A maior área úmida do planeta depende diretamente do ciclo das águas para manter sua biodiversidade, a regulação hídrica e sustentar modos de vida.
Reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade, o Pantanal ocupa pouco mais de 138 mil km² no Brasil, com cerca de 65% de sua área localizada em Mato Grosso do Sul. Preservar esse bioma exige olhar para além de seus limites geográficos e investir em ações estruturantes que garantam a qualidade das águas que o alimentam.
As áreas úmidas funcionam como zonas de transição entre ambientes terrestres e aquáticos e exercem papel fundamental na regulação hídrica. Quando os rios e córregos que drenam para o Pantanal recebem carga poluidora, os impactos se espalham por todo o sistema.
É nesse contexto que o saneamento básico e a educação ambiental ganham relevância como ferramentas centrais de conservação. “O Pantanal é um bioma único no mundo, uma das maiores áreas úmidas do planeta e um ecossistema cuja vida depende inteiramente da dinâmica da água”, afirma o presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos.
O papel do saneamento na preservação das águas
A coleta e o tratamento de esgoto são considerados uma das primeiras linhas de defesa do Pantanal. Ao evitar que esgoto sem tratamento chegue aos cursos d’água, o saneamento contribui para reduzir riscos de contaminação, proteger a biodiversidade e manter serviços ecossistêmicos ligados à produção de água e alimentos.
No Mato Grosso do Sul, a Ambiental MS Pantanal trata anualmente cerca de 33,6 milhões de metros cúbicos de esgoto. Esse volume representa uma redução significativa da carga poluidora lançada nos rios e córregos que alimentam o bioma.
Para o diretor-executivo da Ambiental MS Pantanal, Clayton Bezerra, além dos benefícios ambientais, o tratamento adequado do esgoto também impacta diretamente a saúde pública e a qualidade de vida da população nos municípios do entorno.
“O investimento contínuo em saneamento é imprescindível: não apenas para a melhoria da qualidade de vida da população, mas também para a preservação de um dos biomas mais sensíveis e estratégicos do país, que é o Pantanal.”
Restauração ambiental e resiliência hídrica
O gerente de Meio Ambiente da Ambiental MS Pantanal, Fernando Garayo, ressalta que o bioma é especialmente sensível a eventos climáticos extremos e que as áreas úmidas têm relevância ecológica global. Nesse cenário, investimentos em restauração ambiental e proteção do solo e da água contribuem para ampliar a resiliência do Pantanal.
Ele aponta que essas ações ajudam a “interferir positivamente no ciclo da água” por meio do tratamento do esgoto doméstico e da devolução da água aos rios em condições adequadas. Garayo acrescenta que a atuação é fortalecida por estudos e iniciativas desenvolvidas com a WWF-Brasil e parceiros nas Cabeceiras do Pantanal, região onde nascem cerca de 80% dos rios que alimentam a Bacia do Alto Paraguai.
As ações de restauração associadas à parceria contribuem para reduzir a erosão, melhorar a infiltração da água no solo e diminuir o assoreamento, reforçando a resiliência hídrica regional.
Educação ambiental como aliada
A proteção do Pantanal depende também da conscientização da população sobre o uso correto da rede de esgoto e a importância do saneamento. Ações de educação ambiental, como exposições itinerantes e atividades educativas em municípios do interior, ajudam a traduzir temas técnicos para o cotidiano das pessoas.
Iniciativas com Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias ampliam esse alcance, ao levar orientações diretamente às comunidades e estimular boas práticas que evitam problemas na rede e impactos ao meio ambiente.
Uma agenda permanente de cuidado
A relevância das áreas úmidas é lembrada no Dia Mundial das Áreas Úmidas, celebrado em 2 de fevereiro, mas a proteção do Pantanal deve ser um compromisso permanente.


