Por que reduzir perdas de água é investir no nosso futuro

Por que reduzir perdas de água é investir no nosso futuro
Texto: Ray Santa Cruz

Ao abrir a torneira, pouca gente imagina que, antes de chegar às casas, esse recurso percorre quilômetros de tubulações e enfrenta um desafio permanente: evitar que se perca pelo caminho. Quanto menor o desperdício, maior a capacidade de abastecer cidades, preservar recursos naturais e preparar os sistemas para um cenário de mudanças climáticas e crescimento da demanda.

Ao longo de seus 16 anos de atuação, a Aegea fez da redução de perdas uma estratégia para ampliar a eficiência operacional e fortalecer a segurança hídrica. O trabalho reúne conhecimento adquirido em diferentes regiões do país, tecnologia e planejamento para garantir que mais água chegue a quem precisa.

Um aprendizado que cresce com o Brasil

Da gestão de sistemas em municípios com menos de 10 mil habitantes até a de grandes centros urbanos, a empresa incorporou soluções adaptadas às características de cada região.

“Com o crescimento da Aegea, aprendemos de forma exponencial. Atuamos em projetos que vão de cidades pequenas a municípios com mais de 8 milhões de pessoas, como o Rio de Janeiro. Além dessa variação de escala, ainda temos uma variação cultural enorme. Ser Mestres em Brasicidades é um dos talentos da Aegea e, por meio dele, cada região tem contribuído muito para aprimorarmos os projetos de perdas e atender com eficiência à nossa prestação de serviço”, afirma Moisés Menezes Salvino, gerente-executivo de Engenharia da Aegea.

Segundo o executivo, esse conhecimento permitiu aperfeiçoar continuamente a forma de operar os sistemas de abastecimento nas diferentes regiões do Brasil, aumentando a capacidade de atendimento sem necessidade de produzir água na mesma proporção.

Tecnologia para encontrar desperdícios invisíveis e agir mais rápido

Em muitas concessões, o ponto de partida é uma infraestrutura que passou anos com poucos investimentos. Redes antigas, vazamentos, equipamentos inoperantes e abastecimento intermitente exigem uma atuação rápida para recuperar a eficiência do sistema.

É nesse cenário que a tecnologia passa a fazer parte da rotina das equipes. Sensores de pressão e vazão, imagens de satélite, inteligência artificial, hidrômetros com telemetria e modelos hidráulicos digitais permitem monitorar o comportamento das redes e identificar problemas com maior precisão.

“Nos primeiros meses de uma nova concessão, instalamos sensores de pressão e vazão e desenvolvemos modelos hidráulicos que simulam o comportamento real das redes — o chamado gêmeo digital. A partir daí, identificamos ações de baixo investimento e alto retorno, priorizando a segurança operacional, o atendimento ao cliente, a redução de perdas e a eficiência energética”, explica Salvino.

Com informações em tempo real, as equipes conseguem reduzir o tempo de resposta às ocorrências e tornar a operação mais eficiente.

Eficiência que garante abastecimento com regularidade

À medida que as mudanças climáticas intensificam períodos de estiagem e elevam as temperaturas, encontrar novas fontes de abastecimento se torna um desafio cada vez maior. Em muitos casos, é preciso buscar água em lugares mais distantes ou em captações mais profundas.

Nesse contexto, preservar a água que já foi produzida ganha importância estratégica. A eficiência operacional contribui para ampliar o abastecimento, utilizando melhor os recursos disponíveis.

“No Piauí, por exemplo, assumimos uma concessão em meio a uma crise hídrica. A eficiência operacional tem permitido ampliar o atendimento à população e reduzir custos associados ao uso de caminhões-pipa, uma prática historicamente comum no estado”, destaca.

Mais água tratada, menos desperdício

Além de ampliar o acesso à água, reduzir perdas significa diminuir o desperdício, o consumo de energia elétrica, o uso de produtos químicos empregados no tratamento da água e a emissão de carbono ao longo de todo o processo.

Na prática, reduzir perdas é aproveitar melhor toda a água já tratada. Quanto menos água se perde durante a distribuição, mais pessoas podem ser atendidas com a mesma estrutura.

O futuro começa com as decisões de hoje

Para a engenharia da Aegea, preparar os sistemas para as próximas décadas significa combinar inovação, compartilhamento de conhecimento e melhoria contínua. O Modelo Operacional Aegea (MOA) e a Academia Aegea contribuem para disseminar boas práticas entre as unidades de negócio e acelerar a adoção de novas soluções.

No fim, reduzir perdas representa muito mais do que eficiência operacional. Significa aproveitar melhor um recurso natural limitado e ampliar a capacidade de atendimento das cidades. “Reduzir perdas significa criar uma nova fonte de água. É uma forma de poupar esse recurso natural para o futuro e garantir que as próximas gerações também tenham acesso a ele”, finaliza Salvino.