Crato: acesso ao saneamento redesenha o futuro dos moradores

Crato: acesso ao saneamento redesenha o futuro dos moradores
Texto: Paulo Junior

Há mudanças que aparecem devagar, quase sem fazer barulho. Uma rua ganha uma nova rede, uma obra termina, uma casa passa a contar com um serviço que antes não chegava até ali. Aos poucos, a infraestrutura passa a fazer parte da rotina e abre novas perspectivas para quem vive nesses lugares.

É assim que o saneamento vem ganhando novos contornos no município de Crato (CE). Em quatro anos, mais de 46 mil pessoas passaram a ter acesso aos serviços de esgoto, enquanto diferentes regiões da cidade avançam com novas obras. É um movimento que começa debaixo das ruas, mas tem reflexos na saúde, no meio ambiente e nas condições de vida da população.

Uma cidade em transformação

Flávia Campos Saraiva, visitadora social de um dos Centros de Referência de Assistência Social do Crato, conhece de perto as realidades de diferentes bairros e percebe os efeitos dessas mudanças no cotidiano das famílias.

“O serviço é muito importante, porque ele traz uma melhor qualidade de vida para a população, sobretudo nos bairros mais vulneráveis. A Ambiental Crato tem feito valer o direito de um saneamento digno, e isso é saúde para a população. A gente percebe que há um processo de transformação na vida das pessoas, no meio ambiente. Temos muito a ganhar com todo esse processo”, enfatiza.

A percepção de Flávia acompanha uma mudança concreta no mapa da cidade. Em 2022, a cobertura da rede de esgoto era de 3%. Hoje, chega a 25%, e a previsão é que esse percentual dobre até o fim de 2026, impulsionado pelas obras de expansão em diferentes bairros.

Somente neste ano, já foram construídos mais de 16 quilômetros de novas redes em diversos bairros. Elas devem ampliar o acesso aos serviços de esgoto para outras 35 mil pessoas e fazer com que os benefícios do saneamento cheguem a uma parcela cada vez maior da população, no caminho para a universalização.

Mais do que números

Por trás de cada nova rede existe uma mudança que não cabe em uma planilha. É a infraestrutura chegando a lugares onde antes ela não existia e criando condições para um cotidiano com mais saúde, qualidade de vida e cuidado om o meio ambiente.

Essa expansão também exige olhar para diferentes frentes. Ao longo dos quatro anos de operação, a Ambiental Crato ampliou redes, modernizou estações de tratamento, aperfeiçoou processos e aumentou em mais de 200% o alcance da tarifa social.

“Entendemos que a extensão do acesso ao serviço precisa ocorrer de diversas formas, por isso, atuamos na extensão das redes, modernização das estações de tratamento, otimização de processos, além de termos ampliado a tarifa social. Tudo para assegurar que a transformação por meio do saneamento básico tenha no Crato uma realização concreta”, comenta Tadeu Bezerra, gerente-executivo da Ambiental Crato.

Hoje, cerca de 80 milhões de litros de esgoto são coletados e tratados por mês no município. E a estrutura para acompanhar o crescimento da cobertura também está avançando.

Uma nova estação

O Crato conta atualmente com cinco estações de tratamento de esgoto em funcionamento. A próxima a entrar em operação será a ETE Granjeiro, já concluída e com inauguração prevista para o segundo semestre. A nova estação somada às outras cinco resultará na capacidade de tratamento de 250 milhões de litros por mês no município.

A ampliação da estrutura prepara a cidade para dar os próximos passos na expansão do serviço e levar o esgotamento sanitário a mais moradores.

O próximo passo

A expansão segue com a perspectiva de que, até 2033, 90% da população da sede do Crato e dos distritos de Dom Quintino e Ponta da Serra tenha o esgoto coletado e tratado. Para isso, estão previstos mais de R$ 250 milhões em investimentos em obras.

A meta aponta para o futuro, mas seus efeitos começam a aparecer no presente. A cada rede implantada e a cada novo morador atendido, o saneamento passa a ocupar um espaço diferente na vida da cidade. Para quem vive nos bairros onde o serviço chega, o futuro começa a ser redesenhado no cotidiano: na infraestrutura que passa pela rua, no esgoto que ganha destinação adequada e nas novas condições de saúde e qualidade de vida que acompanham esse avanço. A transformação deixa de ser uma promessa distante e passa a fazer parte da paisagem e da vida.