Quando se fala em meio ambiente, é comum pensar em florestas, animais e emissões de carbono. Mas existe uma fronteira menos visível e igualmente urgente, onde a proteção ambiental começa muito antes das árvores: ela começa dentro de casa, na torneira, no banheiro, na rua, onde uma criança brinca. É nessa rotina que as desigualdades ficam ainda mais evidentes: nem todos contam com as mesmas condições de acesso a esgotamento sanitário, à água de qualidade e a espaços saudáveis para convivência.
Dia Mundial do Meio Ambiente e racismo ambiental
Em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, é urgente lançar luz sobre o conceito de racismo ambiental e entender como a infraestrutura básica é, fundamentalmente, o maior vetor de justiça social do país.
O racismo ambiental se manifesta quando a escassez de recursos naturais e a exposição aos danos ecológicos atingem de forma desproporcional grupos historicamente vulnerabilizados. No Brasil, os mapas da ausência de saneamento básico coincidem com territórios periféricos, majoritariamente habitados por pessoas negras e lares chefiados por mulheres.
Mudar essa realidade dialoga diretamente com o propósito do Respeito Dá o Tom, programa de diversidade e equidade racial e de gênero da Aegea, presente em todas as unidades da empresa.
Atuando de forma educativa, preventiva e orientada à gestão, a iniciativa busca espelhar a demografia da população brasileira no quadro de funcionários da Companhia por meio de três pilares estruturantes: a empregabilidade, abrindo portas de acesso para mulheres e pessoas negras; o desenvolvimento, promovendo formação e mentoria para o crescimento profissional dessas pessoas; e o relacionamento, disseminando ações de sensibilização e letramento racial e de gênero.
O desafio: ampliar o acesso
O saneamento básico é, na prática, uma das maiores forças de transformação ambiental que um país pode ter. E o Brasil ainda tem muito a avançar nesse caminho, conforme indicam os dados do “Ranking do saneamento 2026”, elaborado pelo Instituto Trata Brasil. Segundo o levantamento, mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável de forma regular, e cerca de 90 milhões de pessoas, 43,3% da população, vivem sem coleta de esgoto. Isso significa rios contaminados, biodiversidade ameaçada e comunidades inteiras convivendo com um problema que poderia ser resolvido com infraestrutura.
O esgoto sem tratamento não some. Ele vai para os rios, lagos e mares, se infiltra no solo e atinge mananciais subterrâneos, desfazendo ecossistemas, comprometendo fontes de água e, claro, adoecendo pessoas. Segundo dados do Sinisa (ano-base 2024), a região Norte do país concentra os piores índices: apenas 16,6% de atendimento de esgoto e, desse total, só 22,5% é devidamente tratado.

A Maré como símbolo: justiça ambiental no coração do Rio
Na Comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, a Aegea, por meio da Águas do Rio, deu início a um dos trabalhos mais emblemáticos da Companhia: levar saneamento a uma das regiões mais complexas da cidade. Um movimento que vai muito além da infraestrutura: é sobre dignidade, justiça ambiental e o direito de toda pessoa viver em um ambiente saudável. O projeto é recente, mas já movimenta uma transformação real: o que começa a mudar na vida de quem passa a ter água tratada e esgoto coletado não é só o ambiente. É a vida inteira.
Esse case é hoje um dos maiores símbolos institucionais da Companhia, porque une as três dimensões que guiam o olhar da Aegea sobre o meio ambiente: cidades mais sustentáveis, histórias mais dignas e futuros mais azuis.
De Manaus ao Pará: o que já foi feito e o que está por vir
Manaus escreveu um capítulo histórico com o projeto Beco Nonato. Pela primeira vez, uma área de palafitas recebeu um sistema completo de esgotamento sanitário, beneficiando mais de 900 moradores, além de infraestrutura adaptada para abastecimento de água tratada. A iniciativa foi reconhecida pelo Pacto Global da ONU como case de sucesso em água e saneamento, e acabou sendo replicada em outras áreas vulneráveis da cidade, como Rip Rap Duque de Caxias, Beco J. Carlos Antony, Beco União, Rip Rap Parintins e Beco Tarumã. Ao todo, são mais de 200 km de redes de água implantadas em becos e palafitas.

De lá para cá, mais de 650 mil pessoas em situação de vulnerabilidade em Manaus foram beneficiadas por iniciativas de inclusão sanitária, como a Tarifa Social, a Tarifa Manauara e a Tarifa 10. Nesse mesmo período, a Aegea investiu mais de R$ 2 bilhões na universalização de água e esgoto na cidade como um todo, consolidando Manaus como referência em investimento em saneamento básico no Norte do país.
Agora, esse mesmo modelo chega ao Pará. A Vila da Barca, em Belém, uma das maiores comunidades sobre palafitas da América Latina, é área prioritária de intervenção pela Águas do Pará. No primeiro ano, 1,4 mil casas e cerca de 5 mil pessoas já receberam água tratada. A rede de esgoto segue em implantação. É o maior investimento da história da Amazônia Legal: R$ 18,7 bilhões, com impacto previsto para 5,5 milhões de pessoas em 126 municípios.
Saneamento e clima: a conexão que não pode ser ignorada
O Dia Mundial do Meio Ambiente solicita uma reflexão sobre como o setor de saneamento precisa ser parte ativa das soluções climáticas, e a relação é direta: sem esgoto tratado, corpos d’água são comprometidos; sem água limpa, o ciclo hidrológico é afetado; sem ciclo hidrológico saudável, as crises climáticas se intensificam. Esse ciclo aprofunda vulnerabilidades históricas, alcançando de forma desigual alguns grupos – como pessoas negras e indígenas –, tornando o racismo ambiental flagrante.
É nesse encontro entre justiça ambiental e equidade que o Respeito Dá o Tom atua, todos os dias, em cada território onde a Aegea está presente.


