Todos os dias, milhares de pessoas dão descarga, tomam banho, lavam louças e roupas e deixam a água seguir pelos ralos. Mas, afinal, o que acontece depois que o esgoto “desaparece”?
Parte dessa resposta está longe dos olhos da população. Na capital cearense, depois de coletado e transportado por tubulações subterrâneas e estações elevatórias, cerca de 70% do esgoto produzido chega à estação de pré-condicionamento de esgoto (EPC).

Tecnologia 24 horas
Operada pela Ambiental Ceará, a partir de Parceria Público-Privada com a Cagece, a estrutura de mais de 17 mil metros quadrados recebe, em média, 4,5 mil litros de esgoto por segundo e funciona ininterruptamente, 24 horas por dia. Ao passar pela Avenida Presidente Castelo Branco, no bairro Moura Brasil, o fortalezense nem imagina que é ali que chega a água utilizada que saiu dos ralos de bairros como a Maraponga.
Na EPC, o esgoto passa por uma série de processos automatizados, com bombas e equipamentos que realizam diferentes etapas do pré-condicionamento, até que o efluente siga para a próxima etapa do sistema, de acordo com as normas de proteção aos ecossistemas marinhos.

O que chega à estação
Tudo começa com a retirada de resíduos sólidos descartados de forma inadequada, como tecidos, fraldas, absorventes e plásticos. Também chegam itens inusitados, como brinquedos e eletrônicos. Diariamente, são retirados cerca de 180 quilos de resíduos. Somente em 2025, foram 66 toneladas, o equivalente a 4,5 caminhões-caçamba de 15 metros cúbicos.
As etapas seguintes garantem a retirada de outros materiais, como a areia. Ao final do processo, o efluente, composto por 99% de água, está pré-condicionado e dentro dos parâmetros ambientais para ser enviado ao emissário submarino. Com mais de 6 quilômetros de extensão mar adentro, o emissário conduz o efluente para o oceano, onde processos naturais químicos e biológicos contribuem para a autodepuração.

Um ciclo que depende de todos
Todo esse processo faz parte de um serviço essencial para a cidade: a coleta e o tratamento adequado do esgoto, que contribuem para a saúde da população, a preservação ambiental e a qualidade das águas.
O coordenador de operações da Ambiental Ceará, Walberto Wanderley, reforça que, para que todo esse ciclo aconteça, a população tem papel fundamental: “Esgoto não é lixeira, e o cuidado precisa começar já dentro das nossas casas. É necessário que todos usem corretamente a rede, não descartando resíduos no vaso sanitário e óleo de cozinha pelo ralo da pia, por exemplo.”

Portas abertas
Essa estrutura pode ser conhecida de perto pela população por meio do Programa Afluentes. A iniciativa da Ambiental Ceará promove visitas guiadas às estações de tratamento de esgoto (ETEs) com o objetivo de dar visibilidade ao funcionamento do serviço e sensibilizar a população sobre a importância do acesso, da coleta e do tratamento de esgoto.
O programa recebe estudantes, instituições sociais, empresas e universidades em estruturas como a EPC. Para agendar uma visita, basta entrar em contato com a área de Responsabilidade Social da Ambiental Ceará pelo WhatsApp (85) 9.8724-4526.


