O debate internacional sobre biodiversidade e conservação de espécies migratórias ganhou destaque em Mato Grosso do Sul com a realização, em Campo Grande, da COP15, sediada pela primeira vez no Brasil. A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres colocou a capital sul-mato-grossense no centro do debate global sobre o tema.
O encontro reuniu governos, cientistas e organizações internacionais para discutir medidas de proteção da fauna migratória, da conectividade ecológica e dos habitats essenciais à manutenção da vida silvestre. Nesse contexto, o saneamento básico se consolida como um importante aliado da agenda ambiental.
Atravessando fronteiras e continentes
Com o tema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, a COP15 reforçou um princípio central: a natureza não reconhece fronteiras políticas. Espécies migratórias dependem de ecossistemas interligados, e qualquer ruptura nesse equilíbrio pode comprometer cadeias ecológicas inteiras.
“A temática da COP15 nunca foi tão importante. Animais migratórios, de elefantes, grandes felinos e aves de rapina a peixes de água doce, tartarugas marinhas, baleias, aves aquáticas e até borboletas, não são apenas espetáculos da vida selvagem. Eles são o sistema circulatório do planeta, impulsionando a polinização, a dispersão de sementes, o armazenamento de carbono, o controle de pragas e a ciclagem de nutrientes em escala continental. Quando esses corredores se rompem, os ecossistemas entram em colapso”, afirmou Inger Andersen.
A degradação ambiental, a fragmentação de habitats e a poluição dos rios e oceanos se consolidam como algumas das principais ameaças às espécies migratórias. A perda de conectividade entre ecossistemas, essencial para a alimentação, a reprodução e o deslocamento, compromete diretamente a sobrevivência desses animais e evidencia a urgência de ações coordenadas em escala global.
Pantanal como protagonista
A escolha de Campo Grande como sede do evento evidencia o papel estratégico da região no cenário ambiental. Porta de entrada para o Pantanal, a maior planície alagável do planeta, a capital sul-mato-grossense está inserida em um território que funciona como corredor natural para diversas espécies migratórias.
O bioma é reconhecido internacionalmente por sua biodiversidade e por sua função ecológica, conectando diferentes ecossistemas e servindo como uma área de alimentação, reprodução e passagem para inúmeras espécies. Sua preservação impacta diretamente o equilíbrio ambiental em escala continental.
Espécies emblemáticas como o dourado, a piracanjuba e grandes bagres migratórios percorrem longas distâncias pelos rios da Bacia do Paraguai, conectando diferentes ambientes ao longo de seus ciclos de vida e reforçando a importância do Pantanal como corredor ecológico.
Importância do saneamento na promoção da sustentabilidade
A realização da COP15 em Campo Grande também evidenciou a importância do saneamento como base para a promoção da saúde pública e da sustentabilidade. O acesso à água tratada, aliado a iniciativas que incentivam o consumo consciente, contribui diretamente para a preservação ambiental e para a qualidade de vida da população.
Nesse contexto, a Aegea, uma das principais companhias privadas do setor no país, atua na oferta de soluções que ampliam o acesso ao saneamento e contribuem para a conservação dos recursos hídricos em diferentes regiões do Brasil.
Contribuições estratégicas para a conservação ambiental
Em Mato Grosso do Sul, essa atuação se reflete no trabalho da Águas Guariroba, responsável pelos serviços de saneamento em Campo Grande, e da Ambiental MS Pantanal, que atua no interior do estado. A capital se destaca nacionalmente por estar entre as cidades com menor índice de perdas na distribuição de água, com patamar abaixo de 25% (Trata Brasil, 2026), resultado de investimentos contínuos em eficiência operacional e gestão do sistema.
No interior, a atuação ocorre por meio da Ambiental MS Pantanal, em Parceria Público-Privada com a Sanesul e o governo estadual, responsável pela coleta e pelo tratamento de esgoto em 68 municípios. O tratamento da água, a ampliação da coleta e do esgoto tratado, aliados à redução da poluição hídrica e à proteção de rios, córregos e áreas úmidas, contribuem diretamente para diminuir as pressões sobre ecossistemas estratégicos de Mato Grosso do Sul.
“O Pantanal não é um espaço isolado do cotidiano urbano; ele depende da qualidade da água, da integridade dos rios e da funcionalidade ecológica das bacias hidrográficas que atravessam áreas urbanas e rurais. Por isso, tratar o esgoto ainda na origem significa interromper um ciclo de contaminação que, se não controlado, pode comprometer cursos d’água, áreas úmidas e habitats importantes para a fauna aquática e para espécies que dependem de ambientes conectados ao longo de seus deslocamentos”, pontua Fernando Garayo, gerente de Meio Ambiente da Águas Guariroba e da Ambiental MS.

Esgoto tratado é meio ambiente preservado
O tratamento adequado do esgoto é uma medida fundamental para preservar a água e reduzir a pressão sobre rios, córregos e áreas úmidas. Em Campo Grande, a Águas Guariroba garante uma média de 92,6 milhões de litros de esgoto tratados por dia — volume equivalente a 16,5 mil piscinas olímpicas por ano. A Ambiental MS Pantanal trata atualmente cerca de 33,6 milhões de metros cúbicos de esgoto por ano.
“Mais do que indicadores operacionais, esses dados expressam uma contribuição concreta para a proteção da qualidade da água e para a redução da carga poluidora lançada em sistemas hídricos conectados a áreas ambientalmente sensíveis. Em um estado em que rios, áreas úmidas e planícies alagáveis têm papel decisivo para a manutenção da biodiversidade, ampliar o saneamento também significa conservar habitats relevantes para espécies migratórias e para a fauna emblemática do Pantanal”, afirma Garayo.

Recomposição da vegetação e proteção das nascentes
As ações ambientais ampliam os efeitos positivos do saneamento sobre a proteção dos recursos hídricos e da biodiversidade. Entre os destaques está o Viveiro Isaac de Oliveira. Somadas, as iniciativas de produção e doação já ultrapassam 650 mil mudas nativas, com capacidade de cultivo de até 80 mil unidades por ano, contribuindo para a recomposição da vegetação, a proteção do solo e a preservação das nascentes.
Um exemplo é a destinação de cerca de 4.800 mudas ao Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB), fortalecendo a conservação ambiental em áreas que servem de habitat para importantes espécies da fauna brasileira.
“Com o saneamento, podemos dizer que aqui em Mato Grosso do Sul está acontecendo um dos maiores programas do Brasil de conservação de bacias hidrográficas, e isso tem tudo a ver com a biodiversidade”, conclui Fernando Garayo.

Ações ambientais no território
Em Campo Grande, a Águas Guariroba atua ainda na preservação dos mananciais, com destaque para o plantio na Área de Proteção Ambiental (APA) Guariroba e para o Programa Bacia Monitorada, voltado ao acompanhamento contínuo das bacias hidrográficas.
No interior, a Ambiental MS Pantanal desenvolve ações de recuperação de áreas degradadas e reflorestamento. Na Serra da Bodoquena, o trabalho inclui a recomposição de matas ciliares e de Áreas de Preservação Permanente (APPs), protegendo os corpos hídricos e a biodiversidade regional.
Realizada entre 23 e 29 de março, a COP15 reforçou a necessidade de cooperação internacional para garantir a sobrevivência dessas espécies e de seus habitats.
Veja no AE Play um pouco mais sobre o evento.