Gênero e raça: o compromisso com a equidade e a geração de renda

Gênero e raça: o compromisso com a equidade e a geração de renda
Texto: Enzo Mandetta

No cenário do mercado de trabalho brasileiro, as barreiras para o crescimento profissional não são distribuídas de forma igualitária. Quando analisamos os dados por meio da lente da interseccionalidade de gênero e raça, observamos que os obstáculos atingem com maior intensidade as mulheres negras.

Para o Instituto Aegea, por meio do Programa Respeito Dá o Tom, enxergar essa realidade possibilita fomentar ações para dentro e para fora do grupo, de modo a contribuir com a promoção da equidade e espelhar a demografia da população brasileira no quadro de funcionários da Companhia.

O desafio da interseccionalidade em dados

A disparidade de ocupação e renda é um dos indicadores mais nítidos das desigualdades históricas no Brasil. Segundo os dados mais recentes do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/Novo Caged), mulheres negras recebem, em média, menos da metade do salário de homens brancos e ocupam apenas uma fração mínima dos cargos de alta gestão no país.

De acordo com o Instituto Trata Brasil, essa exclusão se reflete também no acesso à infraestrutura: a ausência de saneamento básico atinge com maior intensidade domicílios chefiados por mulheres negras em territórios periféricos, configurando um ciclo de vulnerabilidade que impacta diretamente a saúde e a empregabilidade.

No entanto, o papel do saneamento vai além das tubulações. Ele atua como um determinante social de saúde essencial para o desenvolvimento humano integral, cumprindo a missão da Companhia de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos atendidos.

Metas estruturadas na liderança

Para a Aegea, a equidade não é apenas uma intenção, mas um compromisso corporativo com metas públicas e mensuráveis vinculadas a títulos sustentáveis (Sustainability-Linked Bonds, SLB).

Como parte de nossa busca por evolução contínua, a Companhia estabeleceu objetivos claros para consolidar um ambiente ético e representativo até 2030:

  • Liderança Feminina: Elevar para 45% a participação de mulheres em cargos de decisão.
  • Equidade Racial: Ampliar para 27% a presença de talentos negros em posições de liderança.

Projetos sociais: resultados práticos em campo

Paralelamente às metas internas de governança do Grupo Aegea, o investimento na ponta, viabilizado por meio do Instituto Aegea, busca nivelar o ponto de partida e criar oportunidades reais de inclusão e autonomia financeira das mulheres. Por meio de projetos sociais focados em formação, empregabilidade e empreendedorismo feminino, as ações já mostram impactos concretos e em franca expansão no país:

Cozinha de Talentos

Dedicado a oficinas gratuitas de gastronomia, o projeto Cozinha de Talentos capacitou mulheres em municípios como Sorriso (MT) e Jaru (RO). A iniciativa apresenta um crescimento contínuo na inclusão produtiva ao longo de suas edições. Desde 2024, a maioria das mulheres (mais de 50%) que participaram do programa eram negras (pretas e pardas). 

A Arte de Bordar

Focado em mulheres em situação de desemprego, o projeto A Arte de Bordar oferece aulas gratuitas de bordado em pedrarias com fornecimento de materiais e bolsa-auxílio. Realizada em Serra (ES), Cariacica (ES), Jaru (RO), Capão da Canoa (RS) e Tramandaí (RS), a iniciativa já envolveu cerca de 600 mulheres (296 alunas em 2025 e 297 em 2026). Neste ano, o projeto também mapeou a raça/cor das participantes e 146 delas se autodeclararam negras (pretas e pardas).  Essas iniciativas, desenvolvidas por parceiros a partir de investimento via Lei de Incentivo à Cultura, refletem o interesse da organização em promover a equidade e dialogam diretamente com os valores do Programa Respeito Dá o Tom