Universalizar o saneamento no Brasil significa enfrentar desafios que mudam de um estado para outro. Enquanto no Ceará a missão passa por levar infraestrutura de esgoto a 24 municípios com características distintas, no Espírito Santo o trabalho está concentrado na operação, na manutenção e na ampliação dos sistemas em três cidades capixabas. Os dois estados compartilham o modelo de Parceria Público-Privada (PPP), mostrando que a universalização não acontece repetindo fórmulas, mas adaptando soluções às necessidades de cada território.
Essa capacidade de compreender diferentes contextos e transformar desafios locais em soluções faz parte de um dos talentos presentes na mandala da Aegea: ser Mestre em Brasicidades. Em um país de dimensões continentais, cada operação exige um olhar específico sobre as características sociais, urbanas e territoriais de cada região.
Quando a transformação chega às pessoas
As diferenças entre os territórios desaparecem quando os benefícios do saneamento chegam à rotina das famílias. Independentemente do estado, a infraestrutura representa mais saúde, conforto, dignidade e qualidade de vida. Por meio da Ambiental Ceará, moradores que acompanharam essa transformação resumem o impacto das mudanças.
“Eu nem queria mais receber visitas dos parentes do interior, pois, quando alguém pedia para usar o banheiro, eu já pensava logo que iria encher a fossa e me dar muito trabalho. Agora, estou livre e a vida ficou melhor, mais digna”, diz Maria Elisete, moradora da Parangaba, em Fortaleza.
Gabriel Wesley, morador da Barra do Ceará, em Fortaleza, afirma que a saúde só tem a ganhar com o saneamento.
“Antes do saneamento, havia muitas doenças em decorrência dos esgotos a céu aberto que passavam na porta. Hoje, depois de a Ambiental Ceará passar e fazer toda essa transformação, só tem coisas boas e melhorias para a comunidade. Temos estação de tratamento, e melhorou a qualidade de vida em 100%.”

Nereide Alves, líder comunitária, alerta que os moradores devem fazer a ligação na rede de esgoto.
“Viver antes da chegada do saneamento era viver sobre os dejetos. Aqui mesmo, nesse entorno onde eu moro hoje, chamado Lagoa do Mel, recebia tudo que não era para receber. Com a vinda do saneamento básico, mudou completamente. A pele e a saúde melhoram e todo mundo fica bem. O que mais me preocupava com a falta desse recurso era ver o hospital infantil cheio, porque as crianças sempre estavam com coceiras, gripe e problemas respiratórios. A minha família hoje está muito saudável, as coisas têm melhorado muito e todo dia luto para que as pessoas ajudem e se conectem à rede, pois são menos crianças e adultos doentes”, destaca.
Desafios diferentes
Embora tenham a mesma estrutura de parceria entre o poder público e a iniciativa privada, as operações seguem caminhos distintos no Espírito Santo e no Ceará.
A Ambiental Ceará atua ao lado da Cagece para ampliar a infraestrutura de esgotamento sanitário em 24 municípios, incluindo cidades como Fortaleza, Juazeiro do Norte, Barbalha e Pacajus, alcançando uma população de 4,3 milhões de habitantes. Hoje, cerca de 961 mil economias estão conectadas à rede de esgoto operada pela concessionária. Vale destacar, ainda, a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em Santana do Cariri, cidade que caminha para ser uma das primeiras a alcançar a universalização.
No Espírito Santo, as concessionárias Ambiental Serra, Ambiental Vila Velha e Ambiental Cariacica atuam em parceria com a Cesan, realizando a operação, a manutenção e a ampliação do sistema de esgoto nos três municípios.

Ceará: expansão que transforma cidades
Desde o início da operação, em maio de 2023, a Ambiental Ceará vem acelerando a expansão da rede de esgoto. Até dezembro de 2025, foram implantados mais de 864 quilômetros de novas redes, beneficiando mais de 578 mil pessoas. Somente em 2025, cerca de 500 quilômetros foram construídos, com destaque para Juazeiro do Norte, que recebeu aproximadamente 150 quilômetros de novas redes, atendendo seis bairros e mais de 40 mil moradores.
Entre 2023 e 2025, a unidade investiu mais de R$ 2,5 bilhões na universalização do esgoto. Os recursos permitiram construir três novas Estações de Tratamento de Esgoto, executar 860 quilômetros de novas redes coletoras e 84 estações elevatórias de esgoto, realizar mais de 152 mil novas ligações à rede e promover mais de 420 mil visitas de sensibilização para incentivar a conexão dos imóveis ao sistema disponível.

Mesmo com o avanço das obras, um dos desafios atuais é ampliar a adesão da população. Atualmente, mais de 324 mil imóveis possuem infraestrutura disponível, mas ainda não estão conectados à rede de esgoto. O contrato prevê a universalização de 90% em todos os 24 municípios até 2033, e que, até 2040, a cobertura atinja 95%.
Espírito Santo: eficiência que acompanha o crescimento
No Espírito Santo, o modelo de PPP está voltado para a operação, manutenção e ampliação dos sistemas de esgotamento sanitário em Serra, Vila Velha e Cariacica.
A Ambiental Serra opera oito Estações de Tratamento de Esgoto, sendo a maior delas a ETE Manguinhos, com capacidade para tratar 9 milhões de litros por dia.
Em Vila Velha, a concessionária administra três ETEs, com destaque para a ETE Ulisses Guimarães, que trata 2 milhões de litros por dia.
Já em Cariacica, também são três estações de tratamento, entre elas a ETE Bandeirantes, a maior do município, com capacidade para 13 milhões de litros por dia.
Essas estruturas são responsáveis por tratar o esgoto antes do retorno ao meio ambiente, contribuindo para a preservação dos recursos hídricos, da saúde pública e para o desenvolvimento sustentável das cidades atendidas.
Um modelo que respeita as Brasicidades
Embora operem em contextos completamente diferentes, as PPPs da Aegea compartilham o mesmo objetivo: ampliar o acesso ao saneamento por meio de soluções adaptadas à realidade de cada território.
Ao longo dos seus 16 anos de atuação, a Aegea consolidou operações em diferentes regiões do país, mostrando que universalizar o saneamento exige mais do que investimentos em infraestrutura. Exige compreender as particularidades de cada lugar, respeitar suas diferentes realidades e desenvolver soluções compatíveis com cada território, um talento que se traduz em ser Mestre em Brasicidades.


