Como o Florestas do Rio vai ajudar a proteger a água do futuro

Como o Florestas do Rio ajuda a proteger a água do futuro
Texto: Ray Santa Cruz

A água que chega às torneiras começa muito antes das estações de tratamento. Ela depende de rios, nascentes, florestas preservadas e de sistemas capazes de evitar desperdícios. É justamente essa combinação que define a chamada resiliência hídrica: a capacidade de garantir água em quantidade e qualidade para a população, mesmo diante de desafios como as mudanças climáticas, o crescimento das cidades e os períodos de estiagem. 

Na prática, isso significa proteger os mananciais, recuperar áreas degradadas e tornar toda a operação do saneamento mais eficiente, para que um recurso cada vez mais valioso continue disponível hoje e no futuro.

Restauração para fortalecer a segurança hídrica 

Foi com esse objetivo que o edital Florestas do Rio I lançou projetos que visam fortalecer a segurança hídrica do estado por meio da restauração ecológica de áreas que protegem nascentes e mananciais responsáveis pelo abastecimento de água de milhões de fluminenses. A iniciativa integra o programa Floresta Viva, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e conta com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), além do Instituto Aegea e da Águas do Rio.

O edital selecionou sete organizações para executar projetos em regiões estratégicas do estado, com foco nas bacias do Guandu e da Baía de Guanabara, além da Região dos Lagos. As iniciativas incluem o plantio de espécies nativas, a produção de mudas e sementes, o monitoramento ambiental e a capacitação de comunidades locais. A execução operacional será conduzida pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

Parceria para conservação ambiental 

O Instituto Aegea e a Águas do Rio integram o comitê gestor do projeto e acompanharão tecnicamente sua execução, incluindo as atividades em campo. A participação reforça a conexão entre a proteção das bacias hidrográficas e a operação dos sistemas de saneamento, que dependem diretamente da qualidade e da disponibilidade da água.

“Não existe segurança hídrica sem um olhar integrado para a conservação ambiental e o saneamento básico. São agendas complementares e fundamentais para a proteção dos mananciais“, afirmou a diretora institucional da Aegea, Tatiana Carius.

“Participar do Florestas do Rio reforça esse compromisso. Ao mesmo tempo em que apoiamos a restauração das bacias, seguimos investindo em obras como a recém-inaugurada Estação de Tratamento de Esgoto em Queimados, que contribuirá para a proteção da bacia do Guandu”, completou. Tatiana também destacou avanços recentes da Águas do Rio ao longo dos quase cinco anos de atuação da concessionária, como as obras em andamento no Complexo da Maré, que evitarão o lançamento de 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês na Baía de Guanabara.

Projetos que conectam natureza e comunidades 

A presidente do Inea, Denise Rambaldi, ressaltou que o projeto amplia o alcance das ações de restauração já realizadas no estado.

“Hoje damos um passo importante para fortalecer a segurança hídrica do Rio de Janeiro. Já plantamos milhões de mudas e agora ampliamos esse trabalho com o apoio do BNDES, que traz escala à iniciativa e reúne novos parceiros, como a Aegea, em torno da restauração ambiental”, disse.

Para o superintendente da área de meio ambiente do BNDES, Marcos Cardoso Santiago, o Florestas do Rio reforça uma restauração ecológica estruturante e conectada aos territórios: “O edital tem a ambição de ser uma referência. A restauração precisa ser estruturante, conectada aos territórios, às pessoas e à geração de renda e oportunidade. Sem isso, a política pública não se sustenta”, afirmou.

Uma das instituições selecionadas para executar os projetos, a Baía Viva, atuará na restauração de 50 hectares em Maricá. O diretor da organização, Sérgio Ricardo, destacou o caráter social e territorial da iniciativa.

“A ecologia traz essa perspectiva de articulação, de cooperação e de solidariedade, que é tão necessária para que uma política pública como essa aconteça. Nós fomos selecionados para executar esse projeto em Maricá, em uma área de 50 hectares, num município com um dos maiores déficits hídricos da região metropolitana”, disse.