Nove anos do Respeito Dá o Tom: o legado na voz dos colaboradores

Nove anos do Respeito Dá o Tom: o legado na voz dos colaboradores
Texto: Enzo Mandetta

Perceber uma atitude que pode ofender alguém, posicionar-se diante do preconceito, reconhecer a própria identidade e levar novas conversas para dentro de casa. Nas histórias de quem participa do Respeito Dá o Tom (RDT), o impacto do programa aparece em situações que ultrapassam o ambiente de trabalho e chegam às relações pessoais, às famílias e às comunidades.

Há nove anos, o programa atua para promover a equidade racial e de gênero na Aegea. Com governança própria e acompanhamento da equipe do Instituto Aegea, o RDT está presente nas diferentes concessionárias da Companhia por meio de 19 Comitês Locais.

Sua atuação está organizada em três pilares. Empregabilidade busca ampliar as oportunidades na Companhia para mulheres e pessoas negras. Desenvolvimento promove capacitação e oportunidades de aprimoramento, com foco em raça e gênero e na ampliação do acesso a diferentes níveis e cargos. Já Relacionamento fomenta um ambiente de trabalho mais inclusivo, com ações de disseminação de conhecimento e iniciativas internas e externas sobre os temas.

Os relatos de participantes dos comitês locais ajudam a mostrar como esse trabalho se traduz no cotidiano e como o aprendizado sobre respeito e equidade pode seguir para além da Companhia.

Equidade racial e social: reflexão sobre a sociedade

“O Respeito Dá o Tom entrou na minha vida através de um convite para participar do comitê local da Águas do Rio. Foi um convite que mudou muito a minha vida desde então. Eu aprendi mais sobre mim, eu tive um autoconhecimento sobre muitas coisas que perpassam na minha vida”, conta Fabiane Fernandes, analista, participante do Comitê do RDT de Águas do Rio, 

Para ela, um dos principais aprendizados foi entender a equidade racial e social como uma reflexão contínua. “Um dos aprendizados que eu obtive é de que a equidade racial e social não é apenas uma bandeira, é uma reflexão sobre a nossa sociedade”. Fabiane também fala sobre o que esse aprendizado representa para sua própria trajetória e para a de sua filha. “Eu, enquanto mãe e negra, hoje eu tenho a consciência do quanto eu tenho de poder, de conhecimento, de transformar o que eu passei e o que a minha filha vai passar para uma coisa melhor”. 

RDT: por mais respeito em todos os momentos

Vitoria Mendes, analista comercial júnior de cadastro, participante do Comitê do RDT de Águas de Teresina e Águas de Timon, também relaciona o Respeito Dá o Tom a uma mudança na forma como enxerga o próprio direito ao respeito. “O programa mudou minha vida, porque ele inclui pessoas de diversos gêneros e culturas diferentes”, diz. 

Vitória destaca ainda um aprendizado que carrega para além do ambiente de trabalho. “No Respeito Dá o Tom, eu aprendi que em qualquer lugar que eu passar, eu devo ser respeitada e que o respeito deve estar em todos os momentos da nossa vida”. 

Pilar relacionamento é um dos destaques do programa

Já para Filipe Bulhões Frós, trainee na Aegea, participante do comitê do RDT, o programa mudou principalmente a forma como ele observa o dia a dia e se relaciona com as pessoas ao redor. “Quando tu começa a falar sobre isso, tu começa a perceber mais, tu começa a prestar mais atenção”, explica. 

Filipe conta que aquela piadinha que antes parecia inofensiva passou a ser vista de outra forma: “As pessoas passam a se ligar: poxa, eu acho que aquilo ali pode machucar alguém. Não tem problema a piada, o problema é ela ofender ou não a outra pessoa”. Para ele, esse é o principal ganho do programa, porque “quando a gente passa a perceber isso, a gente consegue viver a nossa vida tranquilamente sem magoar o outro. Isso pra mim foi o principal ponto ali no dia a dia dentro do Respeito Dá o Tom”.  

Conhecimento que extrapola o ambiente corporativo

Eugênio Mattioli, analista de engenharia na Aegea, participante do comitê RDT, resumiu o aprendizado do Respeito Dá o Tom como uma mudança na forma de se posicionar diante do outro. “Aprendi que muitas vezes não é só não ser uma pessoa preconceituosa, não gerar um preconceito, mas a gente se posicionar. A gente não se cala, a gente fala para um colega que aquela atitude não foi tão legal”, afirma. 

Para Eugênio, o respeito vai além da boa convivência. “O respeito é a gente entender que as pessoas têm as suas diferenças, têm vivências, têm dores diferentes. Isso é o que transforma cada pessoa em uma coisa muito individual”. Ele conta que esse olhar também mudou suas relações fora da empresa. “A gente acaba levando para fora da empresa esse conhecimento para os nossos amigos, para as nossas famílias. Isso é uma verdadeira mudança de olhar”.  

Letramento racial e voluntariado

Carolina de Oliveira Lindoso Machado, colaboradora nas unidades da Aegea em Santa Catarina, coordenadora do comitê do RDT da unidade, também encontrou no programa um espaço de autoconhecimento. Foi por meio do letramento racial promovido pelo programa que ela pôde se reconhecer como parda, além de desenvolver uma escuta mais atenta em suas relações, inclusive nas ações de voluntariado das quais participa.Cinco histórias e uma mesma constatação: o respeito aprendido dentro da Companhia não fica restrito a ela. Ele segue para casa, para as famílias e para as próximas gerações. É esse o resultado prático do programa: mostrar que a equidade racial e de gênero, quando vivida no dia a dia, se espalha e alcança para além dos muros da Companhia.