Conhecer para preservar: exposição desperta novo olhar sobre a natureza

Conhecer para preservar: exposição desperta novo olhar sobre a natureza

De onde vem a água que chega à torneira? O que acontece depois que ela é usada? E qual é a relação entre esses processos, a preservação dos recursos hídricos e o meio ambiente?

Perguntas que fazem parte do cotidiano estão se transformando em descobertas para estudantes e professores de Campo Grande (MS). A exposição interativa Água de A a Z aposta na experiência para aproximar crianças e adultos de um recurso essencial à vida.

A proposta parte de uma ideia fundamental para a educação ambiental: é preciso conhecer para valorizar e preservar. Ao entender o ciclo da água, sua importância para as cidades e os impactos das ações humanas sobre esse recurso, os visitantes ampliam a percepção sobre a necessidade de preservar os recursos hídricos e o meio ambiente.

Aprender brincando

Ciência, cultura e sustentabilidade aparecem em uma linguagem acessível e lúdica. O percurso segue o alfabeto: começa na letra A, com uma fonte de água que recebe os visitantes, e termina na letra Z, a Zona de Ação.

Entre uma ponta e outra, a exposição aborda quatro grandes eixos: o valor da água, sua presença na cultura, sua abundância e os desafios da escassez. Elementos sensoriais, jogos e atividades ajudam a transformar conceitos em experiências.

Defensores das Águas

Uma das atividades é o jogo colaborativo Defensores das Águas. Inspirada em uma caça ao tesouro, a dinâmica desafia os participantes a resolver pistas a partir do que descobriram durante a visita. Assim, em vez de apenas receber informações, os estudantes precisam relacionar conhecimentos e colocá-los em prática.

“Essa mostra não é apenas para os alunos verem itens expostos, mas para participarem de jogos dinâmicos onde conseguem memorizar o que aprendem. Primeiro eles aprendem o significado de cada letra e conceito de ‘A a Z’ e depois participam do jogo. É extremamente prático e dinâmico”, explica Jhonatan Santos, supervisor de Responsabilidade Social da Águas Guariroba.

Para Clara Azevedo, da Tomara! Educação e Cultura, a diversão faz parte desse processo de aproximação. “A exposição é muito divertida, onde todo mundo aprende brincando. Ela foi pensada para todas as idades e quem vem aqui se diverte, joga, brinca e aprende muito sobre a importância deste recurso”, pontua.

O que existe por trás de uma torneira?

Em Campo Grande, abrir a torneira e encontrar água pronta para o consumo faz parte da rotina. Mas a facilidade de um gesto repetido todos os dias pode esconder uma cadeia de processos e profissionais necessária para que a água chegue com qualidade às casas — e para que, depois de utilizada, seja coletada e tratada.

Mostrar esse caminho é também uma maneira de despertar um novo olhar sobre aquilo que muitas vezes parece simplesmente estar disponível.

“Abrir a torneira e ver a água sair pronta para o consumo, como é a realidade de Campo Grande, é algo que acaba se tornando comum para nós, mas que envolve um ciclo que começa muito longe das nossas casas e envolve diversos profissionais e processos”, afirma Fabiana Simão, gerente de Comunicação da Águas Guariroba.

A experiência permite ainda ampliar a conversa: preservar os recursos hídricos não envolve somente pensar na água que consumimos, mas também no que acontece depois do uso.

“Por meio dos jogos lúdicos da exposição, isso é exemplificado, e mais do que entender de onde vem e como chega, aqui, podemos compreender a importância de tratar o que sai da nossa casa e assim preservar o meio ambiente. É um local onde envolvemos os mais novos para formar adultos cada vez mais responsáveis no futuro”, completa Fabiana.

Professores também descobrem novas possibilidades

O aprendizado não termina quando a visita acaba. Para os professores, a exposição também abre possibilidades de trabalhar a preservação dos recursos hídricos e do meio ambiente de forma conectada à realidade dos estudantes.

Os conteúdos dialogam diretamente com componentes curriculares como Ciências, Geografia, História, Arte e Língua Portuguesa. Dessa forma, aquilo que desperta curiosidade durante a visita pode continuar sendo explorado dentro da escola por diferentes perspectivas.

A coordenadora da Escola Municipal Professor Múcio Teixeira Júnior, Liv Vanessa Vicenstu, destaca justamente a relação entre o conhecimento adquirido e a experiência cotidiana das crianças.

“A água é vida e precisamos dela em todos os momentos, desde a hora em que acordamos até a hora de dormir. Ter a oportunidade de entender como tudo funciona fortalece a prática e a vivência das crianças no cotidiano”, avalia.

É nesse encontro entre descoberta, diversão e conhecimento que a educação ambiental pode ganhar significado. Quando estudantes compreendem de onde vem a água, como ela chega às casas e por que o esgoto precisa ser tratado, temas como preservação deixam de ser conceitos distantes e passam a se relacionar com ações presentes no dia a dia.

Exposição segue aberta até setembro

A Água de A a Z permanece aberta gratuitamente ao público até 18 de setembro, de terça-feira a sábado, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, em Campo Grande.

Escolas de todas as redes de ensino podem agendar visitas guiadas, especialmente voltadas aos anos iniciais do ensino fundamental. Além de explorar as instalações, os estudantes podem participar do jogo Defensores das Águas.

A programação inclui ainda oficinas culturais gratuitas em alguns sábados, ampliando as oportunidades de participação de estudantes, professores e famílias. Da primeira descoberta à Zona de Ação, a experiência deixa uma mensagem que pode continuar muito depois da visita: conhecer a água e compreender sua relação com o meio ambiente é também aprender por que preservá-la é responsabilidade de todos.