Rompendo barreiras: mulheres avançam em mercado predominante masculino

Rompendo barreiras: mulheres avançam em mercado predominante masculino
Texto: Ivana Machado

Da captação ao tratamento, passando pelo controle da qualidade da água e pelo sistema de esgoto, a operação da Prolagos (RJ) tem presença feminina em diferentes frentes. Em um setor historicamente associado aos homens, a concessionária, que atua em cinco municípios da Região dos Lagos, vem ampliando a participação de mulheres como parte de uma mudança estrutural.

Da operação ao comando

À frente de áreas estratégicas, Celeste Lemos coordena a operação de uma Estação de Tratamento de Água (ETA), de sete Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) e do Laboratório de Controle de Qualidade. Engenheira ambiental, ela foi a primeira operadora de ETE da empresa, em 2019.

“No início, vi como um desafio pessoal. Não só de superação, mas de ocupar um espaço em que, teoricamente, a atuação era mais voltada aos homens. Com o tempo, o resultado do trabalho fala mais alto do que qualquer resistência”, afirma.

Hoje, ela lidera uma equipe com outras especialistas que atuam em etapas fundamentais do sistema, incluindo milhares de análises mensais que garantem a qualidade da água distribuída à população.

Quem chega abre caminho

Entre essas profissionais está Taiane Lacorte, operadora de ETE, que há pouco mais de um ano passou a integrar a equipe.

“Eu sempre quis trabalhar com meio ambiente, fazer algo que realmente impactasse a vida das pessoas. No tratamento de esgoto, vejo isso acontecendo na prática”, conta.

Taiane participou do início da operação de ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto de São Pedro da Aldeia, em 2025, e destaca que ocupar esse espaço também é uma forma de afirmar capacidade e construir novas referências.

Referências que inspiram

A presença feminina também se reflete na alta gestão. Hoje, 40,5% da liderança da Prolagos é composta por mulheres, entre elas a diretora-executiva Aline Póvoas e a executiva-institucional Roberta Moraes.

Para Suani Lima, coordenadora de Engenharia, essa representatividade tem impacto direto na forma como outras profissionais enxergam suas possibilidades. “Uma colega comentou que ficou feliz em ver uma mulher, uma mulher negra, na coordenação da Engenharia. Mesmo que seja para uma pessoa, você está fazendo a diferença”, relata.

Novos espaços na operação

A ampliação dessa presença também chega a áreas técnicas. É o caso de Roberta Valadares, que recentemente passou a integrar o Centro de Controle Operacional (CCO), responsável por monitorar, em tempo real, todas as etapas dos sistemas de água e esgoto.

“Quando descobri que era a primeira mulher na função, senti orgulho e responsabilidade. É uma forma de mostrar que temos capacidade para atuar em qualquer área”, afirma.

Mudança que se consolida

Com mulheres em diferentes níveis da operação e da liderança, a Prolagos avança no compromisso assumido pela Aegea de ampliar a diversidade. A meta do grupo é alcançar 45% de mulheres em cargos de liderança até 2030.

“Ver mulheres nesses espaços reafirma nosso compromisso com uma mudança real no setor. É uma construção que acontece no dia a dia, com profissionais que fazem a diferença”, destaca a diretora-executiva Aline Póvoas.

Foto capa: Mari Ricci