Dia Mundial da Reciclagem: pouco mais de 8% dos resíduos são reciclados

Dia Mundial da Reciclagem: pouco mais de 8% dos resíduos são reciclados
Texto: Raiana Lucas

Todos os dias, toneladas de resíduos são descartadas nas cidades brasileiras. Parte desse material poderia voltar para a indústria, gerar renda e reduzir impactos ambientais, mas ainda acaba em lixões ou é descartado de forma irregular. É nesse cenário que o Dia Mundial da Reciclagem, celebrado em 17 de maio, ganha ainda mais importância ao chamar a atenção para a necessidade de mudar hábitos e de fortalecer a destinação correta dos resíduos.

Os números mostram o tamanho do desafio: segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, publicado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o país gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2024. Apesar de grande parte ter sido coletada, apenas 8,7% foram recicladas. Enquanto isso, milhares de toneladas ainda seguem para lixões e áreas inadequadas, aumentando os impactos ambientais e os riscos à saúde pública.

Por trás dessa cadeia estão pessoas que transformam o descarte em sustento. Mais de 800 mil brasileiros encontram na reciclagem sua principal fonte de renda, segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. Muitas vezes invisíveis para a maior parte da população, os catadores são responsáveis por até 90% de tudo o que é reciclado no país. São eles que ajudam a manter as cidades mais limpas, movimentam a economia circular e mostram, diariamente, como pequenas ações podem gerar grandes transformações.

Mulheres estão na linha de frente

São as mulheres que movem a reciclagem no país. Segundo o Movimento, elas são responsáveis por aproximadamente 70% da coleta. Diariamente, elas retiram toneladas de resíduos de ruas, de residências, de comércios e de áreas públicas, garantindo o funcionamento de uma cadeia que mistura a geração de renda, a redução de impactos ambientais e o reaproveitamento de materiais.

Projetos que estão mudando a realidade

Para enfrentar os impactos do descarte irregular, iniciativas de gestão integrada vêm criando novas possibilidades para municípios e comunidades. Um dos exemplos é a atuação da Regenera Cariri, responsável por um projeto regional de gestão de resíduos sólidos em nove cidades do Ceará. A iniciativa prevê investimentos de R$ 110 milhões ao longo de 30 anos em infraestrutura, na desativação de lixões e na implantação de estruturas modernas para o tratamento e a destinação correta dos resíduos.

Além da estrutura física, a transformação também passa pela conscientização da população. O incentivo à separação correta dos resíduos e à participação coletiva fortalece a economia circular e contribui para cidades mais limpas, sustentáveis e saudáveis.

Educação ambiental que transforma

No bairro Batateiras, no Crato (CE), estudantes da Escola Juvêncio Barreto mostram como pequenas ações podem gerar grandes impactos. Desde 2025, os alunos desenvolvem um projeto de educação ambiental que já arrecadou mais de duas toneladas de materiais recicláveis, incentivando hábitos sustentáveis dentro e fora da escola.

A iniciativa ganhou o apoio da Regenera Cariri e da agência i360, que passaram a oferecer oficinas sobre resíduos sólidos, inclusão digital e produção audiovisual. O projeto também inspirou ações no município e fortaleceu o protagonismo juvenil, mostrando como a educação ambiental pode mobilizar comunidades inteiras.

Reciclagem de vidro e alumínio

A reciclagem de vidro avançou no Brasil em 2025 e ultrapassou a meta nacional prevista para o setor, alcançando 25,1% de reaproveitamento do material. Mais de 221 mil toneladas retornaram para a indústria por meio de sistemas certificados de logística reversa.

Já o alumínio segue como um dos maiores exemplos de eficiência da economia circular brasileira. O país recicla mais de 97% das latinhas consumidas, colocando-o entre os líderes mundiais no reaproveitamento do material. Além de gerar renda para milhares de catadores, a reciclagem do alumínio reduz significativamente o consumo de energia e evita os impactos ambientais causados pela extração mineral. Apesar dos avanços, ainda existem desafios significativos, especialmente relacionados à coleta seletiva e à estrutura necessária para ampliar a destinação correta dos materiais em diferentes regiões do país. Projetos como a Regenera Cariri fazem parte de um modelo sustentável que movimenta comunidades, jovens, infraestrutura e garante o futuro.