Trata Brasil: estudo mostra como saneamento multiplica investimentos

Trata Brasil: estudo mostra como saneamento multiplica investimentos
Texto: Daniela Venturato

A universalização do saneamento básico em Mato Grosso do Sul pode gerar ganhos líquidos superiores a R$ 25,9 bilhões entre 2025 e 2040, com impactos diretos na saúde pública, na produtividade do trabalho, na valorização imobiliária, no turismo e na preservação ambiental.

Os dados fazem parte do estudo “Benefícios econômicos da expansão do saneamento em Mato Grosso do Sul, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a Ex Ante Consultoria. A análise contempla indicadores relacionados à saúde, à produtividade do trabalho, à valorização imobiliária, ao turismo, à renda gerada por investimentos, aos custos sociais e aos benefícios permanentes associados à universalização dos serviços de água tratada, coleta e tratamento de esgoto.

O novo estudo foi apresentado na segunda-feira, 22 de junho, em Campo Grande (MS), durante um evento que reuniu a presidente-executiva do Trata Brasil, Luana Pretto, e representantes do governo do estado, de empresas de saneamento e da sociedade.

R$ 1 investido em saneamento pode gerar R$ 5,90 em ganhos sociais

De acordo com o levantamento, para cada R$ 1 investido em saneamento básico a partir de 2024, as 79 cidades sul-mato-grossenses podem obter R$ 5,9 em ganhos sociais. O retorno projetado para Mato Grosso do Sul é superior à média estimada para o Brasil, de R$ 4,1 por real aplicado.

Entre 2025 e 2040, os benefícios econômicos e sociais da universalização devem alcançar R$ 40,8 bilhões, enquanto os custos sociais estimados somam R$ 14,8 bilhões. O saldo positivo projetado é de R$ 25,9 bilhões, reforçando o saneamento básico como um dos investimentos de maior impacto para o desenvolvimento sustentável do estado.

Saúde, produtividade, turismo e valorização imobiliária

O estudo aponta que parte expressiva dos ganhos deve ocorrer já no período de avanço rumo à universalização. Entre 2025 e 2031, quando Mato Grosso do Sul deve alcançar a universalização dos serviços, os benefícios líquidos podem chegar a R$ 16,1 bilhões, o equivalente a aproximadamente 62% dos ganhos estimados até 2040.

Na saúde, a economia projetada com a melhoria das condições da população é de R$ 258,7 milhões entre 2025 e 2040. O maior impacto econômico previsto está relacionado ao aumento da produtividade, com potencial de gerar R$ 14,8 bilhões em renda do trabalho. O turismo também deve ser beneficiado, com ganhos estimados em R$ 2,3 bilhões, enquanto a valorização imobiliária pode gerar R$ 1,7 bilhão para proprietários de imóveis.

Quase R$ 20 bilhões em benefícios nas últimas décadas

“Os números mostram que Mato Grosso do Sul já colheu quase R$ 20 bilhões em ganhos com a evolução do saneamento nas últimas décadas. Com a universalização até 2031, o estado pode alcançar mais R$ 16 bilhões em benefícios, com impacto na saúde, na qualidade de vida, no desenvolvimento socioeconômico e na proteção do Pantanal. É um investimento que deixa legado para as próximas gerações”, destacou Luana Pretto.

“Agora conseguimos entender, em números, onde estamos e para onde vamos. A universalização do saneamento é resultado de uma parceria construída ao longo dos anos, com liderança política, compromisso institucional e amadurecimento contratual”, afirmou o governador Eduardo Riedel durante o evento.

Preservação ambiental e desenvolvimento regional

A universalização do saneamento tem papel estratégico para Mato Grosso do Sul, especialmente na proteção dos recursos hídricos e de áreas ambientalmente sensíveis, como o Pantanal. A ampliação da coleta e do tratamento de esgoto reduz o lançamento de efluentes sem tratamento adequado, protege rios e córregos e fortalece a agenda de desenvolvimento sustentável.

“O foco está no cumprimento das metas de cobertura, sempre com base em uma relação de parceria entre os envolvidos para garantir a universalização dos serviços”, afirmou Renato Marcílio, diretor-presidente da Sanesul, empresa que forma a Parceria Público-Privada com a Aegea e o governo do estado, a Ambiental MS Pantanal, responsável pela operação dos sistemas de esgoto em 68 municípios do interior.

Avanço contínuo do saneamento

Desde 2021, essa atuação já resultou na implantação de cerca de 2.232 quilômetros de redes de esgoto e no tratamento de 298 bilhões de litros de esgoto, com média de 210,2 milhões de litros tratados por dia. Em Mato Grosso do Sul, a Aegea atua também por meio da Águas Guariroba, em Campo Grande.

“O estudo mostra que saneamento não é apenas obra subterrânea: é saúde, renda, turismo, valorização das cidades e proteção do Pantanal. Os avanços já realizados representam mais qualidade de vida, proteção para rios e mananciais e mais condições para que Mato Grosso do Sul cresça de forma sustentável”, destacou Gabriel Buim, diretor-presidente da Águas Guariroba e da Ambiental MS Pantanal.

“A coleta, o tratamento e a devolução adequada do esgoto tratado aos rios representam também mais saúde para a população sul-mato-grossense. O contrato prevê a universalização até 2031, mas, com o ritmo acelerado das obras, nossa expectativa é alcançar 90% de cobertura até 2028, conforme estabelece o Marco Legal do Saneamento”, afirmou o diretor-presidente.

Mais sobre o estudo

Segundo o estudo “Benefícios econômicos da expansão do saneamento em Mato Grosso do Sul”, os ganhos líquidos da universalização devem se distribuir entre as três regiões intermediárias do estado: Campo Grande, Dourados e Corumbá, com participação de 46,3%, 39,5% e 14,2%, respectivamente. Os maiores ganhos per capita são projetados para Dourados e Corumbá, reforçando o impacto do saneamento em municípios estratégicos do interior, polos turísticos e territórios ambientalmente sensíveis. Acesse o estudo clicando aqui.