Corsan e Timon: do frio gaúcho ao calor maranhense, o legado da Aegea

Corsan e Timon: do frio gaúcho ao calor maranhense, o legado da Aegea
Texto: Ray Santa Cruz

Entre o inverno rigoroso do Rio Grande do Sul e as altas temperaturas do Maranhão, há paisagens completamente diferentes e desafios distintos para levar água tratada e esgotamento sanitário à população. Em comum, as duas cidades mostram como o saneamento acompanha as características de cada território. De um lado, Alto Alegre (RS), um município com pouco mais de 1,8 mil habitantes e localizado no Alto da Serra do Botucaraí. Do outro, Timon (MA), quarta maior cidade maranhense, com mais de 182 mil moradores e integrada diariamente à dinâmica da vizinha, Teresina (PI). Em seus 16 anos de história, a Aegea mostra um legado que alcança diferentes regiões do país, adaptando soluções sem perder de vista a mesma missão: movimentar vidas.

Pequena cidade, o mesmo compromisso

Fundada em uma região marcada pelas baixas temperaturas do inverno gaúcho, Alto Alegre recebeu esse nome em 1919 devido à sua altitude e ao perfil acolhedor de seus moradores. Hoje, o município de 1.837 habitantes é a menor cidade atendida pela Corsan, unidade da Aegea no Rio Grande do Sul.

O atendimento é realizado por meio dos canais digitais da Companhia, enquanto as equipes mantêm os serviços de tratamento, operação e manutenção do sistema de abastecimento de água. Entre as melhorias mais recentes está a substituição das bombas dos poços tubulares profundos 1 e 2, uma iniciativa que reforçou a segurança operacional e a regularidade do abastecimento para toda a população.

Para a aposentada Clarinda Corazza, de 72 anos, a água sempre foi sinônimo de tranquilidade. Moradora de Alto Alegre há 30 anos, ela conta que nunca enfrentou falta de abastecimento e lembra com carinho de um tempo em que os moradores bebiam água diretamente das nascentes da região.

Ao lado do marido, Ivan Vicente Rosa, de 60 anos, Clarinda diz que o primeiro ritual do dia é preparar o chimarrão. “A água daqui é muito boa, cristalina. Sem luz a gente até consegue viver, mas sem água é impossível”, afirma. Para ela, a água é essencial e faz parte de todos os momentos da rotina da família.

Água que aproxima duas cidades

No Nordeste, Timon possui uma realidade completamente diferente. Separada de Teresina apenas pelo rio Parnaíba, a cidade integra uma das mais intensas regiões metropolitanas interestaduais do país, onde milhares de pessoas cruzam diariamente a divisa entre Maranhão e Piauí para trabalhar, estudar e acessar serviços.

Foi nesse cenário de crescimento urbano que a universalização do abastecimento de água, alcançada em 2016, passou a representar um marco para a população. O acesso regular à água tratada ampliou a segurança hídrica da cidade e abriu caminho para uma nova etapa de investimentos voltada à expansão do esgoto.

Movimento que continua

Os avanços seguem em ritmo acelerado. A cobertura de esgotamento sanitário, que há pouco mais de uma década era de apenas 3%, alcançou 51% em 2026. Atualmente, cerca de 3,8 milhões de litros de esgoto são tratados diariamente por quatro Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e 15 Estações Elevatórias em Timon.

Somente em 2026, a concessionária iniciou um novo ciclo de investimentos superior a R$ 33 milhões, com a implantação de 47 quilômetros de novas redes coletoras. As obras fazem parte do planejamento para ampliar a cobertura de esgoto para 70% até 2028. Paralelamente, a construção do reservatório Alarico II, com capacidade para armazenar 2,4 milhões de litros de água, deve fortalecer ainda mais a segurança operacional do sistema.

As ações também chegam às comunidades em expansão. Pelo programa SaneaMais Timon, bairros como Alto Bonito passaram a receber abastecimento regular após a implantação de mais de 8 quilômetros de rede de água e um novo poço, beneficiando aproximadamente 300 famílias. O programa também contempla as regiões do Cícero Ferraz e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, reforçando o compromisso de ampliar o acesso aos serviços essenciais.

O mesmo legado em diferentes territórios

Do inverno da Serra do Botucaraí ao calor às margens do rio Parnaíba, a paisagem muda, o clima muda e os desafios também. O que permanece é a necessidade de um saneamento capaz de acompanhar a realidade de cada lugar. Em Alto Alegre e Timon, a distância é medida em quilômetros, mas o impacto de abrir a torneira e ter água tratada ou ampliar o acesso à coleta e ao tratamento de esgoto é o mesmo: mais saúde, mais qualidade de vida e novas possibilidades para quem vive em cada uma dessas cidades.