Quando uma obra de saneamento passa pela rua, é sinal de que a rede de esgoto está chegando mais perto das casas. Mas existe um passo importante para que esse benefício entre, de fato, pela porta de cada morador: fazer a ligação do imóvel à rede.
É essa conexão que permite que o esgoto produzido dentro de casa siga pelo sistema adequado, em vez de ser destinado de forma irregular. Aumentar a conexão à rede é um dos desafios do setor no país todo. No Nordeste, é feito um trabalho que apresenta resultados bastante positivos.
Enquanto as equipes da Ambiental Ceará trabalham para levar a infraestrutura às ruas de 24 cidades, também é preciso conversar com quem vive nelas e explicar, de forma simples, como fazer essa ligação e por que ela é tão importante.
Mais de 324 mil imóveis já têm infraestrutura disponível para conexão ao sistema de esgoto. Para aproximar essa realidade dos moradores, o Programa Afluentes promove rodas de conversa, visitas domiciliares, ações de educação ambiental e encaminhamento de demandas locais. Hoje, mais de 2.400 lideranças comunitárias participam da iniciativa.
Uma conversa que mudou a rotina
Em Fortaleza (CE), essa aproximação ganhou um rosto conhecido. A moradora, Cleidiane Silva já tinha uma questão em casa que precisava ser resolvida e encontrou orientação dentro da comunidade.
“Eu queria resolver a ligação da minha casa à rede de esgoto há uns dois anos. Foi a Laurinete quem me explicou tudo e me ajudou.”
Desde fevereiro deste ano, a casa de Cleidiane está interligada à rede. A mudança trouxe uma nova percepção sobre o cuidado com o esgoto produzido dentro de casa.
“O que a gente entende nessas conversas é que não tem como viver em uma casa sem o esgoto estar indo para o lugar certo. A ajuda da Laurinete foi muito importante para me ajudar a resolver e, hoje, graças a Deus está tudo certinho aqui em casa”, relata.

De vizinha para vizinha
Laurinete Sales, por sua vez, é participante do Programa Afluentes. Ela passou a levar para a comunidade conhecimentos adquiridos nas conversas sobre saneamento.
A atuação também ampliou a forma como a líder enxerga as necessidades do lugar onde vive e participa ativamente das discussões comunitárias.
“Eu sempre lutei muito pela nossa comunidade e com essas conversas a gente passou a olhar e a entender melhor sobre o quanto é bom para nossa saúde ter o saneamento. Vejo que todos aqui estão mais abertos ao diálogo”, enfatiza.
A história das duas mostra como o diálogo pode ajudar uma informação a circular dentro do bairro. Para Águeda Muniz, diretora de Relações Institucionais da Ambiental Ceará, esse é justamente um dos papéis dos Afluentes.
“Os Afluentes são esse importante elo de ligação entre as demandas das comunidades e as ações que a Ambiental Ceará vem realizando, desde levar informações das nossas obras até a sensibilização de onde já tem rede disponível para que seus vizinhos possam se conectar”, explica.

Quando é preciso facilitar o caminho
Mesmo com a rede disponível, alguns imóveis precisam de adequações internas para fazer a conexão. Para reduzir essa barreira, a Ambiental Ceará desenvolve o projeto Conexão Afluentes.
A iniciativa vai viabilizar gratuitamente as instalações intradomiciliares de imóveis de padrão básico, de integrantes do programa que estejam aptos a acessar a rede de esgoto.
A proposta é ampliar a adesão ao sistema e fazer com que a infraestrutura já instalada possa ser utilizada por mais famílias. Cada imóvel conectado significa menos esgoto lançado de forma inadequada, mais proteção aos recursos hídricos e melhores condições de saúde para a população. É quando a rede deixa de estar apenas na rua e passa a fazer parte, de verdade, da vida das pessoas.


