Novas redes e soluções ampliam acesso à água tratada no Rio de Janeiro

Novas redes e soluções ampliam acesso à água tratada no Rio de Janeiro
Texto: Claudia Freitas, Flávia Guerini Queiroz e Isadora Cabral

Subir escadas carregando baldes, buscar água em outro município ou sair de casa preocupado com a possibilidade de encontrar a torneira seca na volta. Em diferentes pontos do Rio de Janeiro, essas situações fizeram parte da rotina de moradores durante anos. Mas essas histórias começam a mudar.

Para Amanda Gomes, de 53 anos, a chegada da rede de água tratada foi o melhor presente de aniversário que já teve. Moradora do bairro Viçosa, em Rio Bonito, ela dividia um poço com outras cinco casas. 

“Moro aqui desde 2010 e, quando dava algum problema, era uma dor de cabeça. Por isso, eu queria ter a minha água independente. Mas já estava desanimada, porque vi a obra do outro lado da pista e achei que não chegaria aqui. Até que, no dia seguinte ao meu aniversário, fui surpreendida com a obra colocando água na minha rua. Estou muito feliz. Foi o melhor presente!”, comemora.

A chegada da água à casa de Amanda faz parte das obras de ampliação e modernização do sistema de abastecimento da Águas do Rio. Até então, os moradores dependiam de poços construídos com recursos próprios e sem tratamento.

Bombas levam água às áreas mais altas de Belford Roxo

Em São Francisco de Assis, em Belford Roxo, subir escadas carregando baldes de água fez parte da rotina de moradores das áreas mais altas por décadas. Em muitas casas, as famílias precisavam controlar rigorosamente o consumo e contar com a ajuda de vizinhos nos períodos de desabastecimento.

Esse cenário mudou com a implantação de quatro novos sistemas de bombeamento da Águas do Rio, que beneficiam cerca de 30 mil pessoas na região. Instalados em pontos estratégicos do bairro, os equipamentos aumentam a pressão da água na rede e favorecem o abastecimento das casas. 

A solução ajuda a superar um dos principais desafios do território: as diferenças de altitude, que dificultavam a chegada da água aos locais mais elevados.

Para quem passou anos adaptando a vida às dificuldades, a mudança representa mais autonomia. A moradora Isabel de Araújo conta que já não precisa carregar baldes para realizar as tarefas do dia a dia.

“Antes era muito difícil quando faltava água. Agora ela chega com bastante pressão e eu consigo fazer minhas coisas dentro de casa sem precisar pedir ajuda a ninguém ou ficar racionando. Tenho dificuldade para subir as escadas carregando baldes e hoje simplesmente não preciso mais fazer isso. As obras que foram feitas no nosso bairro melhoraram muito a nossa vida”, relata Isabel.

Segundo Samuel Augusto, diretor-executivo da concessionária, o reforço no sistema amplia as alternativas para melhorar o abastecimento em regiões onde o relevo representa um desafio adicional para a distribuição.

“Quando uma moradora deixa de carregar baldes escada acima e passa a ter água chegando dentro de casa, é ali que o investimento mostra seu resultado”, destaca Samuel.

São Gonçalo: novas redes mudam uma espera de décadas

Em Sete Cruzes, comunidade de São Gonçalo, a obra de expansão da rede abre caminho para uma nova rotina para cerca de 1,6 mil moradores. Por 33 anos, Neusa Andrade precisou encontrar maneiras de fazer a água tratada chegar até sua casa. A aposentada carregava galões de cinco litros de outro município, onde trabalhava como cuidadora.

“Não tinha água na comunidade. Eu trazia um galão de cinco litros. Era essa água que eu usava para cozinhar, tomar banho e fazer as tarefas de casa. Também cheguei a lavar roupa no Anaia porque aqui não tinha uma gota. Hoje estou muito feliz. A chegada da água vai beneficiar não só a mim, mas toda a comunidade.”

A Águas do Rio prevê a implantação de mais de três quilômetros de novas redes de distribuição nas ruas Monte Betel e Sete Cruzes. Depois da conclusão dos trabalhos, serão realizadas as ligações dos imóveis ao sistema.

As equipes também estão cadastrando os moradores para que, quando a rede entrar em operação, as famílias possam receber água de forma regularizada. Segundo Diogo Freitas, diretor-executivo da Águas do Rio, o cadastro é uma etapa importante para a entrada em funcionamento do novo sistema.

Fim dos improvisos para ter acesso à água tratada

A comerciante Glaucia Tomazelli também sabe o que é precisar improvisar para não ficar sem água. Moradora da Sete Cruzes há dez anos, ela conta que os períodos de calor tornavam a situação ainda mais difícil.

“O que me salvava era a cisterna do meu comércio. Eu enchia o carro com garrafas de dois e cinco litros para abastecer minha casa. Houve época em que precisei buscar água na casa da minha prima, no Cebolo, perto do Arsenal. Agora não vou mais precisar passar por isso. Água é essencial para tudo. Tenho crianças e animais em casa, e não posso ficar sem água.”

Em Nova Iguaçu, fim de dificuldades históricas para os moradores

A expansão das redes também começa a transformar a rotina de moradores de Cabuçu, em Nova Iguaçu. A implantação de cerca de três quilômetros de novas redes de distribuição de água beneficia mais de 900 moradores de uma região que convive historicamente com dificuldades de abastecimento.

Dentro de casa, o resultado já aparece na rotina. Maria de Fátima conta que passou a ter abastecimento regular e não precisa mais organizar as tarefas pensando na possibilidade de faltar água.

“Hoje eu tenho água e posso dizer que está uma maravilha. Posso sair tranquila, sem ficar pensando nas louças, nas roupas, no quintal, porque sei que vai ter água. Consigo cuidar das minhas plantas, tomar banho com a água forte no chuveiro. Agora está uma maravilha mesmo, mudou muito.”

O avanço da infraestrutura é acompanhado pelo trabalho das equipes comerciais. Durante as visitas às residências, os profissionais cadastram as famílias e verificam quais moradores podem ser incluídos na Tarifa Social, aproximando quem passa a receber o serviço das condições disponíveis para mantê-lo dentro da realidade do orçamento doméstico.

Leia mais sobre a Tarifa Social nas matérias a seguir.