Congresso mostra impacto do saneamento no desenvolvimento urbano

Congresso mostra impacto do saneamento no desenvolvimento urbano

Quando se fala em desenvolvimento urbano, é comum pensar em mobilidade, habitação, áreas verdes ou inovação. Mas existe uma infraestrutura muitas vezes invisível que está diretamente ligada à qualidade de vida da população e ao crescimento sustentável das cidades: o saneamento básico.

O tema é destaque do 4º Congresso dos Municípios de Mato Grosso do Sul, realizado em Campo Grande, reunindo gestores públicos, especialistas e lideranças para discutir soluções voltadas ao futuro dos municípios. Entre os assuntos debatidos, o saneamento aparece como uma das políticas públicas com maior capacidade de transformar realidades.

A relação é direta. O acesso à água tratada e à coleta e ao tratamento de esgoto contribui para reduzir doenças, melhorar indicadores de saúde, preservar recursos naturais e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento econômico. Além disso, cidades com infraestrutura de saneamento consolidada tendem a atrair mais investimentos e oferecer melhores condições de vida para seus moradores.

Saúde começa na infraestrutura

Os impactos do saneamento na saúde pública estão entre os mais conhecidos. Doenças relacionadas à falta de água tratada e ao contato com esgoto sem tratamento podem gerar internações, afastamentos do trabalho e pressão sobre os sistemas municipais de saúde.

Em Campo Grande, a capital, os resultados ajudam a ilustrar essa conexão. Entre 2003 e 2021, a cobertura dos serviços de esgoto passou de 19% para 89% da população. No mesmo período, os casos de Doenças Diarreicas Agudas registraram queda de 91%, enquanto as internações relacionadas reduziram 93%, segundo estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

A cidade alcançou a universalização do saneamento antes dos prazos previstos nacionalmente. Desde o início da concessão Águas Guariroba, mais de R$ 2,5 bilhões foram investidos na expansão e modernização dos sistemas de água e esgoto, permitindo a ampliação da infraestrutura e o tratamento de todo o esgoto coletado.

Os dados reforçam uma conclusão cada vez mais presente entre especialistas: investir em saneamento significa também investir em prevenção.

Cidades mais preparadas para crescer

O saneamento também influencia a forma como os municípios se desenvolvem. A expansão das redes de água e esgoto acompanha o crescimento urbano, melhora as condições de ocupação dos territórios e contribui para a valorização das áreas atendidas.

Quando o planejamento urbano é acompanhado por investimentos em infraestrutura, as cidades conseguem crescer de forma mais organizada, e ampliando o acesso da população a serviços essenciais.

Essa relação ganha importância diante do desafio de universalizar o saneamento no Brasil. O Novo Marco Legal do Saneamento estabeleceu metas para ampliar o acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário até 2033, reconhecendo que o avanço do setor é fundamental para o desenvolvimento social e econômico do país.

Mato Grosso do Sul avança na universalização

O avanço também chega ao interior do estado. Atualmente, cerca de 81% da população de Mato Grosso do Sul já conta com acesso ao serviço, índice que coloca o estado entre os mais avançados do país. Entre 2021 e abril de 2026, mais de 729 quilômetros de redes de esgoto foram implantados em 68 municípios sul-mato-grossenses. O investimento possibilitou cerca de 58 mil novas ligações domiciliares e beneficiou aproximadamente 161 mil pessoas.

Além do impacto direto na população, a ampliação da infraestrutura evitou que mais de 131 bilhões de litros de esgoto fossem lançados sem tratamento em rios e córregos, contribuindo para a preservação ambiental e para a proteção dos recursos hídricos.

Saneamento e sustentabilidade caminham juntos

O debate sobre desenvolvimento urbano também passa pela sustentabilidade. A coleta e o tratamento de esgoto ajudam a reduzir a poluição dos corpos d’água, proteger ecossistemas e melhorar a qualidade ambiental das cidades.

Ao mesmo tempo, o acesso universal ao saneamento contribui para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades, tornando os municípios mais resilientes e preparados para os desafios das próximas décadas.

Por isso, cada vez mais especialistas apontam o saneamento como uma das bases para a construção de cidades mais saudáveis, inclusivas e sustentáveis. Uma infraestrutura que muitas vezes passa despercebida, mas que está presente em praticamente todos os aspectos da vida urbana.