Cases da Aegea foram destaque em conferência global

Cases da Aegea foram destaque em conferência global
Texto: Letícia Nunes e Yolanda Carnevale

O céu é o limite quando se trata de levar água à casa dos fluminenses. Com técnicas de rapel ou equipamentos de escalada, cavando na mão se for preciso, subindo escadas de mais de cem degraus com maquinário nas costas e trabalhando em becos e vielas nos quais mal passa uma pessoa, a Águas do Rio (RJ) não mede esforços para garantir um bom banho de chuveiro a quem nunca teve água encanada em casa. 

Graças ao Vem Com a Gente, somente no último ano 250 mil moradores do Estado do Rio de Janeiro puderam dispensar baldes e latões para usufruir de um serviço regular de abastecimento. Com ele, mais saúde, dignidade e qualidade de vida. As histórias de sucesso do programa foram destaque na Comunidade Global de Tecnologia Sustentável e Inovação, (G-STIC), uma das mais importantes conferências de sustentabilidade do planeta.

Tecnologias para reduzir as mudanças climáticas 

“A G-STIC discutiu a necessidade de ampliar o uso de tecnologias para reduzir as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade e o acesso de todos aos serviços de saneamento. Hoje, no mundo, são mais de dois bilhões de pessoas que não contam com serviços de esgoto e quase um bilhão que não têm água tratada para beber”, explica o presidente do Instituto Aegea e diretor de Sustentabilidade da empresa, Edson Carlos.

Foi a primeira vez que a G-STIC foi realizada na América Latina. A Fiocruz, no Rio de Janeiro, foi a anfitriã. A lista de palestrantes incluiu o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus; o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Qu Dongyu; e da ministra da Saúde, Nísia Trindade Lima. 

Além deles, especialistas, acadêmicos, autoridades e representantes de agências e organizações não-governamentais brasileiros e estrangeiros estão discutindo soluções para enfrentar os grandes desafios globais: a desigualdade e a vulnerabilidade social, a crise climática, as ameaças à biodiversidade, entre outros.

Programa Vem Com a Gente no Rio

São temas com impacto direto na vida de bilhões de pessoas. A questão do saneamento, por exemplo, afeta de forma brutal os brasileiros mais pobres. Hoje, 35 milhões de pessoas não têm água encanada em casa e outras 100 milhões não contam com rede de esgoto, segundo estudo do Instituto Trata Brasil. É justamente aí que o Vem Com a Gente mostra sua relevância.

“Nosso objetivo é levar saneamento a todos, principalmente, aos que mais precisam. Atendemos a milhares de famílias em áreas vulneráveis do Rio de Janeiro, nas palafitas de Manaus, no semiárido nordestino e em outras localidades. Água tratada, coleta e tratamento de esgoto são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer país”, afirma Edson Carlos.

Histórias reais

O espírito de fazer a diferença contagia as equipes do programa da Águas do Rio que, todos os dias, esbarram em histórias como a da dona de casa Marilene da Silva, da comunidade Terra Encantada, na Pavuna. 

Por décadas, ela precisou recorrer a baldes, canecas e latões para tomar banho ou lavar louça e roupas. Até que, um dia, o Vem Com a Gente chegou. Hoje, ela só precisa abrir a torneira para usufruir de água tratada.

“Hoje a minha casa está limpa. A roupa não está suja. Não fica louça na pia. A higiene da minha família melhorou. Só tenho gratidão!”, diz dona Marilene.

Programa começa com visita domiciliar

O programa, que envolve diversas áreas da companhia, como Responsabilidade Social e Comercial, vai de porta em porta escutando a população e conhecendo melhor os problemas dos bairros e das comunidades relativos ao fornecimento de água. Segundo o diretor do programa, Waldyr Vilanova, ao fazer esse levantamento, a Águas do Rio vai dando visibilidade aos que sequer apareciam nas estatísticas oficiais.

“Na comunidade Vila Ideal, na Baixada Fluminense, a previsão inicial era visitar em torno de 700 imóveis, mas passamos por mais do que o dobro, 1.856. Na comunidade Barreira do Vasco, na Zona Norte da capital, não foi diferente. Visitamos cerca de mil casas a mais do que o previsto. No total foram 3.860 imóveis. São informações importantes para o planejamento e a prestação dos serviços públicos”, afirma Waldyr.

Atuação junto aos líderes comunitários

Na segunda fase, monta-se uma força-tarefa, que vai atuar juntamente com as lideranças comunitárias e os agentes comerciais, encarregados de regularizar os cadastros e de incluir moradores de baixa renda na tarifa social.

Ao mesmo tempo, começam as melhorias operacionais, com a recuperação das redes e reservatórios, do sistema de bombeamento, padronização das ligações existentes, novas ligações de água e instalação de hidrômetros.  

O programa já passou por comunidades em diversas regiões da capital, em São Gonçalo, em Duque de Caxias e em Mesquita. Foram mais de 500 mil imóveis residenciais e comerciais visitados e  cerca de 800 mil serviços executados em um ano.

Redes áereas e uso de rapel e escalada no saneamento 

Só que garantir que o acesso aos serviços seja igual para todos exige soluções técnicas e também criativas. A topografia do Rio de Janeiro e a configuração territorial das comunidades, muitas vezes, impedem a utilização de máquinas. Ou seja: a escavação é manual. E mesmo que seja feita em uma viela apertada, não pode atrapalhar o ir-e-vir dos moradores. 

