As mulheres são as que mais sofrem com a falta de saneamento

As mulheres são as que mais sofrem com a falta de saneamento
Texto: Rosiney Bigattão

O impacto de não ter água tratada em casa não aparece apenas nas estatísticas. Ele se revela na rotina: é a mãe que falta ao trabalho porque o filho está com diarreia, é a mulher que adia um sonho de empreender porque precisa buscar água longe de casa e não sobra tempo para mais nada e é a chefe de família que acumula as atividades de cuidados e geração de renda.

Vários estudos mostram que, quando falta saneamento, quem sente primeiro são as mulheres. A ausência de água tratada e de coleta e tratamento de esgoto compromete a saúde, reduz a produtividade, limita oportunidades e reforça desigualdades históricas. E esse peso não é distribuído de forma igual.

Conforme o Instituto Trata Brasil, com saneamento pleno, três em cada quatro mulheres pardas ou negras poderiam sair da linha da pobreza. Atualmente, cerca de 18 milhões de mulheres vivem nessa condição, e 15,8 milhões ainda não têm acesso à água tratada.

Um ciclo que começa na infância

A falta de saneamento impacta o desenvolvimento cognitivo das crianças, aumenta a incidência de doenças e compromete a permanência na escola. Para meninas, os efeitos tendem a ser ainda mais profundos ao longo da vida.

Sem infraestrutura básica, o tempo é consumido pelo cuidado. A renda é afetada pelas faltas ao trabalho. A autonomia fica condicionada à sobrevivência diária.

De acordo com dados do IBGE reunidos no Painel Saneamento Brasil, pessoas com acesso a serviços de água e esgoto têm renda média de R$ 3.220,94. Já aquelas sem acesso recebem, em média, R$ 2.084,42 — uma diferença de 54,5%.

Para as mulheres, a desigualdade é ainda maior.

Menos acesso, menor salário

Dados da PNADC 2019 mostram que mulheres que vivem em moradias sem acesso à água tratada recebem, em média, 45,1% menos do que aquelas com abastecimento regular. Entre as que não têm coleta de esgoto, a renda é 34,4% inferior.

O recorte racial evidencia uma disparidade ainda mais profunda: 68% das mulheres sem acesso regular à água tratada se autodeclaram pretas ou pardas e vivem em territórios socioambientalmente vulneráveis.

Segundo o Instituto Trata Brasil, a universalização do saneamento poderia retirar 635 mil mulheres da pobreza. A remuneração média feminina poderia passar de R$ 1.984,74 para R$ 2.105,08 por mês — um acréscimo anual de R$ 1.444 por trabalhadora.

Quando projetado para todo o país, o ganho estimado pode chegar a R$ 13,5 bilhões por ano. Saneamento não é apenas infraestrutura. É mobilidade social.

Empreender também depende de água

Para mulheres que desejam iniciar um negócio, os caminhos já costumam ser mais longos. Quando vivem em áreas sem saneamento, tornam-se ainda mais desiguais.

A falta de água tratada impacta a higiene, a regularidade das atividades produtivas, a segurança alimentar e até a formalização de pequenos negócios. O tempo que poderia ser dedicado à geração de renda é consumido pela resolução de problemas básicos. Infraestrutura precária reduz produtividade, aumenta internações por doenças evitáveis e compromete a renda imediata das famílias.

Neste Mês da Mulher, vamos trazer exemplos de como os investimentos em saneamento feitos pelas unidades da Aegea estão possibilitando uma nova vida para milhares de mulheres. E também conhecer mais de perto o trabalho das que fazem a diferença ajudando a empresa a ampliar o alcance dos serviços. Acompanhe. Afinal, saneamento não é só saúde. É autonomia. É tempo ganho. É renda ampliada.  É dignidade.