Na Região Metropolitana do Cariri, no Ceará, o início da quadra chuvosa — o período do ano com maior concentração de chuvas, geralmente entre os meses de fevereiro e maio — acende o alerta das autoridades de saúde para o risco de surtos de arboviroses.
Dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, apontam que os resíduos sólidos são o terceiro principal foco do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Na região, 12% dos focos estão relacionados a esse tipo de descarte.
Resíduos e água parada: combinação perigosa
O perigo está em recipientes aparentemente inofensivos: embalagens plásticas, tampas de garrafa, latas, entre outros. Ao acumularem água da chuva, esses objetos se tornam criadouros ideais para o mosquito. Eles são encontrados em ruas, quintais, terrenos baldios, canais e lixões a céu aberto.
“Às vezes, estamos falando de um copinho ou de um recipiente pequeno, que passa despercebido na rotina e fica ali, sem ninguém mexer. Por ser pequeno, também aquece rápido e cria condições bem favoráveis para que o ovo se torne adulto, em 7 a 10 dias, aproximadamente”, alerta o médico sanitarista e gestor em saúde, Álvaro Madeira.
Segundo ele, a quadra chuvosa funciona como um “gatilho biológico”. “O mosquito deixou ovos, digamos, ‘em prontidão’, nas paredes desses recipientes. Esses ovos resistem, às vezes, por meses sem água, no seco. E, quando cai a primeira chuva, vão eclodindo. Então, em condições de calor e umidade, o ciclo vai se dar de forma rápida, e a transmissão vai ser acelerada nos bairros que têm esses focos”, explica.
Casos de dengue em alta: mais de 1,6 milhão em 2025
Historicamente, o período entre novembro e maio concentra os maiores números de casos de arboviroses no país. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2025, o Brasil registrou mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, com 1.688 mortes. Apesar da queda de cerca de 75% em relação ao mesmo período de 2024, o risco permanece alto: 30% dos municípios brasileiros estavam em situação de alerta no final do ano passado.
No Cariri, a Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) registrou, em 2025, 2.608 casos de dengue, 68 de chikungunya e um caso confirmado de zika. Já nos primeiros dias de 2026, foram notificados 143 casos de arboviroses, dos quais 13 já foram confirmados.
Prevenção: o que cada um pode fazer
Combater os focos do Aedes aegypti exige ação conjunta entre o poder público, o setor privado e a população. Quando a prevenção envolve a gestão adequada de resíduos sólidos, o papel de cada cidadão se torna ainda mais importante.
Separar corretamente o lixo, manter os quintais limpos, descartar entulhos e evitar o acúmulo de água parada são atitudes essenciais.
“O descarte correto do lixo não é só uma questão de organização urbana, faz parte também de uma medicina preventiva. Neste período de quadra chuvosa, cada saco fechado, cada quintal limpo, cada entulho retirado é um foco a menos e, na prática, menos dengue, menos chikungunya, menos internações, menos afastamento do trabalho”, destaca Álvaro Madeira.

Soluções ambientais no Cariri
Na região do Cariri, a Regenera Cariri é responsável pelo tratamento e destinação final dos resíduos sólidos urbanos em nove municípios. A empresa garante que o material coletado seja encaminhado para locais ambientalmente adequados, sem contato com o solo e longe da água parada.
“A gestão de resíduos sólidos é, essencialmente, uma ação de saúde pública. Quando o cidadão descarta corretamente e o resíduo tem destino adequado, estamos interrompendo o ciclo de transmissão de doenças”, afirma Ingrid Botelho, gerente da Regenera Cariri.


