Saneamento: o remédio mais eficaz contra a dengue

Saneamento: o remédio mais eficaz contra a dengue

Vários estudos mostram: o saneamento é a forma mais eficaz de combater a dengue, principalmente em um país como o Brasil, que alia altas temperaturas com as chuvas de verão. Condições que fazem com que o ano começasse com um alerta: já são mais de 650 mil casos prováveis da doença.

O número (688.461, na terça-feira, 20 de fevereiro) foi divulgado no painel Atualização de Casos de Arboviroses, do Ministério da Saúde. Ali aponta também que 122 pessoas morreram por causa da doença e outros 456 casos estão sendo investigados. Portanto, a dengue, doença viral transmitida pela picada da fêmea do mosquito do gênero Aedes, principalmente o Aedes aegypti, exige cuidados.

Acesso aos serviços de água e esgoto reduz potenciais criadouros

O maior, e mais eficaz, é o acesso à água e esgoto tratados, aponta o biólogo Luciano Pamplona, especialista em Vigilância Epidemiológica, Secretário de Saúde do Estado do Ceará e embaixador do Instituto Trata Brasil. Em uma entrevista no site do ITB, aponta como a universalização dos serviços básicos é essencial para combater a dengue.

“Sem água em quantidade e qualidade adequadas, a população precisa juntar água nos mais diferentes tipos de reservatórios. Esses são exatamente os principais criadouros de mosquitos na maior parte das cidades brasileiras. Exatamente os depósitos que a população utiliza para armazenar água para consumo. A universalização dessas medidas impacta diretamente na redução dos potenciais criadouros de mosquitos”, afirma, na entrevista do ITB.

Controle de vetores faz parte das boas práticas da Aegea

“O saneamento é uma mitigação e um controle a vetores, pois eles são de veiculação hídrica. Quando se tem água e esgoto tratados, se tem uma melhoria imediata na saúde e na redução de casos. Em suas operações, a Aegea tem uma série de condutas e boas práticas”, afirma Maíra Sugawara, coordenadora de Qualidade Ambiental da Aegea.

Em especial no Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, onde há mais incidência de casos de dengue, o licenciamento ambiental, por exemplo, já prevê ações de controle de vetores.

“Ampliamos esses cuidados, pois temos como princípios, no nosso Programa Interage, que são diretrizes para nossas operações, como a gestão de resíduos, avaliação de impactos e controle de incidentes, que garantem  cuidado especial com vetores como o da dengue”, diz.

Sem saneamento, o cuidado deve ser redobrado

São necessários poucos milímetros de água desprotegida para se criar as condições ideais para a reprodução do Aedes aegypti. “Quem não tem água tratada na torneira de casa costuma fazer o armazenamento em tambores e, mesmo as tampas, se tiverem um rebaixamento, podem se transformar em criadouros”, afirma Maíra.

Segundo a coordenadora de Qualidade Ambiental, outro ponto de atenção são os ovos. “Eles são muito resistentes, aderem às superfícies depois que a água seca e podem eclodir na próxima chuva. Por isso, é importante manter os ambientes sempre limpos, cobertos e protegidos”, orienta.

Uma questão de saúde pública

Para o médico do Trabalho da Aegea, Flavio Moreira, a dengue é uma questão de saúde pública significativa no Brasil, caracterizada por surtos sazonais que variam em intensidade dependendo das condições climáticas, esforços de controle vetorial e mudanças no comportamento da população.

Apesar dos esforços de combate ao mosquito, a situação é crítica, com projeções indicando que o Brasil pode ter até 5 milhões de casos em 2024. Isso se deve a uma combinação de fatores, incluindo calor e chuvas intensas e o ressurgimento dos sorotipos 3 e 4 do vírus (são quatro tipos, ao todo).

Atualmente, os quatro sorotipos da dengue circulam no país, o que é considerado incomum e contribui para o risco de cenários epidêmicos, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste​.

Embaixadores da saúde em ação

Na luta para se prevenir contra a dengue, todos podem contribuir. Na Aegea, o comprometimento com a vida, cuidando da saúde das pessoas e do meio ambiente, é um talento chamado de embaixadores da saúde. Algumas práticas recomendadas:

  • Eliminar água parada: como afirmou a coordenadora de Sustentabilidade Ambiental da Aegea, o mosquito se reproduz em água parada. Elimine ou trate locais que possam acumular água.
  • Cobrir recipientes de água: tambores, caixas d’água, e outros recipientes devem ser mantidos fechados para evitar que se tornem criadouros de mosquitos.
  • Uso de repelentes: aplique na pele exposta, seguindo as instruções do fabricante, especialmente durante o dia, quando os mosquitos da dengue são mais ativos.
  • Instalar telas em janelas e portas pode ajudar a prevenir a entrada de mosquitos em residências e outros ambientes fechados.
  • Participar de campanhas de conscientização: o engajamento aumenta a eficácia dos esforços comunitários para controlar a dengue.
  • Uso de inseticidas e larvicidas: em algumas situações, pode ser necessário usar produtos químicos para controlar os mosquitos adultos e suas larvas, sempre seguindo as diretrizes de segurança e recomendações das autoridades de saúde locais.

Fique atento aos sintomas da dengue

Segundo o médico do Trabalho da Aegea, os sintomas da dengue podem variar desde formas leves até quadros graves. “É importante notar que a dengue pode ser assintomática em algumas pessoas, especialmente em crianças ou em casos de reinfecção”, afirma Flávio Moreira.

Segundo ele, as formas mais graves da doença, conhecidas como dengue hemorrágica e síndrome do choque da dengue, podem incluir sintomas mais severos, como sangramento intenso, choque, e insuficiência de órgãos. Requerem atenção médica imediata.

Em todos os casos, fique atento aos sintomas típicos:

  • Febre alta repentina, geralmente a primeira manifestação da doença, podendo chegar a 40°C.
  • Dores de cabeça intensas, especialmente na região dos olhos.
  • Dores nas articulações e músculos, que podem ser bastante debilitantes.
  • Fadiga e sensação de fraqueza.
  • Erupções cutâneas que aparecem entre dois a cinco dias após o início da febre, podendo causar coceira.
  • Dor atrás dos olhos, que pode piorar com o movimento dos mesmos.
  • Náuseas e vômitos.
  • Perda de apetite.
  • Sangramentos leves de nariz e gengivas, ou hematomas fáceis na pele, mais comuns em casos de dengue hemorrágica.

Na presença de sintomas, procure avaliação médica para auxiliar no diagnóstico da doença e estratificação do risco. Isso irá guiar o tratamento e suporte médico necessário.

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