Semana do Mar 2026 mostra que todos os caminhos da água levam ao oceano

Semana do Mar 2026 mostra que todos os caminhos da água levam ao oceano
Texto: Ray Santa Cruz

Entre os dias 20 e 24 de maio, São Paulo recebeu a SP Ocean Week 2026, um dos principais eventos da América Latina voltados à cultura oceânica, à sustentabilidade e à conservação marinha. A programação antecede duas datas importantes da agenda ambiental global: o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, e o Dia Mundial dos Oceanos, celebrado em 8 de junho.

Nesta edição, o evento teve como tema central o papel das Áreas Marinhas Protegidas e os desafios de fazer o oceano renascer, tornando efetiva a conservação da vida marinha no Brasil e no mundo. A programação reuniu especialistas, pesquisadores, organizações da sociedade civil, empresas e representantes do setor público em debates sobre biodiversidade, clima, qualidade da água e recuperação ambiental.

Dentro dessa discussão, o saneamento ganhou espaço como uma das ferramentas fundamentais para melhorar a qualidade das águas que chegam ao oceano.

A Semana do Mar foi patrocinada pelo Instituto Aegea e contou com a participação do presidente Édison Carlos na abertura da programação. O executivo destacou que a preservação dos oceanos começa na forma como os municípios cuidam de seus rios, lagoas e sistemas de esgoto.

“O Instituto Aegea atua na busca por soluções para os desafios do oceano a partir da conexão entre saneamento, preservação ambiental e inclusão social. Acreditamos que ampliar o acesso à coleta e ao tratamento de esgoto é uma das medidas mais relevantes para reduzir a poluição hídrica e contribuir para a recuperação de ecossistemas costeiros e marinhos. Tudo está conectado ao oceano, nossa vida está conectada ao oceano, e o sistema de saneamento básico é fundamental na proteção da vida marinha. Cada litro de esgoto tratado significa vida preservada”, disse.

Qualidade do oceano começa nos rios urbanos

Grande parte da poluição que chega ao mar tem origem no lançamento irregular de esgoto em rios e canais urbanos. Por isso, a ampliação da coleta e do tratamento é considerada uma medida estratégica para reduzir impactos ambientais nas regiões costeiras.

Hoje, a Aegea atua em mais de 890 municípios de 15 estados brasileiros e atende a mais de 39 milhões de pessoas. Há 15 anos no setor, a Companhia desenvolve operações de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, com foco na ampliação do acesso ao saneamento e na recuperação ambiental dos territórios em que está presente.

A empresa também mantém iniciativas voltadas à inclusão social, como a Tarifa Social, que beneficia mais de 2,7 milhões de pessoas.

Baía de Guanabara se torna exemplo de recuperação ambiental

Um dos principais cases apresentados durante a SP Ocean Week foi o da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. As ações realizadas pela Águas do Rio já impediram que cerca de 130 milhões de litros de esgoto por dia continuassem sendo lançados na baía.

Os reflexos começam a ser percebidos em áreas historicamente impactadas pela poluição, como Flamengo, Botafogo, Urca, Paquetá, São Conrado, Lagoa Rodrigo de Freitas e municípios da Região dos Lagos, incluindo Araruama.

Entre os avanços observados estão:

  • melhora gradual da balneabilidade;
  • redução da carga poluidora em rios urbanos;
  • recuperação de áreas degradadas;
  • retomada do lazer e do turismo;
  • valorização dos espaços urbanos.

A melhora da qualidade da água também começa a impactar a biodiversidade marinha. Em algumas regiões da Baía de Guanabara, já há registros do aumento da presença de espécies como golfinhos e tartarugas, indicando recuperação gradual das condições ambientais.

Segurança hídrica e clima

Outro tema debatido durante o evento foi a relação entre saneamento, segurança hídrica e mudanças climáticas. Além de ampliar o acesso à água e ao esgoto tratados, o setor desempenha um papel importante na proteção de mananciais, na recuperação de corpos hídricos e na redução de perdas.

A Aegea investe em modernização de redes, monitoramento em tempo real e eficiência operacional. Em 2025, a Companhia reduziu perdas equivalentes a cerca de 29 bilhões de litros de água — volume suficiente para abastecer aproximadamente 725 mil pessoas por um ano.

Blue bonds fortalecem infraestrutura hídrica

A discussão sobre financiamento sustentável também integrou a programação. Nos últimos anos, investidores passaram a direcionar mais recursos para projetos ligados à água, ao saneamento e à resiliência climática.

Em 2025, a Aegea realizou a maior emissão corporativa de blue bonds do mundo, captando US$ 750 milhões para projetos voltados à expansão da infraestrutura hídrica e à recuperação ambiental.

Os chamados blue bonds são títulos financeiros destinados a iniciativas relacionadas à preservação dos recursos hídricos e à saúde dos oceanos. O crescimento desse mercado reforça como o saneamento passou a ser visto globalmente como uma infraestrutura estratégica para a saúde pública, a biodiversidade e a adaptação climática.

Ao longo da Semana do Mar, a principal mensagem dos debates foi clara: proteger os oceanos depende diretamente da forma como cidades e territórios cuidam de seus rios, lagoas e sistemas de saneamento. É importante entender que todos os caminhos da água levam ao oceano. E em um spoiler para a edição de 2027, o diretor-geral da SP Ocean Week, Alfredo Nastari, citou que será trabalhado o tema “Saneamento e poluição marinha”, seguindo a tentativa de proteger 30% dos oceanos até 2030.