Há outros obstáculos. Em alguns lugares, é simplesmente impossível escavar, por falta de estrutura. Resta apenas a opção de fazer redes aéreas. E como transportar material até o topo de um morro em que não passa carro ou caminhão? No braço, mesmo. 

‘’Já usamos rapel e técnicas de escalada em alguns lugares. Mas todo esforço vale a pena pela satisfação das pessoas de terem água encanada. Afinal de contas, com a água tratada chega a cidadania. A pessoa passa a ter um comprovante de residência, documento que facilita a vida na hora, por exemplo, de abrir um crediário ou matricular o filho em uma escola. Nosso trabalho muda a qualidade de vida das pessoas”, afirma um dos gerentes do VCG, Carlos Eduardo Duarte.

Mudança de vida também para quem trabalha

Ao que tudo indica, muda também a vida de quem está trabalhando duro para levar o serviço ao morador. “O Vem com a Gente é o projeto que aderimos para a nossa vida, que está enraizado no nosso sangue. Ele traz conforto e melhores condições de vida para muitas pessoas que  estavam à margem desses serviços essenciais”, diz  o líder de equipe na Águas do Rio, Sérgio Rocha.

O compromisso da concessionária é alcançar, com saneamento, 10 milhões de pessoas nas 27 cidades do Rio de Janeiro em que atua. Se depender da Águas do Rio, as muitas ‘Marias’ que moram nas comunidades cariocas e fluminenses não vão mais precisar seguir a sina do velho samba.  

A lata d’ água na cabeça, para muitos, já pode ser aposentada.

Palestras da Aegea na G-STIC 

Com a palestra “Vencendo o desafio de levar água e esgoto tratados aos mais vulneráveis: o caso Rio de Janeiro e Manaus”, o presidente do Instituto Aegea e diretor de Sustentabilidade da empresa, Edison Carlos, apresentou ao mundo o programa Vem Com a Gente.

“Estamos sempre atentos a iniciativas relacionadas aos ODS. Trabalhar os pilares de ESG faz parte do nosso DNA e, em encontros como a G-STIC temos a oportunidade de mostrar o trabalho que realizamos, com inovação e eficiência, todo o esforço que fazemos para superar os desafios, independente do tipo de território, para atender com água tratada, coleta e tratamento de esgoto a todas as camadas da população”, diz ele.

Mulheres são as mais afetadas pela falta de saneamento

Edison Carlos destacou o impacto da falta de saneamento na vida das mulheres, as mais afetadas. Entre 2016 e 2019 aumentou o número de brasileiras sem água tratada ou sem banheiro em casa, por exemplo. “Os estudos reforçam que o acesso universal ao abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto pode tirar mais de 18 milhões de mulheres da condição de pobreza”, afirma o presidente do Instituto Aegea.

Justamente neste sentido é que a Águas do Rio investe na melhoria do atendimento para as populações mais fragilizadas.  Na palestra, Edison Carlos lembrou que o Rio possui uma expressiva quantidade de pessoas vivendo em condições de pobreza, sendo que a maioria apenas agora começam a ter serviços regulares de água tratada, coleta e tratamento de esgoto. 

Empregos ao moradores e prêmio da ONU

“Além do esforço de levar os serviços para essa camada da população mais vulnerável, implementamos um programa de contratação de moradores das  comunidades, oferecendo, para muitos deles, a primeira oportunidade de emprego formal”, afirma. 

Dos mais de oito mil empregos gerados pela concessionária, 4,5 mil são moradores selecionados em comunidades. Em um ano, a Águas do Rio inscreveu também mais de 80 mil famílias na Tarifa Social.

Em Manaus, o Vai com a Gente foi premiado pela ONU, em 2019. O programa foi implementado em 57 bairros, totalizando 530 mil residências. A instalação de 150 quilômetros de redes, garante água tratada para cerca de 130 mil famílias pela primeira vez.

Climatempo e Aegea: projeto de parceria foi outro case de sucesso

Outro caso da Aegea que foi destaque na G-STIC foi a parceria entre com a Climatempo, que objetiva monitorar o regime de chuvas, estiagem e volume de água nas bacias hidrográficas onde a empresa está presente. Para Tamires Koga, coordenadora de Segurança Hídrica da Aegea, que apresentou o projeto, foi um privilégio poder divulgar.

“Contribuir com a difusão da atuação da empresa em causas ambientais, como as práticas de reflorestamento nas bacias hidrográficas onde atuamos, é de extrema importância, pois as mesmas são fundamentais para a conservação dos mananciais e garantia da resiliência hídrica, que é ponto chave para a garantia do abastecimento de água a todos”, disse.

Plano de ação para garantir abastecimento na estiagem

“Em 2020, observamos precipitações abaixo da média histórica e um recorde negativo de dias com chuva. Para precaver os impactos das mudanças climáticas, a Aegea firmou contrato de longo prazo com a empresa de meteorologia Climatempo, uma das mais respeitadas na área no Brasil. E com os dados obtidos, conseguimos traçar um plano de ação para a estiagem do ano seguinte, que foi ainda pior, e realizamos mais de R$ 50MI de investimentos em segurança hídrica, que preveniram os cenários de falta de água nas unidades do MT, MS e SP”, afirmou.

Além de proporcionar a garantia da água nos períodos de estiagem, o projeto da Aegea traz avanços no monitoramento e remediação de impactos climáticos, que já são uma realidade no Brasil.

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