Palavras-chave Regenera Rio: combustível feito a partir do lixo move frota

Palavras-chave Regenera Rio: combustível feito a partir do lixo move frota
Texto: Caike Taccelli

O resíduo produzido no Rio de Janeiro está ganhando uma nova função antes mesmo de seu ciclo terminar. Depois de ser transportado até o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), no aterro de Seropédica, parte do material dá origem ao biogás que, após o tratamento, é transformado em biometano. 

O combustível renovável retorna, então, à própria operação: abastece as carretas responsáveis por levar os resíduos até o local.

É um ciclo que conecta gestão de resíduos, energia e transporte. A Regenera Rio está convertendo para o biometano os 60 veículos pesados que fazem o trajeto entre as cinco estações de transferência de resíduos (ETRs) da capital e o CTR-Rio.

Economia circular: 615 mil litros a menos de diesel todo mês

Com investimento anual de R$ 28 milhões, a iniciativa amplia a estratégia de economia circular da operação. Quando toda a frota estiver utilizando o biocombustível, o consumo previsto será de cerca de 742 mil metros cúbicos de biometano por mês, em substituição a aproximadamente 615 mil litros mensais de diesel.

A mudança deve evitar a emissão de aproximadamente 15 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano e reduzir em até 99% as emissões de gases de efeito estufa (GEE), segundo a Regenera Rio.

Do resíduo ao combustível

No CTR-Rio, o aproveitamento do biogás gerado pela decomposição dos resíduos permite que parte da energia produzida no próprio aterro retorne à operação na forma de combustível. É esse movimento que fecha o ciclo: o material levado pelas carretas contribui para produzir o biometano que passa a abastecê-las. 

“Esse avanço consolida um modelo de economia circular em que o resíduo deixa de ser um passivo ambiental para se tornar um ativo estratégico. Após chegarem ao CTR-Rio, os resíduos passam pelo processo natural de decomposição da matéria orgânica, gerando o biogás. Nossa estrutura capta cerca de 25 mil metros cúbicos  normais (Nm³) de biogás por hora e, após o processo de purificação, são produzidos cerca de 130 mil metros cúbicos de biometano por dia. Parte desse volume retorna ao sistema para abastecer nossa própria frota, fechando um ciclo sustentável de valorização dos resíduos”, explica Samuel Figueiredo, diretor-executivo da Regenera Rio.

A sigla Nm³ expressa o volume de gases em condições padronizadas de temperatura e pressão. Além do ganho ambiental direto, a produção local do biocombustível reduz a exposição da operação às oscilações do mercado internacional de petróleo e contribui para a previsibilidade energética e operacional da gestão de resíduos. 

Mais carga por viagem

A transformação também passa pelos veículos, que agora têm mais tecnologia. Diariamente, o CTR-Rio recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos vindos das cinco ETRs do município do Rio de Janeiro. O fluxo exige cerca de 300 viagens diárias, somando mais de 14 milhões de quilômetros rodados por ano.

Para otimizar essa complexa cadeia logística, a Regenera Rio incorporou carretas de quatro eixos com piso móvel — o que diminui o risco de tombamento —, ampliando a capacidade em cerca de 10 toneladas por viagem (média de 38 toneladas, enquanto as anteriores transportavam 28,5 toneladas).

Logística inteligente e tecnologia de dados

Com mais carga em cada deslocamento, a operação pode reduzir a quantidade de carretas necessária para transportar o mesmo volume de resíduos.

“Não estamos apenas trocando o combustível por uma fonte renovável. Estamos otimizando o trânsito do Rio. Com mais capacidade por viagem, reduzimos o número de carretas rodando nas rodovias, diminuindo o impacto no tráfego urbano e na vida das pessoas. Tecnologia, sustentabilidade e um olhar social dedicado transformam o que antes era um passivo ambiental em um ativo estratégico e de alta performance”, conclui Figueiredo.

A logística também passa a contar com o Centro de Operações Integradas (COI) de Resíduos, estrutura que reúne indicadores logísticos, operacionais e ambientais em uma única plataforma para acompanhar a cadeia em tempo real, ampliando a eficiência, a capacidade de resposta e a governança do sistema.