O oceano não começa na praia. A água percorre cidades, rios e bacias hidrográficas até chegar ao mar. Nesse caminho, o descarte inadequado de resíduos e a falta de coleta e tratamento de esgoto podem gerar impactos sobre os ecossistemas aquáticos. É essa conexão entre os territórios, o saneamento básico e a proteção do oceano que ganha espaço na Rio Ocean Week 2026.
De 17 a 20 de setembro, o evento reúne, no Rio de Janeiro, pesquisadores, organizações da sociedade civil, instituições de conservação e representantes de diferentes setores para ampliar o debate sobre cultura oceânica e sustentabilidade do mar. São mais de 50 painéis e atividades com mais de 70 palestrantes, além de 30 instituições de conservação marinha e institutos de pesquisa.
A programação inclui discussões sobre prevenção à poluição, governança, cooperação, saneamento básico e gestão de resíduos.
Saneamento: proteção aos ecossistemas marinhos
“Ampliar os fóruns de discussão sobre cultura oceânica é importante para conscientizar as pessoas de que o oceano não começa na praia. Ele está conectado aos rios, às cidades e à infraestrutura de cada território. Quando ampliamos o acesso ao saneamento básico e prevenimos a poluição dos corpos hídricos, contribuímos diretamente para a proteção dos ecossistemas marinhos”, diz Maíra Sugawara, gerente de Projetos Especiais do Instituto Aegea.
Realizada no Museu do Amanhã e no Complexo Cultural da Marinha, a Rio Ocean Week promove painéis, atividades culturais e experiências educativas para aproximar o público das questões que afetam o oceano. O evento é organizado pela Cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano e pela Mídia Mar Comunicação, e está alinhado aos objetivos da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.
O Instituto Aegea patrocina a Rio Ocean Week 2026 por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O apoio à iniciativa reflete uma agenda que conecta educação ambiental, saneamento e prevenção à poluição.

Compromisso com a água, dos territórios ao oceano
O debate sobre a conexão entre saneamento básico e oceano vem sendo fortalecido pelo Instituto Aegea desde 2023. A partir de 2025, a cultura oceânica passou a ganhar espaço por meio de boas práticas das unidades da Companhia e de materiais educativos que ajudam a tornar essa relação mais próxima e compreensível.
A mobilização alcançou, inclusive, territórios do interior do país, reforçando que a proteção do oceano não é responsabilidade apenas de cidades litorâneas. Para o Instituto Aegea, a cultura oceânica é um convite à compreensão dessa relação que, muitas vezes, passa despercebida, mesmo em locais distantes da costa.
Saneamento em pauta
Nesse sentido, a Rio Ocean Week representa mais uma oportunidade para dar visibilidade à agenda. Durante o evento, representantes da Regenera Rio e da Águas do Rio, concessionária da Aegea responsável pela operação em 27 cidades no Rio de Janeiro, participam de painéis sobre prevenção à poluição, governança, cooperação, saneamento básico e gestão de resíduos.

Exemplos concretos: a recuperação da Baía de Guanabara
A relação entre saneamento e proteção dos oceanos ganhou exemplos concretos nos debates realizados no Museu do Amanhã. O diretor institucional da Águas do Rio, Sinval Andrade, e a gerente de Meio Ambiente da Companhia, Caroline Lopes, apresentaram como investimentos em infraestrutura e ações ambientais contribuem para a recuperação da Baía de Guanabara.
No painel “Como manter o rumo em direção à universalização do saneamento”, Sinval Andrade destacou que ampliar o acesso aos serviços no Rio de Janeiro envolve recuperar estruturas antigas e construir redes em áreas onde o saneamento não existia. Como resultado das intervenções, a concessionária já evita que 136 milhões de litros de esgoto sejam despejados diariamente na Baía de Guanabara.
O que acontece com o esgoto depois que acionamos a descarga?
“Muitas pessoas acham que, depois que damos a descarga, o problema está resolvido, mas a recuperação da natureza exige tratamento adequado. Aqui no Rio, nosso primeiro passo foi diagnosticar e revitalizar as estruturas existentes para construir um planejamento seguro e de longo prazo. Enquanto empresa da Aegea, estamos aplicando aqui o aprendizado de outras concessionárias do grupo em diferentes pontos do país. Nós encontramos no Rio um ceticismo muito grande, mas, com a implantação dos coletores em tempo seco, estamos vendo a Baía de Guanabara reviver. A partir dos resultados nas praias do Flamengo e da Glória, o descrédito dá lugar à confiança”, afirmou o diretor institucional.

A conexão entre o lixo, os rios e o mar
A conexão entre a poluição gerada no continente e seus efeitos no mar também pautou o painel “Cidades e rios: do bueiro ao mar”. Caroline Lopes explicou que, diante dos desafios do crescimento urbano, a concessionária alia obras de infraestrutura a soluções baseadas na natureza. Entre os exemplos está o projeto Mangue Alegria, que já retirou 450 toneladas de resíduos e plantou 20 mil mudas no ecossistema costeiro do Caju.
“Nossas cidades foram crescendo e, historicamente, a sociedade foi se condicionando a jogar seus dejetos nos rios. Mas todo rio, no fim, é mar. Com as ações implantadas neles, diversas praias estão sendo devolvidas à nossa cidade, o que também beneficia toda uma cadeia econômica. Uma obra feita na Baixada Fluminense gera benefícios que ultrapassam o território, e impede a poluição da baía como um todo. No Caju, estamos revitalizando uma área de mangue que, além de filtrar a poluição, protege as áreas próximas da Baía de Guanabara das inundações. Dessa forma, caminhamos para recuperar o principal ecossistema do nosso estado”, explicou Caroline.
Economia azul
A gerente de Meio Ambiente também participou do debate sobre o documentário “Quanto vale o azul?”, que explora o potencial fluminense ligado à economia azul. Na discussão, ela destacou a relação entre conservação ambiental e desenvolvimento econômico, além de ter apontado a despoluição costeira viabilizada pelo saneamento como um dos pilares para atividades como turismo sustentável e pesca responsável.
As transformações apresentadas durante o evento são resultado de R$ 6,4 bilhões investidos pela Águas do Rio desde o início da concessão. Entre as intervenções está a implantação de coletores de tempo seco (CTS), que formam um cinturão de proteção no entorno da Baía de Guanabara, passando pela zona sul do Rio e por municípios da Baixada Fluminense e de São Gonçalo. Entre os reflexos dessa estratégia está a recuperação da balneabilidade das praias do Flamengo e da Glória.
As discussões reforçam que nenhum setor, isoladamente, é capaz de responder à complexidade dos desafios ambientais. Ao patrocinar a iniciativa, o Instituto Aegea reafirma seu compromisso de contribuir para uma forma integrada, conectada e compartilhada de olhar para a água. Proteger o oceano também começa com o cuidado dedicado, todos os dias, aos rios e territórios que fazem parte desse caminho.


