Balneabilidade é uma palavra cheia de significados e virou o hit do verão. Nos dicionários, balneabilidade é a palavra derivada de balneável, que significa própria para banhos. A explicação mais completa vem do Instituto Trata Brasil: “a medição da qualidade das águas destinadas ao contato primário, isto é, águas destinadas a banho para lazer e atividades esportivas”.
A balneabilidade, portanto, aponta se aquele rio, lago ou praia representa um risco à saúde. Os critérios são definidos pela Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), vigente desde 2001, que considera desde análises laboratoriais até sinais visíveis de contaminação.
Como funciona a classificação
As águas avaliadas são classificadas em duas categorias principais: Própria e Imprópria. E as próprias se subdividem em Excelente, Muito Boa e Satisfatória.
A água é considerada imprópria quando:
- não atende aos critérios definidos pelo CONAMA;
- apresenta altos índices de coliformes fecais, escherichia coli ou enterococos;
- há presença de resíduos sólidos ou esgoto;
- ocorrem surtos de doenças de veiculação hídrica;
- existem sinais visíveis de poluição que prejudicam o banho.
Quando falta saneamento, sobra risco
Sem coleta e tratamento de esgoto, os corpos hídricos sofrem com a contaminação. E, com isso, moradores e turistas ficam expostos a doenças como hepatite A, infecções intestinais e dermatites. Por isso, balneabilidade não é apenas uma questão ambiental ou turística: é uma questão de saúde pública.
O verão no Rio de Janeiro está mostrando como essa conexão entre saneamento e balneabilidade é real. Matérias publicadas pela Folha de São Paulo e Diário do Rio mostram que o Aterro do Flamengo celebrou 60 anos no final de 2025 mostrando que é possível conciliar urbanismo, lazer e meio ambiente.

Águas limpas pela primeira vez no século
Além de quadras esportivas, pistas de corrida, ciclovias e espaços culturais, a praia do Flamengo foi considerada própria para banho durante todo o inverno, um feito inédito neste século, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
Segundo o Inea, a melhora na qualidade da água se deve ao desvio do rio Carioca para o interceptor oceânico e à limpeza do coletor, a primeira em décadas.
Esse avanço foi resultado direto de um conjunto de obras e ações estruturantes, que incluem o desvio do rio Carioca para o interceptor oceânico; a limpeza do coletor, destinação correta do esgoto via Emissário Submarino; e implantação de estações elevatórias e coletores em tempo seco.
Desde 2021, quando a Águas do Rio assumiu os serviços de água e esgoto em 27 municípios fluminenses, mais de 130 milhões de litros de esgoto por dia deixaram de ser lançados na Baía de Guanabara.

Copacabana, Flamengo e um novo cenário
O impacto positivo se reflete nas medições de balneabilidade nas praias da capital fluminense. Copacabana e Flamengo têm apresentado condições favoráveis, de acordo com os boletins regulares do Inea, que monitora 291 pontos em 197 praias de todo o estado. Os dados estão disponíveis no Instituto Estadual do Ambiente.
“O saneamento básico tem um papel muito importante nas cidades, mas nem todo mundo sabe do impacto ambiental que ele causa quando o esgoto é lançado de forma irregular”, afirma Renan Mendonça, diretor-executivo da Águas do Rio. “As reformas e modernizações do sistema de esgotamento sanitário, junto às ações de fiscalização, estão devolvendo essas praias à população.”
Balneabilidade é qualidade de vida
A reviravolta no Rio mostra que investir em saneamento transforma paisagens, preserva a saúde e devolve espaços públicos às pessoas. Mas também evidencia a importância de manter esse cuidado constante.
Em breve, o Aegea Blog vai mostrar também exemplos de outras regiões do Brasil onde o saneamento está fazendo a diferença — acompanhe!


