Água tratada: a escolha mais segura para uma vida saudável

Água tratada: a escolha mais segura para uma vida saudável
Texto: Ana Lúcia Gonçalves

À primeira vista, ela pode até parecer limpa. Mas a aparência nem sempre mostra o que realmente está na água. Em muitos casos, a contaminação só aparece quando a análise é feita com os critérios certos, e é aí que mora o perigo. Para orientar sobre os riscos presentes na água não tratada, a Águas de Valadares (MG) lançou uma campanha com foco nos poços.

O objetivo da campanha é mostrar que, quando o assunto é água para consumo, o cuidado não pode depender só do que os olhos veem. A base da campanha são estudos no Brasil que mostram que quase todo material analisado apresentava sinais de contaminação.

Aparência não garante segurança

A iniciativa alerta ainda que o que está no solo pode alcançar a água de poço. Fezes, fossas e esgoto podem infiltrar no solo e comprometer a qualidade dessa água, mesmo quando ela parece limpa. “Por isso, quando o assunto é água de poço, aparência não é garantia de segurança. Água segura exige cuidado, controle e informação”, enfatiza o gerente de Operações, Augusto Batista.

O especialista lembra que o uso de poços sem o devido controle técnico e sanitário representa graves riscos à saúde pública e ao meio ambiente. “Afinal, mesmo quando parece limpa, a água de poço pode ter contaminação que não aparece na cor, no cheiro ou no gosto. Desta forma, a falta de tratamento adequado transforma essa água em um potencial vetor de contaminação”, destaca.

Poços exigem regularização e controle

A regularização é a única forma de garantir a segurança jurídica e monitorar a qualidade do recurso. Em Valadares, a concessionária da Aegea fiscaliza constantemente a utilização da água dos poços para fins de consumo humano, comunicando irregularidades aos órgãos competentes.

A legislação brasileira determina que a captação de água por poços artesianos para consumo humano só é permitida em locais onde não exista rede pública de abastecimento disponível.

A abertura e operação de poços sem a devida outorga do órgão ambiental estadual configura infração. As sanções para fontes clandestinas incluem a interdição do poço, lacração e a aplicação de multas pesadas.

Contaminação pode trazer riscos à saúde

A captação direta de água subterrânea sem controle de qualidade expõe o consumidor a ameaças biológicas e químicas:

  • Contaminação biológica: a proximidade com fossas sépticas e dejetos animais infiltra bactérias, vírus e parasitas no solo. Isso causa doenças como cólera, hepatite A, febre tifoide, giardíase e disenteria.
  • Metais pesados e substâncias químicas: a água subterrânea pode carregar altas concentrações de ferro, manganês, chumbo e mercúrio gerados por atividades industriais ou pelo uso de fertilizantes. Esses poluentes atacam o sistema nervoso, rins e fígado.
  • Presença de nitratos: infiltrados pelo manejo inadequado do solo na agricultura, os nitratos prejudicam a oxigenação do sangue, afetando gravemente a saúde de crianças.

Uso irregular também traz impactos ao meio ambiente

Além dos danos diretos à saúde, a proliferação de poços clandestinos causa prejuízos estruturais e ecológicos:

  • Esgotamento de aquíferos: a extração desenfreada e sem estudos de vazão reduz severamente os níveis dos reservatórios subterrâneos.

Danos a encanamentos: águas subterrâneas com alta concentração de cálcio e magnésio, conhecidas como “água dura”, causam incrustações nas tubulações, gerando vazamentos e rompimentos de canos.