da Águas Guariroba.
“A ampliação da rede de esgoto elimina fossas, reduz riscos à saúde pública, contribui para a preservação ambiental e impulsiona o desenvolvimento das regiões atendidas. O avanço do saneamento também valoriza os imóveis e fortalece a qualidade de vida das comunidades”, reitera Gabriel Buim, diretor-presidente da Águas Guariroba.


