Saneamento feito com Engenharia de Baixo Carbono: a pegada da Aegea

Saneamento feito com Engenharia de Baixo Carbono: a pegada da Aegea

Além de beneficiar o meio ambiente evitando que o esgoto sem tratamento seja lançado na natureza, o que provocaria poluição dos corpos hídricos e também a emissão de gases de efeito estufa, mesmo que de forma menos intensiva, por causa da presença dos compostos orgânicos, o setor de saneamento não está entre os maiores emissores (veja abaixo).

Mesmo assim, a Aegea tem feito a lição de casa rumo à descarbonização. Para acompanhar de perto todos os processos da empresa sob o ponto de vista dos gases de efeito estufa (GEE ou GHG, em inglês, greenhouse gases), foi criada a Engenharia de Baixo Carbono, uma área transversal a todas as outras, voltada para estudos de emissão dentro da companhia com aplicações práticas das análises. 

“Nos últimos três anos, a empresa está estudando a pegada de carbono do seu negócio, verificando onde ocorrem as emissões por meio da elaboração de um inventário de gases de efeito estufa, abordando todas as categorias que são responsáveis pela emissão direta da Aegea”, explica Laís Regis Salvino, especialista em Gestão de Carbono e Lodo da Aegea. 

Selo Ouro do Programa Brasileiro de GHG Protocol 

O inventário de gases de efeito estufa é elaborado anualmente pelas áreas de Engenharia e EHS/Meio Ambiente e todo esse processo conta com uma consultoria especializada para apoiar na validação técnica das metodologias utilizadas. 

Uma vez finalizado, a Engenharia de Baixo Carbono segue desenvolvendo estudos específicos para entender a melhor forma de fazer a descarbonização das estações de tratamento de esgoto, por exemplo, entendendo quais as ETEs emitem menos, o porquê e avaliando as oportunidades de aproveitar esses gases para outros fins.

“O segundo passo nesse sentido foi se associar ao Programa Brasileiro de GHG Protocol, o PBGHG Protocol. Anualmente, a empresa passa por uma auditoria e publica os dados no Registro Público de Emissões do PBGHG Protocol, onde todos podem ter acesso às informações, fortalecendo o compromisso de transparência da empresa”, diz a especialista. 

O processo realizado é auditado para verificação das informações, para checar se estão coerentes, se a metodologia de cálculo faz sentido com o setor de saneamento, se existe exclusão de fontes de emissão e, por atender a todos os parâmetros, a Aegea foi contemplada duas vezes com o Selo Ouro do Programa Brasileiro de GHG Protocol. 

Futuro rumo à descarbonização 

“Temos muito trabalho pela frente, mas para saber com qual rota seguir rumo à descarbonização, é preciso antes conhecer as emissões geradas nos nossos processos. Vamos aprimorar cada vez mais as nossas estações de tratamento, pensando na recuperação do biogás, nos fatores de emissão e na eficiência, se preparando para um cenário futuro”, afirma Laís.

“Para as próximas estações que vão chegar, em função da universalização, como devemos tratar o esgoto na perspectiva de redução dos gases de efeito estufa? Então, essa junção de aproveitar o que temos hoje para reduzir as nossas emissões e olhar para o futuro já pensando na descarbonização, nos deixa preparados para contribuir ainda mais com o meio ambiente”, diz.

Leia na matéria a seguir mais sobre ações de descarbonização da Aegea.

As maiores fontes de emissão de gases de efeito estufa

O tratamento de esgoto nas emissões nacionais, segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia de 2020, foi responsável por 1,6% dos gases GHG emitidos entre o total do país.  

No Brasil, as maiores emissões vêm do uso da terra e floresta, que inclui desmatamento, com 644 milhões de toneladas de GHG. Depois, vem a pecuária, com 391 milhões de toneladas.

Setor de transporte emite 187 milhões de toneladas de GHG, agricultura 185 milhões de toneladas, indústria de transformação 166 milhões de toneladas, indústria de energia 70 milhões de toneladas, resíduos sólidos 58 milhões de toneladas e esgotos domésticos 28 milhões de toneladas.

No final estão as emissões do setor residencial, com 28 milhões de toneladas de GHG, fugitivas de combustível com 20 milhões de toneladas, efluentes líquidos industriais (vazamentos involuntários de gases) emitem 6 milhões de toneladas e setores comercial e institucional, 2 milhões de toneladas.

Mundialmente, o setor de energia, que inclui transporte, eletricidade e geração de calor, construção civil e outras queimas de combustível, é o que mais emite GEE. Responde por 73% das emissões e são as fontes que mais crescem no mundo.

Países que mais produzem gases de efeito estufa

Por causa das grandes áreas de agricultura, o Brasil está entre os Top 10 na emissão de gases de efeito estufa, segundo análises do WRI Brasil. China, Estados Unidos, Índia e União Europeia são os campeões mundiais. 

Na emissão per capita, os que possuem os índices mais altos são EUA, com 17,6 toneladas de dióxido de carbono equivalente por pessoa, e Rússia, com 13,3 tCO2e/pessoa. 

Cada brasileiro emite 6,91 toneladas de dióxido de carbono equivalente. O Brasil está conseguindo reduzir as emissões per capita de GEE. A Rússia também tem reduzido, enquanto as do Japão sofreram poucas alterações. Nos três países, as taxas continuam mais altas do que a média global. 

Na União Europeia a redução foi de 29% desde 1990, nos Estados Unidos, de 19% no mesmo período. No entanto, ainda segundo dados do WRI Brasil, a tendência de redução das emissões totais e per capita é um fenômeno recente tanto na UE quanto nos EUA.

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