Embarcações repletas de peixes e estruturação para a classe

Embarcações repletas de peixes e estruturação para a classe

No píer de desembarque de barcos de pesca, em Iguaba Grande, Gledison Nascimento e Gleiton Gomes chegam de mais uma madrugada de pescaria na Lagoa de Araruama. 

De domingo a domingo, dependendo das condições climáticas, os primos saem em busca do sustento da família na maior laguna hipersalina em estado permanente do mundo. 

A pesca é a única fonte de renda da dupla, que chega a capturar uma média de dez toneladas de peixes por mês, de espécies como a Tainha, Perumbeba, Curvina, Carapeba e Robalo. 

“Essa é uma herança que sempre admirei e herdei do meu pai. Todas as noites quando saímos com a embarcação, vamos com fé de que voltaremos cheios de peixes e temos a expectativa de aprimorar sempre o nosso trabalho. É muito gratificante saber que por meio da minha profissão, ajudo a alimentar e a gerar renda para tantas outras famílias”, ressalta Gledison, cheio de orgulho.

Os pescadores são responsáveis por movimentar toda uma cadeia produtiva. De acordo com a estatística pesqueira, realizada pelo Projeto Imersão, da Universidade Veiga de Almeida, para cada emprego dentro da água, outros quatro são gerados em terra firme, em áreas como elétrica, eletrônica, venda de gelo, construção naval e transporte, gerando cerca de 1.200 empregos diretos e mais de 7.300 empregos indiretos. 

Além disso, o setor movimenta aproximadamente R$ 3 milhões por ano considerando somente a primeira venda, que é feita diretamente pelos pescadores. “Anualmente são pescados mais de 3 mil toneladas de peixes na Lagoa de Araruama, envolvendo 255 embarcações. Esses dados exprimem a recuperação da laguna nos âmbitos ecológico e econômico, por meio da melhoria das condições de saúde ambiental desse corpo hídrico”, explica Eduardo Pimenta, biólogo e coordenador do projeto.

Conquistas para a classe

No Dia dos Pescadores, em 29 de junho, os profissionais da pesca de Iguaba Grande têm muito a comemorar. A cidade está prestes a inaugurar a sede da Colônia da Cidade, que servirá de casa e abrigo da identidade cultural da classe pesqueira. 

Localizado na Rua Projetada A, no bairro Cidade Nova, ao lado da Vila dos Pescadores, o espaço de 110 m² contará com recepção, almoxarifado, três banheiros, sala da presidência e um salão para reuniões, proporcionando estrutura para a classe pesqueira. 

O terreno foi cedido pela prefeitura do município e a obra está sendo realizada pela Prolagos. “Esse é uma expectativa muito grande e um desejo antigo de todos os pescadores. Com a sede, poderemos fazer reuniões, festas e será um ponto de encontro para que possamos nos organizar a cada dia mais”, pontua o presidente da colônia, Cícero Vanderley Neto.

A construção é uma iniciativa da concessionária, por meio do projeto ‘Impulso’, que tem como foco a promoção do desenvolvimento de pessoas, famílias e comunidades de forma sustentável, envolvendo desde uma estrutura de governança local, até o fortalecimento dos indivíduos para atuarem no mercado de trabalho, preservando sua história, cultura e apoiando o desenvolvimento turístico das cidades.

Bolsa Socioambiental

Para auxiliar os pescadores durante o período do defeso da laguna, em parceria com a câmara técnica e associações de pesca dos municípios da área de concessão, a concessionária contempla os pescadores associados às instituições que atuam na Lagoa de Araruama com a Bolsa Socioambiental, no valor total de R$ 120 mil. 

A quantia é dividida entre as colônias, que aplicam a verba em ações em prol dos pescadores, como a realização de cursos profissionalizantes, melhorias e reformas das unidades, compra de materiais diversos, entre outros. “Esses programas têm foco em impulsionar a autonomia dos pescadores e suas famílias, proporcionando a eles a oportunidade de se desenvolverem e otimizarem seus processos profissionais, promovendo a sustentabilidade e a qualidade de vida da população local”, relata Pedro Freitas, diretor-presidente da Prolagos.

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