Lagoa de Araruama (RJ) tem fartura de peixes após recuperação

Pescadores de Iguaba Grande celebram fartura
Texto: Janaína Novellino

O pescador é aquele que conhece a natureza como ninguém. Entende das marés e só de olhar a Lua sabe avaliar se o dia seguinte será propício para a pesca. Garante o alimento da família e o sustento da casa com as madrugadas de vigília na lagoa ou no mar. 

No ofício que é passado de geração em geração, eles trazem consigo histórias de luta e amor pela profissão. E na data em que é celebrado o Dia do Pescador (29 de junho), quem vive da pesca na Lagoa Araruama (RJ) tem muito a comemorar. Em 2021, os pescadores celebram os recordes de pescado com a melhor safra de carapeba e perumbeba desde 2009.

O pescado abastece cidades do Estado do Rio de Janeiro e das regiões Norte e Nordeste. Apesar do excelente desempenho, a quantidade de peixes capturados pode ser ainda maior. Isso porque atualmente não há um órgão que mapeie e elabore uma estatística pesqueira. 

Safra recorde

“As espécies mais comuns na laguna são o camarão, a tainha, o carapicu e a saúba, mas carapeba e a perumbeba haviam desaparecido da região. Ficamos anos sem pescar essas espécies em grande quantidade e 2021 tem nos surpreendido. Nos meses de fevereiro, março, abril e maio, pescamos mais de 100 toneladas de peixes por mês. Acredito que um dos fatores que contribuíram para o reaparecimento das espécies foi a qualidade da água da Lagoa Araruama”, disse Cícero Vanderley Neto, presidente da Colônia Z-29, de Iguaba Grande (RJ).

Fartura é resultado dos investimentos em saneamento

Em 1999 a Lagoa de Araruama sofre o que pode ser considerado um colapso. A água da laguna se tornou turva e a vida praticamente insustentável. A recuperação do ecossistema tem sido uma ação prioritária para a população, governos e instituições como o Consórcio Intermunicipal Lagos São João – que une 11 prefeituras para a gestão ambiental das Bacias Hidrográficas da Região dos Lagos, Rio São João e Zona Costeira.

A Prolagos (RJ), concessionária de água e esgoto de cinco municípios da Região dos Lagos, vem contribuindo efetivamente para a recuperação da maior laguna hipersalina do mundo. Após a chegada da concessionária, o tratamento do esgoto passou de 0% para 80% nas cidades de Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Armação dos Búzios. 

A operadora responsável pelo saneamento básico vem ampliando a implantação de cinturões no entorno da lagoa para interceptar o esgoto e evitar que ele chegue in natura ao ecossistema. Ao longo de 23 anos de atuação, já foi investido mais de R$ 1,4 bilhão em saneamento. Segundo o Instituto Trata Brasil, o total representa mais que o dobro da média nacional dos investimentos realizados por habitante.

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