A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial, que exige atenção contínua e cuidado integral. Mais do que uma questão estética, ela impacta diretamente a saúde e está associada a condições como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.
“O nosso objetivo é levar informação de qualidade para que as pessoas possam cuidar melhor da sua saúde no dia a dia”, destacou Vanessa Iozsa, enfermeira de Gestão da Saúde da Aegea, na abertura da live. A convidada foi a nutricionista Beatriz Botechio, especialista em promoção de saúde e transtornos alimentares, com mais de 20 anos de experiência em alimentação consciente e cuidado integral.
Obesidade vai além da alimentação
Em uma conversa muito esclarecedora, elas mostraram que a obesidade não pode ser reduzida à falta de disciplina ou de força de vontade.
“A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a obesidade como uma doença crônica, complexa e progressiva, muitas vezes cíclica. É crucial focar na saúde, no bem-estar, na qualidade de vida e na longevidade, e não na estética ou na busca por um ‘corpo perfeito’ imposta pelas redes sociais”, disse Vanessa.
“A redução do estigma da obesidade é fundamental para que as pessoas busquem ajuda. É um mito pensar que a obesidade é falta de foco. Estamos falando de uma doença caracterizada pelo excesso de adiposidade que compromete a saúde”, explicou Beatriz.
A condição para desenvolver a obesidade envolve diversos fatores, como genética, ambiente, rotina, alimentação, sedentarismo, sono inadequado, estresse e questões emocionais. “É uma doença multifatorial. O estilo de vida impacta diretamente o seu desenvolvimento”, reforçou Vanessa.
Estigma pode afastar o cuidado
Um dos principais desafios é o estigma associado ao excesso de peso, que muitas vezes começa ainda na infância e pode afastar as pessoas do tratamento. “Quando a gente coloca a obesidade como falta de esforço, isso gera culpa e sensação de fracasso. E essa estigmatização afasta o cuidado”, alertou Beatriz.
Para a especialista, é fundamental mudar o olhar: o foco deve estar na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida — não em padrões estéticos.
Como a obesidade se desenvolve
A obesidade também tem relação com o comportamento alimentar e com mecanismos do próprio organismo. “A obesidade nos faz comer mais. Existe um desequilíbrio hormonal e comportamental que aumenta a fome e o desejo por alimentos”, explicou a nutricionista.
Além da fome física, existem outros tipos de consumo alimentar que influenciam diretamente o ganho de peso, como o comer emocional, o social e o por recompensa.
Tratamento é individualizado
Não existe uma única solução para tratar a obesidade. O cuidado depende de cada pessoa, do índice de massa corporal (IMC) e da presença de outras doenças associadas.
“O tratamento precisa ser avaliado de forma individual. Pode envolver mudança de estilo de vida, acompanhamento médico, medicação e, em alguns casos, cirurgia”, explicou Beatriz. Ela reforça que o acompanhamento profissional é essencial em todas as etapas.
Canetas emagrecedoras: o que é verdade?
O uso de medicamentos para emagrecimento, conhecidos como canetas, ganhou popularidade, mas exige atenção. “Não são soluções milagrosas. São ferramentas importantes, mas precisam de acompanhamento médico e de uma equipe multidisciplinar”, destacou a nutricionista.
Esses medicamentos atuam na saciedade e no metabolismo, mas podem causar efeitos colaterais e não substituem mudanças de hábito. “O uso sem acompanhamento pode até agravar a obesidade no futuro”, alertou. Veja mais sobre o assunto no final da reportagem.
Mudança de hábitos é fundamental
A base do tratamento continua sendo a mudança de comportamento ao longo do tempo. “Comer melhor, se movimentar mais e cuidar da saúde mental são pilares desse processo”, resumiu a convidada.
A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física por semana — o que pode ser adaptado à rotina. “Todo movimento importa. Pequenas mudanças no dia a dia já fazem diferença”, reforçou Vanessa.
Cuidado contínuo e possível
Por ser uma doença crônica, a obesidade exige acompanhamento contínuo e mudanças sustentáveis. “A jornada não é linear. O importante é não desistir e transformar cada recaída em aprendizado”, disse Beatriz. Nesse contexto, buscar informação de qualidade e apoio profissional é o primeiro passo para promover saúde e melhorar a qualidade de vida.
“Não existe uma solução única; o tratamento é individualizado e depende do índice de massa corpórea, que é uma ferramenta prática que usa medidas como o peso e a altura da pessoa. É essencial a avaliação profissional, principalmente em função da existência ou não de comorbidades como diabetes, hipertensão, colesterol e doenças metabólicas”, afirma.
Mais sobre as “canetas emagrecedoras”
Mito: São um caminho fácil para emagrecer sem esforço.
Verdade: São medicamentos importantes (como liraglutida, semaglutida e tirzepatida – Mounjaro, Wegovy, Ozempic e Victoza) que estimulam hormônios intestinais, atuando no mecanismo da fome e no metabolismo da insulina.
Mecanismo de ação: Aumento da saciedade, redução da fome, menor desejo por alimentos calóricos, redução do consumo energético e retenção do alimento no estômago.
Requerem acompanhamento médico: A dosagem é crucial e o uso está associado a efeitos colaterais (náusea, vômito, diarreia, dor abdominal, entre outros).
Não são milagrosas: Exigem uma equipe multidisciplinar (médico, nutricionista, educador físico e terapeuta). Diretrizes nutricionais: Necessidade de alimentação suficiente e equilibrada, hidratação, preservação da massa magra (com fontes de proteína adequadas) e prevenção de deficiências nutricionais (risco similar ao de cirurgia bariátrica).


