Despoluir os oceanos é cuidar da água que passa pelas nossas mãos

Despoluir os oceanos é cuidar da água que passa pelas nossas mãos
Texto: Rosiney Bigattão

Ao olhar para a relação entre mudanças climáticas e oceanos, fica claro como as pequenas ações podem resultar em grandes impactos, negativos ou positivos. 

Um estudo feito pelo professor Edmo J.D. Campos, do Instituto Oceanográfico da USP, mostra como o grande volume e a alta capacidade térmica da água fazem do oceano o regulador do sistema climático, reduzindo as diferenças de temperatura e criando um ambiente propício para a vida em quase toda a superfície do planeta.

Segundo o professor, a quantidade de água faz também com que, no oceano, as respostas a alterações nos forçantes do clima sejam bem mais lentas do que na atmosfera. Dessa forma, o oceano age como um atenuador da velocidade com que o clima em geral é afetado por essas mudanças. 

A Década dos Oceanos

A situação dos oceanos é tão preocupante que a Unesco determinou os anos de 2021 a 2030 como a Década dos Oceanos. A Aegea se juntou a este esforço partilhado e global, entendendo que o combate à poluição dos corpos hídricos é inseparável da preservação e recuperação da saúde dos oceanos. 

A empresa apoia e tem participação ativa em vários fóruns, alguns internacionais, para aprofundar o debate e a tomada de decisões que possam contribuir para a despoluição e conservação dos oceanos. Além disso, coordena a Plataforma Ação pela Água e Oceano, iniciativa do Pacto Global da ONU no Brasil.

Parceria com Blue Keepers

No fim do primeiro semestre, a empresa embarcou a bordo do Blue Keepers, projeto também ligado à plataforma. Por meio da Ambiental Serra (ES), parceira privada da Cesan nos serviços de esgoto, foi assinado um termo de cooperação com a finalidade de mobilizar recursos e realizar ações preventivas e corretivas no combate à poluição crônica dos oceanos por resíduos sólidos, principalmente o plástico. 

A Prolagos também aderiu ao projeto e iniciou a etapa de coletas e inventário na Região dos Lagos. A Aegea vai ampliar ainda mais a atuação nesse sentido com a criação de um programa de iniciativas voltadas à proteção dos oceanos.

Mais de 527 bilhões de litros de esgoto tratados

A atuação da Aegea em relação aos oceanos começa pela coleta e tratamento do esgoto, já que grande parte da poluição lançada em córregos e rios vai parar no mar. 

Só em 2022, as unidades da empresa trataram mais de 527 bilhões de litros de esgoto. Um aumento de 106% em relação ao volume tratado no ano anterior, segundo o Relatório de Sustentabilidade da Aegea.

Balneabilidade e recuperação de ecossistemas costeiros

Resultados do esgoto coletado e tratado podem ser percebidos em vários pontos de cidades litorâneas brasileiras, com um viés de atuação da Aegea para a balneabilidade e recuperação funcional de ecossistemas costeiros. 

Melhorias que também fazem a diferença são intervenções como a limpeza do Interceptor Oceânico, que retirou 2 mil toneladas de resíduos do túnel de 9 km de extensão por até 5,5 metros de diâmetro, responsável por coletar o esgoto da zona sul da capital.

“São ações de adequação de operação, revitalização das estruturas, ampliação de cobertura e controle de conexões irregulares, que resultaram na melhoria da balneabilidade nas praias de diversos municípios costeiros em que atuamos, como as praias do Flamengo, Botafogo, Catete e Paquetá, no Rio, Prolagos e Penha e logo começaremos a verificar essas reações positivas aos investimentos que estamos fazendo no Ceará”, explica Maíra Sugawara, coordenadora de Qualidade Ambiental da Aegea.

Despoluição da Baía de Guanabara e engajamento da sociedade

Outro importante passo foi dado pela Águas do Rio: acaba de ser licenciada a instalação do Coletor de Tempo Seco no entorno da Baía de Guanabara. A partir das obras que serão viabilizadas, milhões de pessoas nas 17 cidades que compõem essa bacia hidrográfica serão beneficiadas com a melhora da qualidade da água a partir da coleta e tratamento de esgoto que deixará de ser lançado diariamente nas praias que formam a baía. A natureza agradece.

As ações se voltam também para reflexões sobre a importância da recuperação do ecossistema e educação ambiental. A Águas do Rio  lançou a Sala Baía de Guanabara, que permite uma imersão na vida marinha para sensibilizar e engajar a população, principalmente os estudantes da rede pública de ensino fluminense.

Uma parceria com o Instituto Mar Urbano também amplia horizontes sobre o ambiente marinho. O biólogo e cinegrafista Ricardo Gomes fez o documentário Raias de Guanabara, conjunto de quatro vídeos mostrando a riqueza e diversidade da vida marinha na baía.

Parcerias com o Museu do Amanhã

Tem ainda o Diálogos Ambientais, uma parceria com o Museu do Amanhã que provocou a reflexão e deu voz aos diversos atores que pesquisam, vivem e cuidam do meio ambiente, notadamente o resgate da Baía de Guanabara.

Outro projeto que envolve a Baía de Guanabara aconteceu também em parceria com o Museu do Amanhã. Foi a exposição Baía em Movimento, apresentando os desafios na gestão ambiental de proteção ao ecossistema.

“As dores e belezas dessas imagens têm o objetivo de sensibilizar a população, despertando o sentimento de pertencimento à baía, transferindo nosso sonho de recuperá-la em uma experiência e esperança coletivas. Faremos isso tocando o coração das pessoas, mostrando a natureza e o impacto do homem no meio ambiente. Esse projeto dá destaque para a seguinte premissa: temos mais chances de ver mudanças quando trabalhamos juntos”, conta o biólogo Ricardo Gomes, também responsável pelas imagens expostas.

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