Cuidar da saúde também significa evitar que a doença aconteça. Muitas vezes, essa prevenção começa longe dos consultórios e hospitais: na água tratada que chega às casas, no esgoto que é coletado e tratado e em uma infraestrutura capaz de proteger a população.
No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, essa relação ganha ainda mais importância. Vários estudos comprovam como os avanços no saneamento produzem efeitos que vão muito além da infraestrutura e chegam diretamente à saúde das famílias. Um exemplo vem de Campo Grande (MS), com a Águas Guariroba.
Um desafio que ainda é global
A falta de acesso seguro à água, ao saneamento e à higiene continua sendo um problema de saúde pública em diferentes partes do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,4 milhão de mortes e 74 milhões de anos de vida saudável perdidos em um ano estão associados a condições inadequadas nesses serviços.
A água contaminada pode favorecer a transmissão de doenças como diarreias infecciosas, hepatite A, giardíase e leptospirose. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade reduzida estão entre os grupos mais vulneráveis.
“A água contaminada pode transmitir doenças como diarreias infecciosas, hepatite A, giardíase e leptospirose, que podem evoluir para quadros graves, principalmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade reduzida. Por isso, ampliar o acesso à água tratada e ao saneamento é uma das medidas mais eficazes para reduzir doenças, internações e promover qualidade de vida para toda a população”, explica a médica Mayara Azzolini Gonzalez.
Quando o saneamento avança
Um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, elaborado a partir de dados do DATASUS e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), analisou a relação entre a expansão da rede de esgoto e as internações por Doenças Diarreicas Agudas (DDAs).
Entre 2003 e 2022, a população atendida com rede de esgoto passou de aproximadamente 137 mil para mais de 774 mil pessoas. No mesmo período, as internações por essas doenças caíram de 1.111 para 101 casos.
Entre crianças menores de quatro anos, a diferença foi ainda mais expressiva: as internações passaram de 842 para 22.
Para uma das beneficiadas com a rede, Célia de Moraes, a mudança também pode ser percebida nas lembranças de quem acompanhou a chegada da rede de esgoto à região.
“Nasci em Campo Grande e lembro que, até a chegada da rede de esgoto no bairro, muita criança ficava doente e ninguém sabia o porquê. E as fossas trazem muita contaminação, a pessoa vendo ou não, mas vêm doenças. Com o esgoto, tudo isso muda.”
Saúde também é economia
Os benefícios do saneamento aparecem ainda na utilização dos recursos públicos.
Um levantamento do Instituto Trata Brasil, divulgado em junho deste ano, estimou que a expansão dos serviços de saneamento em Mato Grosso do Sul entre 2005 e 2024 proporcionou uma economia potencial de R$ 1,313 bilhão em custos com saúde — cerca de R$ 69,1 milhões por ano.
A lógica é simples: quando menos pessoas adoecem por causas relacionadas à falta de saneamento, também diminui a necessidade de atendimentos e internações. Recursos que seriam destinados ao tratamento de doenças podem, assim, ser utilizados em outras necessidades da saúde pública.
O básico que transforma
Hoje, mais de 94% da população de Campo Grande tem acesso à rede de esgoto e 99,8% recebe água tratada. A expansão continua com a meta de alcançar 98% de cobertura de esgotamento sanitário até 2028.
Somente em 2026, mais de 150 quilômetros de novas redes foram implantados em cerca de 14 bairros, beneficiando diretamente quase 40 mil pessoas.
“O saneamento é uma das políticas públicas com maior capacidade de transformar a saúde da população. Quando levamos água tratada e esgotamento sanitário para mais famílias, prevenimos doenças, reduzimos internações e promovemos mais qualidade de vida para toda a cidade”, destaca o diretor-presidente da Águas Guariroba, Gabriel Buim.
A relação entre saneamento e saúde aparece, portanto, em diferentes dimensões: na criança que deixa de ser internada, na família que passa a ter mais segurança dentro de casa e nos recursos públicos que podem ser destinados a outras necessidades. É por isso que, quando a água tratada chega e o esgoto deixa de ser uma preocupação, uma parte importante da prevenção também chega junto.


