Antes mesmo de acender o fogão e preparar a feijoada, a rabada ou a dobradinha, que fizeram do seu bar um dos mais conhecidos do Morro da Providência (RJ), dona Jura precisava lidar com as incertezas na rotina: saber se haveria água suficiente para cozinhar, limpar e receber os clientes.
A resposta, muitas vezes, era não. E isso significava adaptar o funcionamento do restaurante, contar com a solidariedade dos vizinhos ou, simplesmente, esperar. Agora, aos 70 anos, ela finalmente vive uma realidade que imaginou por muito tempo: abrir as portas do Bar da Dona Jura sem carregar a preocupação constante com o abastecimento.
“Eu me sinto aliviada em saber que o funcionamento do meu estabelecimento não será mais interrompido pela falta de água”, conta.
Décadas de desafios no abastecimento
Natural da Paraíba, Juraci Vilela chegou ao Rio de Janeiro em 1968, como tantos brasileiros que deixaram a terra natal em busca de oportunidades. Foi no Morro da Providência, considerado a primeira favela do Brasil, que ela encontrou um lugar para recomeçar e construiu uma história que se confunde com a da própria comunidade.
Ao longo de mais de cinco décadas, viu a Providência mudar em muitos aspectos, mas um problema parecia atravessar gerações: a dificuldade de acesso à água.
“Quando eu cheguei ao morro, os moradores já reclamavam da dificuldade para conseguir água. Quem não tinha condição de ter uma caixa d’água era obrigado a descer até o pé da comunidade para buscar e voltar carregando o latão na cabeça até as partes mais altas”, relembra.
Depois de um dia inteiro de trabalho, muitas vezes o banho só era possível graças à ajuda de vizinhos, que dividiam a água de uma pequena bica. Cozinhar, lavar roupas ou manter o restaurante funcionando também exigiam improviso e paciência.

Um novo capítulo para a comunidade
A rotina começou a mudar com a revitalização dos três reservatórios da Providência, realizada pela Águas do Rio, empresa da Aegea. A intervenção recuperou uma estrutura que estava desativada há mais de 30 anos e acumulava toneladas de resíduos, além de ter modernizado todo o sistema de armazenamento da comunidade.
Hoje, a infraestrutura reformada beneficia mais de 25 mil moradores, proporcionando mais estabilidade no abastecimento. Para Rodrigo Pereira, gerente de Operações da Águas do Rio, o trabalho vai além da recuperação estrutural.
“Além de recuperar o reservatório que estava inativo há décadas, nosso trabalho representa o compromisso de levar saneamento para todos os cantos da cidade, inclusive os mais desafiadores. Hoje, os três reservatórios estão ativos, e a comunidade conta com mais de 2 milhões de litros de água armazenada, o que garante estabilidade e tranquilidade para milhares de pessoas.”

A transformação vista por quem vive ali
Quem acompanha de perto a rotina da comunidade também percebe a diferença. Segundo Gisele Dias, presidente da Associação de Moradores da Providência, a recuperação dos reservatórios representa uma conquista aguardada há muitos anos.
“Sempre sofremos com a falta d’água, principalmente no período do verão. A reforma dos reservatórios é uma vitória e vai trazer uma grande melhoria no abastecimento, acabando com uma preocupação diária dos moradores.”
Um novo cenário para o Morro da Providência
A transformação da Providência faz parte de um conjunto de investimentos realizados pela Águas do Rio desde o início da concessão, em 2021. Além das melhorias no abastecimento de água, a empresa também executa projetos de expansão do saneamento em outras comunidades cariocas, ampliando o acesso aos serviços e contribuindo para mais qualidade de vida.

Enquanto isso, no alto do Morro da Providência, dona Jura segue recebendo moradores e visitantes de portas abertas. A diferença é que, agora, o abastecimento de água faz parte da rotina e gera renda.


