De Olho no Óleo da Águas Guariroba é recordista e gera oportunidades

De Olho no Óleo da Águas Guariroba é recordista e gera oportunidades
Texto: Luana Ribeiro

O óleo usado ganha um recomeço em Campo Grande (MS). Em um estacionamento de um atacadista da cidade, uma máquina chamada Oleoponto oferece uma alternativa simples para quem não sabe o que fazer com aquele óleo que sobrou depois da fritura.

O morador deposita o óleo de cozinha usado e, a cada quatro litros entregues, recebe um cupom que pode ser trocado por um litro de óleo novo de marcas parceiras. A iniciativa, apoiada pela Águas Guariroba, unidade da Aegea, em parceria com outras empresas e instituições, é um exemplo de como uma escolha cotidiana pode dar um novo destino a um resíduo.

Foi assim que Fernando de Souza conheceu a máquina. “Achei a iniciativa excelente. Muitas vezes o óleo ficava parado em casa por falta de um local adequado para descartar. Agora ficou muito mais fácil dar a destinação correta. Além disso, sabemos que jogar esse material na natureza contamina bastante, então é uma ação muito importante para o meio ambiente.”

Um hábito mais fácil

A proposta do Oleoponto é aproximar a destinação correta da rotina das pessoas. Já foram registrados mais de 230 descartes. Em 150 dias, o equipamento recebeu 894 litros de óleo de cozinha usado. O material é destinado à produção de biodiesel e, nesse período, o projeto evitou a emissão de mais de 1.596 quilos de CO₂, de acordo com os dados da iniciativa.

Reciclagem e recomeço

O Oleoponto faz parte de uma história que começou antes. Desde 2011, o programa De Olho no Óleo já arrecadou 64.736 litros de óleo em Campo Grande.

Hoje, a população conta com diferentes caminhos para fazer o descarte correto: há pontos de coleta em unidades de supermercados e ecopontos. O óleo é recolhido pela Katu Oil e encaminhado para indústrias que fabricam rações animais em Campo Grande.

Já o material coletado nos ecopontos passa pelas Unidades de Triagem de Resíduos (UTRs). Depois de separado, é vendido para uma empresa especializada em reciclagem. O recurso obtido é dividido entre os trabalhadores que atuam nesses espaços, transformando o resíduo também em uma fonte de renda.

Óleo que vira sabão

Outro caminho surgiu com o projeto Bolha de Sabão, que ensina moradores a transformar óleo de cozinha usado em sabão em pó, líquido, sabonetes e outros produtos de limpeza. 

Desde 2021, foram realizadas 138 oficinas, beneficiando cerca de 2 mil pessoas. Os participantes recebem um certificado, além de um kit com touca, avental e produtos produzidos durante a atividade.

De máquina em estacionamento a oficinas dentro das comunidades, o óleo usado encontra diferentes possibilidades depois que deixa a cozinha.