Às vezes, o risco mora onde ninguém está olhando. Pode aparecer em uma atividade feita no automático, em um limite ultrapassado ou até em um sofrimento que não encontra espaço para ser dito. Foi a partir desse olhar que a programação do Setembro Amarelo trouxe uma conversa sobre ambiente seguro, percepção de riscos, proteção e segurança.
Na live “Ambiente seguro: perceber riscos, proteger pessoas e agir com segurança”, Tatiane Pinheiro, neuropsicóloga e assistente social, e Leandro Rocha, administrador e especialista em Gestão de Pessoas, conduziram uma reflexão sobre como escolhas e comportamentos cotidianos podem influenciar a segurança. A conversa também abordou autocuidado, riscos externos, autoproteção, saúde emocional após situações traumáticas e cuidado entre colegas.
Segurança também é cuidado
Para Wagner Vicente, diretor de EHS, falar de segurança exige olhar para a pessoa de forma integral. A proteção não termina quando se evita um acidente. Ela também passa pela saúde emocional, pelo respeito aos limites e pela construção de relações em que as pessoas possam se sentir acolhidas.
“O compromisso com a proteção das pessoas vai muito além da prevenção de acidentes. Ele inclui também o cuidado com o bem-estar emocional, com a saúde psicológica e com a construção de ambientes onde todos se sintam respeitados, acolhidos e protegidos.”
Ao longo da conversa, um ponto ganhou destaque: nem todo risco é visível. Nas operações, diferentes situações exigem atenção e preparo, mas reconhecer o próprio limite também faz parte de agir com segurança. Interromper uma atividade quando necessário, pedir apoio e cuidar de quem está ao lado são atitudes que ajudam a preservar vidas.
“Quando a gente fala de percepção de risco, também precisa falar sobre os riscos que nem sempre são visíveis. Promover uma cultura de segurança significa incentivar as pessoas a reconhecerem esses riscos, respeitarem seus próprios limites, interromperem uma atividade quando necessário e buscarem apoio sempre que precisarem.”
O automático merece atenção
Tatiane Pinheiro chamou a atenção para algo que faz parte da rotina de qualquer pessoa: fazer muitas coisas sem pensar em cada movimento. Caminhar, mastigar, executar tarefas conhecidas. No trabalho, porém, agir no automático pode esconder riscos, especialmente em atividades que exigem atenção redobrada.
A reflexão vale para diferentes ambientes, da rua ao escritório. Antes de uma decisão, perceber o contexto, avaliar o que pode dar errado e entender quando é preciso parar são atitudes que ajudam a transformar conhecimento em comportamento seguro.
“Às vezes, a gente acaba fazendo as coisas no automático, inclusive em trabalhos que exigem mais de nós. E é dessa forma que muitas vezes acontecem os acidentes. Por isso, seja qual for o lugar em que você trabalhe, é importante manter a atenção.”
A palestrante também relacionou segurança e vida fora do trabalho. O emprego é parte importante da trajetória de cada pessoa, mas não ocupa todos os espaços que dão sentido à vida. Família, relações e projetos pessoais também fazem parte daquilo que cada trabalhador busca proteger.
Saber dizer não
Outro ponto do evento foi o papel das chamadas regras de ouro, apresentadas por Leandro Rocha como um roteiro para orientar decisões e atividades de trabalho. Mais do que seguir procedimentos, a proposta é ajudar cada pessoa a reconhecer situações que podem levar a um acidente e agir antes que elas aconteçam.
Nesse contexto, saber interromper uma atividade ou dizer não diante de uma situação insegura também é uma forma de responsabilidade.
“As regras de ouro servem como um roteiro a ser seguido. Elas ajudam a nortear as pessoas para que tenham um trabalho saudável, com atividades bem executadas e seguras. E o poder de dizer não é muito importante quando uma situação exige isso.”
A ideia conversa diretamente com uma das mensagens que atravessaram a apresentação: segurança não é apenas uma regra escrita. Ela aparece nas escolhas feitas diante de cada situação.

Saúde mental também é segurança
O tema ganhou outra perspectiva com a participação do médico Danilo Sesma Costa, gerente de Saúde Ocupacional da Aegea. Para ele, cuidar da saúde mental não deve ficar restrito aos profissionais da área de saúde. A construção de um ambiente saudável envolve diferentes pessoas e áreas, além da capacidade de cada um reconhecer os próprios limites.
“Saúde mental é também segurança. Faz parte da segurança do dia a dia e da segurança da nossa organização. Quando a gente cuida da nossa saúde física e emocional, reconhece os nossos limites e busca ajuda quando necessário.”
A fala reforça uma ideia importante para o mês de setembro: ninguém precisa dar conta de tudo sozinho. Pedir ajuda também é uma atitude de cuidado e pode ser decisivo para atravessar uma situação difícil.
Cuidar de quem está ao lado
A programação do Setembro Amarelo segue ao longo do mês com diferentes conversas e iniciativas. Depois de colocar segurança e saúde mental na mesma conversa, a live deixou uma provocação que ultrapassa o ambiente de trabalho: prestar atenção em si e nas pessoas ao redor também é uma maneira de proteger a vida.É nesse encontro entre segurança física, saúde emocional, respeito aos limites e cuidado mútuo que um ambiente seguro começa a ganhar forma, uma escolha de cada vez.


