Mulheres no Plural: diversidade, equidade e inclusão

Mulheres no Plural: diversidade, equidade e inclusão
Texto: Rosiney Bigattão

Para falar das “Mulheres no plural”, tema da palestra de abertura da Semana da Mulher, realizada de 4 a 8 de março, a convidada foi Grazi Mendes. A escolha do Respeito Dá o Tom, programa de diversidade e igualdade da Aegea, não poderia ser mais assertiva.

Filha de uma empregada doméstica que não teve acesso aos estudos, a dona Fatinha, e do seu Alderico, a palestrante construiu uma trajetória peculiar, com múltiplos enfrentamentos. Já são 20 anos de atuação em empresas nacionais e multinacionais e muitas experiências para compartilhar.

Head de Diversidade, Equidade e Inclusão na ThoughtWorks, consultoria global de tecnologia, Grazi Mendes tentar entender o papel da mulher na nossa sociedade e conta suas histórias em uma coluna assinada em uma revista editada pelo Massachusetts Institute of Technology, uma das maiores universidades de tecnologia do mundo.

Ativismo pela inclusão

A palestrante faz de sua trajetória um lugar de questionamento: por que mulheres como ela ainda são tão poucas no universo corporativo? E, para além da narrativa do empenho individual, quais estratégias são realmente capazes de transformar essa realidade?

“Tem um lugar muito ativista em meu coração e ativista para mim é uma pessoa que leva esperança em movimento”.

Grazi desenvolve um projeto para inclusão de jovens no Morro do Papagaio (MG), para aumentar o acesso à universidade, pois ela foi a primeira da família a ingressar em uma faculdade e isso mudou a sua vida.

Diversidade é fato

“Se somos diferentes, precisamos de contexto diferentes, ferramentas diferentes, acessos diferentes, somos humanamente diferentes, então precisamos rever os códigos para que as pessoas, a partir das suas diferenças, elas tenham acesso à igualdade de oportunidades, de autonomia, para que possam realizar seus trabalhos também”, afirma.

“Ser livre é não ter medo de ser quem você é. Tem uma violência imposta aos corpos das mulheres, e os números só avançam. Como podemos lutar para ser livres?”

Mulheres plurais. Para falar sobre isso, tem uns pontos muito importantes: quais mulheres estamos falando? Aqui temos nordestinas, indígenas, com mais de 50 anos, com deficiências – precisamos falar sobre todas. Esse olhar para a pluralidade vai permitir que não falemos apenas sobre um grupo muito pequeno de mulheres, mas sim com a letra s no final. 

Mulheres no Plural: diversidade, equidade e inclusão

Segundo Grazi, estudando as questões de gênero, ela percebeu que dois fenômenos afetam o grupo de mulheres: o da “abelha rainha” e o da síndrome do impostor.

“Às vezes, em segmentos que são muito masculinos, muito difícil de entrar, as mulheres que conseguem ocupar uma posição de liderança, acabam reproduzindo os mesmos comportamentos dos homens que antes estavam ali, pelas dificuldades impostas, que é o primeiro fenômeno”, analisa.

“Elas dizem: eu passei por isso, você também vai passar! Mas não é necessário trilhar um caminho que não é bom”.

Para Grazi, a definição para impostora é aquela vozinha que tem dentro de quase todas as mulheres que diz que elas não são boas o suficiente para ocupar essas posições.

“Não estamos sendo boa profissional, boa esposa, boa mãe, que tinha que dar conta de tudo e não damos. Então é um convite para tirar essa voz de impostora para que cada uma possa se ver como potência, como boa de serviço, como diria a minha mãe”, argumenta.

Para avançar nas questões de gênero: exemplos da Aegea

Existem três passos básicos, segundo a palestrante. “Primeiro, reconhecer que existe um problema, que apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito”, diz.

“São estimados 136 anos para alcançar a equidade de gênero. Antes da pandemia, eram 100 anos. Isso significa que na grande crise enfrentada, o desafio ficou ainda maior”.

“O segundo é como que a gente cria ambientes mais seguros, para que a gente possa experimentar iniciativas, como a Aegea tem feito: criar comitês de diversidade, oferecer formações específicas, implantar jornadas de liderança para que a gente possa ampliar esses espaços”, diz Grazi.

“O terceiro é parar o discurso e colocar nas canetas: no orçamento e na agenda, ao invés de uma semana, ter o ano inteiro para discutir essas questões. Para finalizar, parar com as frases prontas que demonstram preconceito e que não ajudam muito”, finaliza.

Mudanças estratégicas fortalecem diversidade e ampliam atuação

Mais sobre a programação da Semana da Mulher

Conheça mais sobre os programas e ações que estão sendo desenvolvidas e outras mulheres inspiradoras na Matéria Especial, a seguir.

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