Blue bonds: como o saneamento ajuda a proteger os oceanos

Blue bonds: como o saneamento ajuda a proteger os oceanos
Texto: Ray Santa Cruz

Quando uma pessoa abre a torneira em casa, toma banho, lava a roupa ou descarta resíduos, dificilmente imagina que essas ações também têm relação direta com a saúde dos oceanos. Mas têm. Afinal, todos os caminhos da água levam ao mar.

É justamente nessa conexão entre cidades, rios e oceanos que entram os chamados blue bonds, títulos financeiros voltados a projetos ligados à água, ao saneamento, à preservação dos recursos hídricos e à saúde dos oceanos.

Na prática, os blue bonds funcionam como investimentos direcionados para obras e projetos capazes de reduzir a poluição, ampliar a coleta e o tratamento de esgoto, recuperar rios e fortalecer a segurança hídrica. Ou seja: ajudam a transformar a infraestrutura em impacto ambiental positivo para as pessoas.

E isso importa para todo mundo: da dona de casa que convive com enchentes e esgoto a céu aberto às crianças que precisam de água limpa; passando por trabalhadores, comunidades costeiras, pescadores, turistas e pelas futuras gerações.

O que são os blue bonds

Os blue bonds ou “títulos azuis” funcionam de forma parecida com os chamados green bonds (“títulos verdes”), conhecidos no mercado por financiar projetos ambientais. A diferença é que os blue bonds são voltados especificamente para iniciativas ligadas diretamente à preservação dos recursos hídricos e à saúde dos oceanos.

Nos últimos anos, o saneamento passou a ganhar espaço nessa agenda ao demonstrar seu papel na redução da poluição, na recuperação de rios e na melhoria da qualidade da água que chega ao mar.

Ao comprovar essa conexão, a Aegea se tornou protagonista nesse setor, direcionando recursos para projetos com impacto ambiental mensurável, como a expansão da coleta e do tratamento de esgoto, a recuperação de corpos hídricos e ações de segurança hídrica.

Esse movimento acompanha uma tendência global de valorização de investimentos que geram resultados positivos em diferentes frentes: saúde pública; mudanças climáticas; biodiversidade e proteção ao capital natural; segurança hídrica; e resiliência urbana.

Futuros Mais Azuis

Referência no setor de saneamento no Brasil, em 2025, a Aegea realizou uma das maiores emissões corporativas de blue bonds do mundo, captando US$ 750 milhões com vencimento em 10 anos.

Os recursos são destinados à expansão da infraestrutura e ampliação da coleta e do tratamento de esgoto, impactando diretamente na recuperação ambiental e no fortalecimento da resiliência climática nos territórios onde atua.

A Companhia adota modelos de acompanhamento, reporte e controle alinhados às melhores práticas internacionais, garantindo que os investimentos tenham transparência, governança, metas definidas e resultados ambientais mensuráveis. Isso assegura um futuro mais azul.

Saneamento protege rios, praias e oceanos

Grande parte da poluição que chega ao oceano começa longe do litoral. Rios urbanos, lagoas, canais e sistemas de drenagem carregam resíduos e esgoto sem tratamento até áreas costeiras e marinhas. Por isso, ampliar o alcance da infraestrutura de saneamento básico significa também proteger praias, manguezais, baías e ecossistemas marinhos.

A atuação da Aegea envolve toda a cadeia da água: captação; tratamento; distribuição; coleta e tratamento de esgoto; e reúso industrial. Além disso, a Companhia investe na modernização de redes, no monitoramento em tempo real, na redução de perdas de água e na recuperação de corpos hídricos.

Em 2025, a Aegea expandiu suas operações agregando estados como o Pará e o Piauí, tratou mais de 700 bilhões de litros de esgoto em suas subsidiárias e reduziu perdas equivalentes a cerca de 29 bilhões de litros de água — volume suficiente para abastecer aproximadamente 725 mil pessoas durante um ano.

“A agenda de sustentabilidade da Aegea reflete nosso compromisso com a criação de valor no longo prazo. Instrumentos como os blue bonds reforçam o papel do saneamento na proteção dos recursos hídricos e na construção de uma infraestrutura mais resiliente e sustentável”, pontua Adriana Albanese, diretora de Relações com Investidores e Sustentabilidade.

Exemplos de cidades mais sustentáveis 

Na Região dos Lagos (RJ), os investimentos da Prolagos – unidade da Aegea – na ampliação da coleta e do tratamento de esgoto também contribuíram para a recuperação gradual da Lagoa de Araruama, considerada a maior laguna hipersalina do mundo.

A melhora da qualidade da água favoreceu atividades ligadas ao turismo, à pesca e aos esportes náuticos, além do retorno de espécies sensíveis ao equilíbrio ambiental, como os cavalos-marinhos. As famílias também voltaram a frequentar o espaço.

Para o presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos, o avanço da recuperação ambiental mostra como saneamento, desenvolvimento urbano e preservação dos recursos naturais precisam caminhar juntos. Ele cita o projeto Pescando Tradições, que auxilia pescadores da Região dos Lagos.

“O projeto fortalece a conexão entre os pescadores e a concessionária. O trabalho realizado por esses profissionais em defesa da Lagoa de Araruama é histórico e fundamental para a preservação de um dos ecossistemas mais importantes do mundo. A iniciativa reúne mobilização social, valorização da cultura local e geração de renda, contemplando pilares essenciais para o Instituto Aegea, como a educação, a saúde, o desenvolvimento social e a promoção do saneamento. Este é um momento especial, pois demonstra que o saneamento está cumprindo seu papel de proteger e recuperar um ecossistema de grande relevância para o planeta”, diz Édison.

Outro exemplo emblemático de que o saneamento gera impacto ambiental é a transformação da Baía de Guanabara. Investimentos da Águas do Rio evitaram que mais de 130 milhões de litros de água contaminada com esgoto fossem lançados diariamente no mar e em praias oceânicas.

Preservar os oceanos

Discutir a saúde dos oceanos também significa discutir o acesso à água tratada, à coleta de esgoto, à preservação ambiental e à saúde das pessoas. 

A recuperação dos oceanos depende de uma atuação integrada entre saneamento, planejamento urbano, preservação ambiental e conscientização da sociedade. Por isso, cada investimento em água e esgoto também representa um investimento na saúde do oceano, nas cidades e nas próximas gerações.