Da Amazônia ao Pantanal: o impacto positivo nos 16 anos da Aegea

Da Amazônia ao Pantanal: o impacto positivo nos 16 anos da Aegea
Texto: Maria Clara Espíndola, Daniela Venturato e Camila Henriques

Em Manaus (AM), abrir a torneira e encontrar água tratada passou a fazer parte da rotina de Márcia Castelo, moradora da comunidade indígena Kokama. Já em Corumbá (MS), no coração do Pantanal, Adrielly Ribeiro vê no tratamento de esgoto uma ferramenta de proteção dos rios e da biodiversidade que cercam sua casa.

As duas vivem em biomas completamente diferentes, separadas por mais de 2,7 mil quilômetros. Mas compartilham uma transformação: o avanço do saneamento básico.

Avanço do saneamento em Manaus e em Mato Grosso do Sul

Na Amazônia, a universalização do abastecimento de água levou infraestrutura a áreas historicamente desassistidas, como comunidades indígenas e de palafitas e regiões de rip-rap. No Pantanal, a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto vem reduzindo a pressão sobre rios e nascentes, contribuindo para a preservação ambiental.

Os resultados mostram como a universalização do saneamento está mudando a realidade de dois dos mais importantes biomas brasileiros, combinando qualidade de vida, inclusão social e proteção dos recursos naturais. No mês de julho, quando a Aegea celebra 16 anos de jornada, a cada semana vamos acompanhar como essa trajetória vem transformando vidas em diferentes territórios.

Da Amazônia à torneira: a universalização da água

Há oito anos, a Águas de Manaus iniciou uma ampla transformação no saneamento da capital amazonense. Desde 2018, mais de R$ 2,4 bilhões foram investidos na modernização da infraestrutura e na ampliação do acesso aos serviços, beneficiando mais de 2,2 milhões de pessoas.

Um dos principais marcos desse período foi a universalização do abastecimento de água, alcançada em 2023. Para atingir a meta, a concessionária precisou desenvolver soluções para atender áreas historicamente excluídas dos serviços, como comunidades localizadas em becos, palafitas e rip-raps às margens dos igarapés.

Mais de 200 mil moradores passaram a contar com abastecimento regular de água tratada.

A transformação na vida dos moradores

Na comunidade indígena Kokama, a mudança foi celebrada pelos moradores.

“Por aqui, nada foi fácil. Conseguimos nossos terrenos, construímos nossas casas com muito esforço e a chegada da água é um reconhecimento de tudo isso. Hoje, abrir a torneira e ter água à nossa disposição é motivo de muita felicidade”, relata Márcia Castelo.

A transformação também chegou a áreas de palafitas da capital. Morador do bairro Educandos há mais de 40 anos, o cabeleireiro Geraldo Uchôa destaca que o acesso à água tratada trouxe benefícios que vão além do abastecimento.

“Hoje, posso abrir a torneira a qualquer hora e ter água em casa. Com a chegada dessa infraestrutura vieram também outras conquistas importantes, como o comprovante de residência e o acesso à tarifa social. Isso trouxe mais dignidade e me permitiu manter as contas em dia. São coisas que podem parecer simples para muita gente, mas, quando não temos, sentimos falta todos os dias. Hoje vivo com mais tranquilidade e qualidade de vida”, afirma.

Saneamento protegendo o coração do Pantanal 

Enquanto a Amazônia avança na universalização da água e do esgoto, Mato Grosso do Sul consolida o saneamento como aliado da preservação ambiental.

O estado já possui mais de 81% de cobertura de saneamento e vem ampliando os sistemas de coleta e tratamento de esgoto em municípios atendidos pela Ambiental MS Pantanal. Desde 2021, mais de 131,4 bilhões de litros de esgoto deixaram de ser lançados in natura em rios, córregos e nascentes, contribuindo para a preservação dos recursos hídricos e da biodiversidade.

Em uma região onde a relação entre água e natureza é ainda mais evidente, os impactos são percebidos pela própria população.

“Aqui em Corumbá, a gente vive no coração do Pantanal e tem uma conexão muito forte com a natureza. Saber que o esgoto é tratado antes de retornar para o meio ambiente traz segurança, porque a gente sabe que isso ajuda a proteger os rios, os animais e todo o equilíbrio do bioma que faz parte da nossa vida e está no quintal da nossa casa”, afirma Adrielly Ribeiro, moradora do bairro Nova Corumbá.

A operação da Ambiental MS Pantanal conta atualmente com 71 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e 229 Estações Elevatórias (EEEs), estrutura que contribui para reduzir a carga poluente lançada nos corpos hídricos e fortalecer a conservação de áreas sensíveis do Pantanal e do Cerrado.

Dois biomas, um mesmo desafio

Apesar das diferenças geográficas e ambientais, os desafios enfrentados pelas concessionárias guardam semelhanças. Em Manaus, a expansão dos serviços precisou superar obstáculos relacionados ao crescimento urbano, às áreas de difícil acesso e às características únicas da ocupação da cidade. Em Mato Grosso do Sul, o desafio passa pela proteção de bacias hidrográficas e pela preservação de biomas que dependem diretamente da qualidade da água.

Com a universalização da água alcançada, a Águas de Manaus concentra agora esforços na expansão dos serviços de esgoto. Desde 2018, a rede de esgoto da capital mais que dobrou, passando de 536 quilômetros para mais de 1,1 mil quilômetros, enquanto a cobertura do serviço avançou de 19% para mais de 42% da população.

Resultados na prática

Recentemente, a concessionária iniciou obras para levar o serviço a comunidades de rip-rap. No Beco São Vicente, na zona centro-oeste da cidade, a dona de casa Daniela Vinhote já percebe os primeiros resultados.

“A gente conviveu por muito tempo com o mau cheiro e acabou até se acostumando com isso. Agora, com a obra, já percebemos uma grande diferença; temos mais saúde e qualidade de vida. Espero que, quando tudo estiver pronto, a comunidade fique ainda mais limpa”, conta.

Da Amazônia ao Pantanal: o impacto positivo nos 16 anos da Aegea

Já em Mato Grosso do Sul, os investimentos seguem ampliando a capacidade de tratamento. Em Campo Grande, está prevista a entrada em operação da ETE Botas, que irá reforçar o sistema existente e contribuir para a proteção dos mananciais que abastecem a capital.

Universalização que transforma a vida das pessoas

Na Amazônia, a chegada da água tratada mudou a rotina de comunidades indígenas, áreas de palafitas e regiões historicamente excluídas dos serviços de saneamento. No Pantanal, a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto contribui para a proteção dos rios e para a conservação de um dos ecossistemas mais importantes do mundo.

Em comum, os dois exemplos mostram que a universalização do saneamento vai além das obras de infraestrutura. Ela representa mais saúde, dignidade e qualidade de vida para a população, ao mesmo tempo em que fortalece a preservação dos recursos naturais que sustentam diferentes biomas brasileiros. Acompanhe essa jornada de transformação em outros municípios aqui no Aegea Blog.