Uma televisão abandonada no meio da mata. Pneus, fraldas, marmitas e garrafas espalhadas pelo caminho. Foi assim que uma caminhada pelas trilhas do Complexo Ambiental Mirante do Caldas, em Barbalha, região no Cariri cearense, revelou o que ninguém gostaria de encontrar em uma floresta. Voluntários recolheram resíduos na Floresta Nacional do Araripe.
A iniciativa faz parte do movimento do Instituto Aegea realizado em diversas unidades da Companhia pelo Dia Mundial da Limpeza, celebrado em setembro.
O que a floresta revela
Durante o percurso foram retirados mais de 40 sacos de 250 litros de lixo da natureza. E chamou a atenção o alto volume de vidro, especialmente garrafas de bebidas alcoólicas. Além de poluir o ambiente, esse tipo de resíduo representa um risco de incêndios e acidentes na floresta.
Todo o material recolhido nas trilhas será triado pela Associação dos Catadores de Recicláveis de Barbalha (ACARB) e, posteriormente, terá destinação ambientalmente adequada.

Um risco invisível
No caso das garrafas de vidro, existe ainda um perigo que nem sempre é percebido por quem deixa o resíduo na natureza. Exposto ao sol intenso, o material pode provocar o chamado “efeito lupa”, concentrando os raios solares sobre a vegetação seca e favorecendo o início de focos de incêndio.
Para os participantes, o sentimento foi de choque, mas também de dever cumprido. “Infelizmente, encontramos de tudo aqui: pneu, capota de carro, um saco de fralda suja e até garrafa cheia com urina”, relatou Josefa Simão, uma das voluntárias.
Para ela, o cuidado com a natureza não precisa esperar uma data específica. “É uma coisa que tem que ser feita sempre. E não precisa ser uma ação, a ação quem faz somos nós, né? Sei que eu tô fazendo o bem, eu vou sair daqui revigorada”.

O que fica depois
“O resultado impressiona pela quantidade, mas o nosso maior ganho é na educação ambiental. Quando as pessoas veem o impacto real do lixo na floresta, a mentalidade muda. Esse é o grande legado prático deste mutirão”, destaca Ingrid Botelho, gerente da Regenera Cariri. Para ela, o balanço vai muito além da quantidade de resíduos retirados das trilhas.
Integrando a força-tarefa, o conselheiro da Flona e guia de visitantes, Romilson Seabra, ressaltou a importância de vivenciar a floresta com respeito.
“Este trabalho de voluntariado é fantástico porque faz com que as pessoas possam sentir verdadeiramente que o ambiente também é seu. O lixo é para estar no seu lugar, não na floresta. Como é que vamos andar nas trilhas com lixo? É mobilizando o voluntariado e a educação ambiental que vamos conseguir preservar a Floresta Nacional do Araripe”.Além do Instituto Aegea, a iniciativa, que ligou a região ao movimento global pela limpeza, foi promovida pela Regenera Cariri, com o apoio do Complexo Ambiental Mirante do Caldas, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA) da Polícia Militar do Ceará.


